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Disparada do petróleo: Haddad defende evitar

por Redação
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta terça-feira (10) que não se tomem o que ele chamou de “decisões açodadas” por conta da dispara do preço do petróleo, que, se não revertido, contaminará a inflação (via alta dos preços dos combustíveis).

Questionado por jornalistas se a forte alta no preço do petróleo não pode prejudicar a intenção do Banco Central de iniciar o processo de corte de juros na próxima semana, ele lembrou os primeiros dias do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump — posteriormente revertido em parte.

“Nós não podemos correr risco de tomar decisões açodadas. Você lembra no caso do tarifaço? No caso do tarifaço, houve um pânico gerado pela extrema direita de que aquilo ia quebrar a economia brasileira que o Brasil finalmente ia se render ao império do norte, que ia ter que aceitar as exigências deles em relação ao Bolsonaro e nada disso aconteceu”, disse Haddad.

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O ministro, no entanto, acrescentou que o Banco Central é autônomo em suas decisões sobre a taxa de juros, ou seja, independente, tanto do governo quanto do mercado.

“Nós temos uma doença [inflação], um remédio [taxa de juros], e o que a Banco Central faz é administrar a dose. É só isso. Não faz outra coisa a não ser administrar a dose. Com base no quê? Nos dados, nas expectativas e tal. Então, o Banco Central é independente, porque ele tem uma metodologia de trabalho que ele vai seguir. Entendeu? Agora, vamos ver o que vai acontecer. Eu não posso antecipar, porque eu não sei. Não voto no Copom”, disse o ministro.

  • Atualmente, a taxa básica de juros da economia está em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. Em janeiro, o Banco Central indicou que deverá iniciar o ciclo de redução da Selic em seu próximo encontro, marcado para a próxima semana.
  • O mercado acreditava que a redução seria de 0,5 ponto percentual, para 14,5% ao ano, mas já precifica, nesta semana, uma redução menor: de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, por conta da guerra no Oriente Médio.

Em maio, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou em Los Angeles, nos EUA, uma política nacional de data centers que prevê a desoneração de investimentos no setor — Foto: Getty Images

Disparada do petróleo

Após ultrapassar a barreira dos US$ 120 no decorrer desta semana, o nível mais alto em mais de três anos, os preços do petróleo caíam nesta terça após Donald Trump afirmar que a guerra no Oriente Médio pode terminar em breve, o que reduziu as preocupações com interrupções prolongadas no abastecimento global.

Os contratos futuros do Brent crude oil recuavam US$ 6,28, ou 6,3%, para US$ 92,68 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caía US$ 6,19, ou 6,5%, para US$ 88,58 por barril.

“Você veja como o preço do petróleo está oscilando dia a dia. Você não pode, com base nisso, já ir tomando decisões estruturais que vão comprometer. E nós temos que observar, verificar o andar das coisas, estabelecer cenários, como nós fizemos no caso do tarifaço, desenhar cenários, o cenário A, o cenário B, o cenário C, desenhar o pior cenário também”, afirmou o ministro Haddad, nesta terça.

Entenda como a guerra pode pressionar a inflação

De acordo com economistas ouvidos pelo g1 na semana passada, a escalada de tensões e a eclosão da guerra no Oriente Médio, com o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e a propagação do conflito a países vizinhos, como o Líbano, pressionam o preço do petróleo e a cotação do dólar no Brasil. Também pode haver alguma pressão sobre o dólar.

Segundo economistas, essa “mudança de preços relativos” de ativos (petróleo e dólar), no jargão da economia, pode contaminar não somente os preços correntes, mas também as projeções do mercado e da autoridade monetária para a inflação neste e nos próximos anos.

  • O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), colegiado responsável buscar o atingimento das metas de inflação, toma suas decisões olhando para a frente, pois elas demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
  • Neste momento, por exemplo, o Banco Central está buscando atingir, por meio da fixação da taxa de juros, a meta central de inflação de 3% em doze meses até setembro de 2027.

➡️A lógica é que se a guerra não acabar no curto prazo, seu impacto na inflação (via aumento do petróleo e do dólar) pode ser mais duradouro, contaminando as projeções de inflação dos próximos anos e limitando intensidade e o ritmo dos cortes na taxa de juros no país.

➡️O Copom, do Banco Central, diz que apenas reage ao cenário da economia na fixação dos juros. Se há uma piora com impacto inflacionário, tem de adequar seu panorama esperado para o futuro. Na ata de sua última reunião, em janeiro, o Copom avaliava que o cenário externo seguia incerto.

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