Os investidores reagiram ao reajuste do Bolsa Família e avaliaram os impactos da medida para as contas públicas e a disputa eleitoral. Também seguiram repercutindo as decisões de juros anunciadas ontem no Brasil e nos EUA, enquanto monitoraram os preços do petróleo, que recuam levemente.
▶️ A medida ocorre a 17 dias das eleições e em meio a preocupações com as contas públicas. Primeiro reajuste do programa desde 2023, a mudança ajuda a recompor o poder de compra dos beneficiários, mas foi anunciada em um momento que levanta questionamentos de economistas.
▶️ Há também o impacto eleitoral. Analistas veem o aumento do Bolsa Família como um fator capaz de influenciar a disputa pela Presidência, em um momento em que as pesquisas mais recentes apontam uma corrida mais acirrada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
▶️ Ontem, foi dia de Superquarta, com decisões de juros no Brasil e nos EUA. Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Já nos EUA, o Federal Reserve (Fed) elevou os juros na mesma magnitude, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.
▶️ Enquanto isso, os preços do petróleo operam em queda. Na véspera, notícias de que a Arábia Saudita estaria oferecendo cargas adicionais da commodity por meio de Omã ajudaram a amenizar preocupações com uma possível interrupção do abastecimento.
- Por volta das 15h10, o barril do Brent, referência internacional, operava em queda de 0,94%, cotado a US$ 104,84. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caía 0,45%, a US$ 101,97 o barril.
▶️ A alta do Ibovespa foi puxada pelo avanço de mais de 2% das ações da Vale, além do desempenho positivo da Petrobras.
▶️ A decisão ocorre após a sessão histórica realizada na terça-feira para discutir o caso Moraes-Vorcaro. Na ocasião, o plenário debateu pela primeira vez a possibilidade de abrir uma investigação contra um integrante da própria Corte. Veja em 10 pontos como foi a sessão no STF.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
- Acumulado da semana: +0,27%;
- Acumulado do mês: -0,79%;
- Acumulado do ano: -6,38%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: -0,65%;
- Acumulado do mês: +4,83%;
- Acumulado do ano: +15,43%.
Aumento do Bolsa Família
Com o aumento, o benefício médio passará dos atuais R$ 675 para R$ 777. O reajuste valerá para os pagamentos que começam em 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno (se houver) das eleições presidenciais.
Segundo o Ministério do Planejamento, o custo da medida será de R$ 5,8 bilhões neste ano. Para 2027, o impacto estimado nas despesas chega a R$ 22,7 bilhões.
Desde que foi relançado pelo governo Lula, em março de 2023, o Bolsa Família não passava por reajustes. Anunciada em meio à corrida eleitoral, a decisão representa, segundo a equipe econômica, a reposição da inflação acumulada entre o início do governo e agosto deste ano.
A equipe econômica de Lula nega que o reajuste tenha relação com as eleições de 2026. A medida deve beneficiar 19,3 milhões de famílias.
“Creio que não [tem relação com as eleições]. Ficou claro que foi feito pelo esforço de cadastro. Precisávamos da clareza que temos espaço fiscal disponível. Identificamos e viemos dar a tranquilidade para o presidente que tínhamos capacidade [de reajustar]”, disse o ministro do Planejamento, Bruno Moretti.
Apoiadores de Flávio já anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral contra o reajuste.
Juros no Brasil e nos EUA ficam no radar
O 5º corte consecutivo da Selic por parte do BC fica no centro das atenções nesta quinta-feira. A decisão veio em linha com o esperado pelo mercado e levou a Selic para o menor patamar desde março do ano passado.
A redução da taxa básica acompanha acompanha a desaceleração nos preços de inflação. Na semana passada, o IBGE indicou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, na maior queda de preços desde 2022.
Já nos EUA, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou a taxa de juros do país em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Foi a primeira alta desde julho de 2023. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (16), foi unânime e veio em linha com as expectativas do mercado financeiro.
- ➡️ O movimento interrompe uma sequência de cinco reuniões consecutivas com juros inalterados. A alta foi influenciada, entre outros fatores, pela disparada do preço do petróleo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, o que reforçou as preocupações com a inflação.
Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) afirmou que a atividade econômica americana continua se expandindo em ritmo sólido e que “os gastos domésticos têm se mostrado resilientes”, apesar do cenário de incerteza elevada causado por “acontecimentos geopolíticos”.
Bolsas globais
Nos EUA, Wall Street se recupera nesta quinta-feira. A queda dos preços do petróleo, o recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e dados sólidos do mercado de trabalho ajudam os investidores a deixar em segundo plano a alta de juros anunciada pelo Federal Reserve.
O índice Dow Jones subiu 0,61%, o S&P 500 avançou 1,14% e o Nasdaq teve ganhos de 1,69%.
Na Ásia, as bolsas chinesas fecharam em queda, liderados por setores sensíveis às taxas de juros depois que o primeiro aumento das taxas de juros nos EUA em três anos aumentou preocupações com a saída de capitais.
O SSEC, índice de Xangai e o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, caíram 0,4%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, também teve perdas de 0,4%.
Entre os demais mercados da região, o índice Nikkei, do Japão, subiu 0,33% e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 0,04%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.