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Dólar abre com investidores atentos à escolha do novo presidente do Fed e à PNAD | G1

por Redação
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▶️ Os mercados iniciam a sexta-feira atentos a decisões e indicadores que podem mexer com as expectativas dos investidores. O foco se divide entre a política monetária nos Estados Unidos e os dados mais recentes do mercado de trabalho no Brasil.

▶️ Nos EUA, a atenção está voltada para o anúncio do novo presidente do Federal Reserve. Donald Trump afirmou ontem que divulgaria nesta manhã o nome escolhido para substituir Jerome Powell, cujo mandato termina em maio, após uma relação marcada por atritos com o presidente.

  • O nome de Kevin Warsh, ex-governador do Fed, ganhou força nas apostas após um encontro com Trump na Casa Branca. Além dele, Rick Rieder, chefe de renda fixa da BlackRock, e Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, também aparecem entre os cotados.

▶️ No Brasil, os investidores seguem monitorando os dados do mercado de trabalho após os números fracos do Caged em dezembro — que mostrou que o país criou 1,279 milhão de empregos formais ao longo de 2025, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

▶️ Hoje, o mercado aguarda a divulgação da taxa de desemprego de dezembro, medida pela PNAD Contínua, que pode ajudar a calibrar a leitura sobre a dinâmica do emprego no fim do ano passado.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -1,75%;
  • Acumulado do mês: -5,37%;
  • Acumulado do ano: -5,37%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +2,39%;
  • Acumulado do mês: +13,66%;
  • Acumulado do ano: +13,66%.

Juros dos EUA e do Brasil

Na véspera, a Superquarta trouxe as decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil, ambas conforme o esperado pelo mercado.

  • 👉 Com essa decisão, o Fed interrompe uma sequência de três reduções seguidas nos juros. Na reunião anterior, realizada em 10 de dezembro, o banco central havia cortado a taxa em 0,25 ponto percentual.

No comunicado divulgado após a reunião, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) informou que o mercado de trabalho segue mostrando pouca criação de vagas, embora o desemprego esteja relativamente estável.

O grupo também destacou que a inflação ainda permanece um pouco acima do desejado, o que ajuda a explicar a cautela do banco central.

Em entrevista, o presidente do Fed, Jerome Powell, adotou um tom mais firme do que o visto em dezembro e indicou que novos cortes de juros não devem acontecer no curto prazo.

Segundo o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, a economia dos Estados Unidos ainda está longe de uma recessão. “Dados do terceiro trimestre de 2025 apontaram um crescimento forte da atividade, impulsionado principalmente pelo consumo das famílias, pelas exportações e pelos gastos do governo.”

“A possibilidade de maior interferência política ou da nomeação de um presidente com viés dovish [mais favorável a juros baixos] representa um risco relevante para a credibilidade do regime monetário, com potenciais impactos sobre as expectativas de inflação, o dólar e os mercados financeiros.”

A indicação de corte está ligada à expectativa de que a inflação esteja mais controlada nos próximos meses. Mesmo assim, o Banco Central deixou claro que pretende agir com cautela.

Em comunicado, o Copom afirmou que, se o cenário esperado se confirmar, deve iniciar a redução dos juros na próxima reunião, mas reforçou que seguirá mantendo um nível ainda restritivo. Na prática, isso significa que o BC quer baixar os juros de forma gradual, sem comprometer o retorno da inflação à meta oficial.

  • 👉 Atualmente, a Selic está no maior nível em quase 20 anos. Em julho de 2006, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a taxa chegou a 15,25% ao ano.

De outro, o economista avalia que reduzir os juros imediatamente poderia ser precipitado, especialmente diante das incertezas no cenário externo e das dúvidas em relação à política fiscal do país — ou seja, ao controle das contas públicas.

Segundo ele, o principal sinal dado nesta reunião foi a comunicação mais clara sobre o início de um ciclo de queda dos juros.

“A novidade dessa reunião do Copom é que o comunicado deixa claro que deve haver um início do ciclo de baixa, com grande chance de isso acontecer já na próxima reunião”, afirma.

Ainda assim, Gesner ressalta que o mercado segue atento a uma dúvida central: qual será o ritmo desse corte inicial. A discussão gira em torno de uma redução de 0,25 ponto percentual ou de 0,50 ponto percentual na reunião de março.

Agenda econômica

  • Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA

O número de norte-americanos que solicitaram auxílio-desemprego pela primeira vez caiu levemente na semana passada, sinalizando que as demissões seguem em patamar baixo nos EUA. Ainda assim, o ritmo fraco de novas contratações tem aumentado a preocupação das famílias com o mercado de trabalho.

De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Departamento do Trabalho, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego recuaram 1.000 solicitações na semana encerrada em 24 de janeiro, totalizando 209 mil pedidos, já com ajuste para efeitos sazonais.

O dado da semana anterior foi revisado para cima, passando de 200 mil para 210 mil pedidos.

O resultado veio um pouco acima das expectativas do mercado, que projetava 205 mil solicitações. A leitura dos números, no entanto, foi influenciada pelo feriado de Martin Luther King Jr., celebrado na segunda-feira da semana passada.

Esses pedidos costumam oscilar mais em semanas com feriados, especialmente no início do ano, quando os ajustes estatísticos ficam mais difíceis.

  • Balança comercial americana

O déficit comercial dos EUA — diferença entre o que o país importa e exporta — teve um salto expressivo em novembro, registrando o maior aumento em quase 34 anos.

O avanço foi puxado principalmente pelo forte crescimento das importações, em especial de máquinas, computadores e semicondutores, em um movimento associado ao aumento dos investimentos em inteligência artificial.

Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Escritório de Análise Econômica e pelo Census Bureau, o déficit comercial cresceu 94,6%, chegando a US$ 56,8 bilhões no mês.

O resultado superou com folga as expectativas do mercado, que projetava um saldo negativo de US$ 40,5 bilhões. Essa foi a maior variação percentual desde março de 1992.

O relatório, que teve sua divulgação adiada por causa da paralisação de 43 dias do governo americano, mostra que as importações totais aumentaram 5,0%, somando US$ 348,9 bilhões.

Dentro desse grupo, as compras de bens avançaram 6,6%, para US$ 272,5 bilhões, com destaque para os bens de capital — equipamentos usados na produção — que cresceram US$ 7,4 bilhões e atingiram um recorde histórico.

O principal impulso veio das importações de computadores e semicondutores, embora acessórios para computadores tenham registrado queda.

Bolsas globais

Em Wall Street, os mercados americanos fecharam sob a influência da decisão do Federal Reserve de manter os juros inalterados, movimento que já era amplamente esperado.

A fala do presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou a avaliação de que as taxas estão “em um bom patamar” no momento. Enquanto isso, os investidores acompanham a divulgação de balanços de grandes empresas de tecnologia e aguardam os dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego.

O Dow Jones Industrial Average fechou em alta de 0,11%, aos 49.071,56 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,20%, aos 6.963,76 pontos, e o Nasdaq Composite teve queda de 0,72%, aos 23.685,12 pontos.

Na Europa, o clima foi de cautela com os investidores analisando os resultados das empresas de tecnologia, em busca de pistas sobre como elas estão monetizando a inteligência artificial, após terem gasto bilhões no desenvolvimento dessa tecnologia nos últimos anos.

No fechamento, o índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,2%. Entre os principais mercados, o CAC 40, de Paris, subiu 0,06%, e o FTSE 100, de Londres, avançou 0,17%. Na Alemanha, o DAX recuou 2,07%.

Na Ásia, o humor dos mercados melhorou após notícias de que reguladores chineses deixariam de exigir alguns indicadores financeiros das construtoras, conhecidos como as “três linhas vermelhas”.

No fechamento, o Hang Seng subiu 0,51%, aos 27.968 pontos, enquanto o índice de Xangai avançou 0,16%, aos 4.157 pontos, e o CSI300 teve alta de 0,76%, aos 4.753 pontos.

Ainda na região, o Nikkei, de Tóquio, avançou 0,03%, o Kospi, de Seul, subiu 0,98%, e o Taiex, de Taipé, recuou 0,82%. Já as bolsas de Cingapura e Sydney fecharam em alta de 0,42% e queda de 0,07%, respectivamente.

Dólar vive disparada nos últimos dias — Foto: Cris Faga/Dragonfly/Estadão Conteúdo

*Com informações da agência de notícias Reuters

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