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Dólar abre com atenção à prévia da inflação e aos juros no Brasil e nos EUA | G1

por Redação
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O mercado começa a semana atento às decisões de política monetária e aos dados de inflação. No Brasil, a prévia do IPCA ganha destaque no primeiro dia da reunião do Copom. No exterior, indicadores de confiança e tensões políticas nos Estados Unidos entram no radar dos investidores.

▶️ No Brasil, o principal destaque da agenda é o IPCA-15 de janeiro, divulgado nesta manhã pelo IBGE, em paralelo ao início da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. A expectativa do mercado é de manutenção da Selic em 15% ao ano.

A projeção é de que o IPCA-15 registre alta de 0,22% no mês e avance 4,52% no acumulado de 12 meses, reforçando o monitoramento do ritmo da inflação pelo Banco Central.

▶️ Nos EUA, o banco central também inicia hoje sua reunião de política monetária, e os investidores acompanham a divulgação do índice de confiança do consumidor, enquanto o mercado projeta a manutenção dos juros na faixa entre 3,5% e 3,75%.

▶️ Ainda no cenário americano, aumentam as especulações sobre a escolha do próximo presidente do Federal Reserve. Rumores indicam que Donald Trump pode anunciar o sucessor de Jerome Powell ainda nesta semana.

▶️ A possível indicação gera apreensão no mercado, diante do receio de que o novo presidente do Fed sofra influência política para acelerar cortes de juros, o que colocaria em xeque a autonomia da autoridade monetária.

▶️ Por fim, volta ao radar a chance de uma nova paralisação do governo dos EUA, diante da resistência de democratas em aprovar o Orçamento sem mudanças na área de segurança, após o assassinato de Alex Pretti por agentes federais.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,13%;
  • Acumulado do mês: -3,81%;
  • Acumulado do ano: -3,81%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +8,53%;
  • Acumulado do mês: +11,01%;
  • Acumulado do ano: +11,01%.

Tensões geopolíticas

  • Acordo entre China e Canadá

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou no sábado (24) aplicar tarifas de 100% sobre produtos importados do Canadá caso o país feche um acordo comercial com a China. Na semana passada, os dois países haviam anunciado uma nova parceria estratégica, durante a visita do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, a Pequim.

Foi a primeira viagem de um líder canadense à China em oito anos. O acordo prevê que a China reduza tarifas sobre a canola canadense e que o Canadá permita a entrada de quase 50 mil carros elétricos chineses com tarifa de 6,1%, bem abaixo dos 100% atualmente aplicados.

Carney está tentando reconstruir os laços com o segundo maior parceiro comercial de seu país, depois dos EUA, após meses de esforços diplomáticos.

Em resposta, o presidente americano, Donald Trump afirmou que se o Canadá fechar um acordo com a China, estará “imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”.

“[Se Carney] pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado”, escreveu o republicano em seu perfil no Truth Social.

Nesta segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que os acordos comerciais e econômicos com o Canadá não têm como alvo nenhum terceiro país, em resposta à ameaça tarifária dos EUA.

“A China entende que os países devem conduzir suas relações uns com os outros com uma mentalidade de ganha-ganha, em vez de soma zero, e por meio da cooperação, e não do confronto”, disse o porta-voz do ministério, Guo Jiakun, durante uma coletiva de imprensa regular.

  • Ameaças com força militar

Outro ponto de atenção nos mercados nesta segunda-feira foi a nova ameaça de Trump aos países do Hemisfério Ocidental que não cooperarem ou ainda obstruíram seus objetivos de combate ao narcotráfico. A medida faz parte da nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA.

No documento, ao mesmo tempo em que fala em cooperação na base da “boa-fé” com os vizinhos, o governo Trump deixou a porta aberta para ações militares onde e quando julgar que seus interesses não estão sendo atendidos.

O republicano ainda utilizou a operação militar em Caracas, que prendeu o então presidente venezuelano Nicolás Maduro, como exemplo de ações que o Exército americano pode empregar no futuro.

“Garantiremos, de forma ativa e destemida os interesses dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental”, diz o documento.

  • Lula, Trump e a Venezuela

Ainda nessa toada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou com o presidente Trump por telefone nesta segunda-feira. Os dois trataram sobre a situação na Venezuela e combinaram uma visita do petista a Washington nos próximos meses.

“O presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano”, informou a nota divulgada pelo governo brasileiro à imprensa.

Essa foi a primeira conversa entre Lula e Trump desde que os Estados Unidos invadiram a Venezuela e retiraram do poder o dirigente Nicolás Maduro, no início deste mês.

Lula, no entanto, já deu declarações públicas condenando a ação militar no país vizinho. Na última sexta-feira (23), o petista chamou o episódio de “falta de respeito” e disse que a América Latina não vai abaixar a cabeça para ninguém.

Ele também afirmou que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político e disse que a Carta das Nações Unidas (ONU) está sendo “rasgada”, com a prevalência da chamada “lei do mais forte” nas relações internacionais.

A expectativa é que Lula aproveite a instabilidade no cenário internacional para reiterar o pedido de reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, um pleito do petista desde o primeiro mandato, em 2002.

Agenda econômica

Os economistas do mercado financeiro reduziram a projeção da inflação para 2026, de 4,02% para 4%, segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central. O levantamento foi feito na última semana com mais de 100 instituições financeiras.

Se confirmada, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará abaixo do registrado em 2025, quando fechou em 4,26%. Para os anos seguintes, as expectativas permanecem estáveis: 3,80% para 2027 e 3,50% para 2028 e 2029.

O mercado financeiro também projeta que a Selic, taxa básica de juros, continuará em trajetória de queda. Após fechar 2025 em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos, a estimativa é de redução para 12,25% ao final de 2026, e para 10,50% em 2027.

Para o crescimento da economia, a previsão do PIB em 2026 se mantém em 1,8%, abaixo dos 2,25% projetados para 2025. Já a cotação do dólar deve encerrar o ano em R$ 5,51, de acordo com o mesmo levantamento.

Bolsas globais

Nos EUA, os três principais índices de Wall Street encerraram em alta nesta segunda-feira (26), conforme investidores aguardavam resultados corporativos de grandes empresas e em meio à expectativa pela decisão de juros do banco central americano prevista para os próximos dias.

O Dow Jones avançou 0,64%, enquanto o S&P 500 ganhou 0,50% e o Nasdaq subiu 0,43%.

O setor de mineração teve destaque na sessão, impulsionado pela disparada do ouro. Entre os destaques, os papéis da Gold Fields e da Harmony Gold subiram mais de 1%.

Na Europa, a maioria dos mercados fechou em alta, impulsionadas por ganhos no setor financeiro conforme investidores aguardam a divulgação de resultados corporativos grandes bancos nesta semana.

O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 0,2%, no maior nível em mais de uma semana. Entre as bolsas locais, o FTSE 100, do Reino Unido, subiu 0,05%, enquanto o DAX, da Alemanha, encerrou com um avanço de 0,13%. Na contramão, o CAC40, da França, caiu 0,15%.

Na Ásia, as bolsas fecharam praticamente estáveis, resultado do equilíbrio entre ganhos em setores de metais e finanças e perdas nas empresas de tecnologia.

No encerramento do pregão, os índices mostraram movimentos leves. Em Xangai, o SSEC caiu 0,09%, enquanto o CSI300 subiu 0,10%. O Hang Seng, em Hong Kong, avançou 0,06%.

Em outras regiões, o Nikkei recuou 1,8% em Tóquio; o KOSPI caiu 0,81% em Seul; o TAIEX subiu 0,32% em Taiwan; e o Straits Times, em Cingapura, teve queda de 0,62%.

*Com informações da agência de notícias Reuters

Cédulas de dólar — Foto: bearfotos/Freepik

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