
Empresário e influenciador Henrique Maderite morreu de infarto, aos 50 anos, e tinha sinal de Frank
reprodução redes sociais
Uma dobra que atravessa o lóbulo da orelha de cima para baixo, formando uma diagonal, parece uma característica pessoal inofensiva, mas pode ser um sinal de risco problema cardíaco. Essa prega de cerca de 45° é chamada de sinal de Frank e é um indicativo de possível envelhecimento rápido das artérias.
A morte do empresário e influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, levantou a discussão. Maderite morreu após um infarto fulminante e apresentava essa marca característica nas orelhas. Ele tinha mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais e ficou conhecido por postar, às sextas-feiras, um vídeo com o bordão “sexta-feira, papai, pode olhar aí, meio-dia, quem fez, fez”.
O sinal de Frank, em geral, se desenvolve ao longo da vida e é estudado há décadas por médicos. Ele foi descrito pela primeira vez em 1973 pelo médico norte-americano Sanders Frank na revista científica “New England Journal of Medicine”, após observação em pacientes com doença coronariana.
Frank identificou em 20 pacientes que tinham essa dobra e apresentavam sinais de doença nas artérias do coração. A maioria deles tinha fatores de risco para problemas cardíacos. Desde então, diversos estudos investigam possíveis relações da ruga com a aterosclerose – doença em que ocorre o acúmulo de placas de gordura, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias.
Influenciador Henrique Maderite, do bordão ‘sexta-feira, papai’, é achado morto em MG
Um estudo da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) analisou a associação entre alterações dermatológicas — especialmente a prega diagonal no lóbulo da orelha (sinal de Frank) e a prega pré-auricular — e a presença de doença arterial coronariana em homens submetidos a exames cardíacos.
Os pesquisadores conduziram um estudo com 110 homens submetidos à cineangiocoronariografia – que visualiza as artérias coronárias – entre 2004 e 2005 e concluíram que a prega diagonal no lóbulo apareceu em 60% dos pacientes com doença coronariana, contra 30% no grupo controle.
Além disso, quando as duas pregas apareciam juntas, o valor preditivo positivo chegou a 90% para doença coronariana. Os autores destacaram que o mecanismo ainda não está totalmente esclarecido e uma hipótese é que alterações microvasculares e perda de elasticidade da pele estão relacionadas à aterosclerose.
Influenciador Henrique Maderite
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Sinal surge com a idade na maioria e é visto como alerta por cardiologista
Dificilmente as pessoas nascem com esse sinal. Na maioria das vezes, o paciente desenvolve essa prega ao longo da vida. E, quando ela aparece, geralmente surge dos dois lados.
Segundo o cardiologista da Unidade de Hipertensão do Incor da Faculdade de Medicina da USP João Vicente da Silveira, o sinal está relacionado com o envelhecimento vascular e quando ele surge em jovens adultos, os médicos se preocupam um pouco mais.
“É um sinal, um alerta, uma pista. Uma luz vermelha que acendeu e apagou. Não necessariamente ele está com as artérias coronárias obstruídas e vai ter um infarto, mas é um alerta para o médico ficar atento e fazer exames mais específicos. E o contexto global precisa ser avaliado, como a história familiar e os fatores de risco”, diz Silveira.
Entre os fatores, estão: pressão arterial, níveis de glicemia, colesterol, tabagismo, obesidade, uso frequente de bebida alcoólica – o que também altera a pressão arterial – e sedentarismo.
O médico explica que se o paciente é um adulto jovem e tem o sinal de Frank, provavelmente ele está obeso, bebe muito álcool, fuma, tem colesterol alto triglicerídeos altos ou níveis altos de açúcar no sangue.
“É praticamente impossível um paciente de 30 anos ter esse sinal e ter uma saúde totalmente normal. Isso é um sinal de envelhecimento das artérias e de que ele não está se cuidando”, diz Silveira.
O médico destaca ainda que o lóbulo da orelha tem microartérias e essa prega está relacionada a uma desorganização das células de colágeno que dão uma elasticidade nas artérias. E quando as artérias perdem a elasticidade, elas ficam endurecidas, podendo causar entupimento e, consequentemente, problemas como infarto e AVC.
O paciente com esse vinco no lóbulo da orelha e que apresenta fatores de risco para problemas cardíacos tem mais chances de problemas cardíacos e precisa ficar mais atento e se cuidar com urgência, destaca Silveira.
Nestes casos, além da medição da pressão arterial, costumam ser solicitados exames como ecocardiograma, teste ergométrico, avaliação dos níveis de colesterol e até mesmo angiotomografia das coronárias e cateterismo.
Se o cateterismo indicar entupimento das artérias, pode ser necessária a colocação de um ou mais stents – molas introduzidas nas artérias que permitem a passagem do sangue onde havia gordura – além de tratamento com medicação oral e monitoramento constante.
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