Mães Atípicas: Conheça os Direitos que Muitas Famílias Desconhecem

Mães atípicas: quais direitos muitas famílias ainda desconhecem?

A rotina de uma mãe atípica quase nunca é simples. Entre terapias, consultas, escola, crises emocionais, medicamentos e cuidados constantes, muitas acabam deixando a própria vida de lado para cuidar integralmente dos filhos.

E no meio dessa correria existe uma realidade preocupante: muitas famílias ainda desconhecem direitos importantes que podem ajudar justamente nos momentos mais difíceis.

Um dos principais é o BPC/LOAS, benefício assistencial pago pelo Governo Federal para pessoas com deficiência e famílias de baixa renda. Muitas crianças com autismo, TDAH grave, síndromes raras e outras condições podem ter direito, desde que exista impedimento de longo prazo e que a família cumpra os requisitos sociais e econômicos exigidos pela lei.

Mas atenção: apenas o diagnóstico não garante automaticamente o benefício. O INSS analisa laudos médicos, relatórios, grau de limitação da criança, tratamentos realizados e a situação financeira da família.

Outro ponto muito importante é manter o CadÚnico atualizado no CRAS. Muitas famílias acabam perdendo benefícios e programas sociais por falta de atualização cadastral. E hoje o CadÚnico se tornou uma das principais portas de entrada para diversos direitos sociais.

Muitas mães também não sabem que, dependendo do caso, os filhos podem ter direito à prioridade em tratamentos, medicamentos, atendimento preferencial e apoio educacional garantidos por lei.

Além disso, pais e responsáveis que precisam acompanhar constantemente os filhos em consultas e terapias muitas vezes enfrentam dificuldades no trabalho. Em alguns casos específicos, principalmente para servidores públicos, pode existir direito à redução de jornada, além da possibilidade de medidas judiciais dependendo da situação.

Outro problema enfrentado diariamente é o preconceito. Como algumas deficiências não são físicas ou visíveis, muitas famílias ainda escutam frases cruéis como: “mas ele parece normal”.

E talvez uma das maiores dores seja justamente essa: ter que explicar o tempo todo uma luta que já é pesada emocionalmente.

A verdade é que cuidar de uma criança atípica exige força física, emocional e financeira. E nenhuma família deveria enfrentar tudo isso sem informação e sem apoio.

Buscar orientação correta, guardar laudos atualizados, manter documentos organizados e conhecer os próprios direitos pode fazer toda diferença na qualidade de vida da família.

Porque inclusão não deve existir apenas no discurso. Ela precisa acontecer na prática, dentro das escolas, da sociedade e no acesso aos direitos.

E fica a reflexão: quantas mães hoje estão lutando em silêncio sem saber que a lei também foi criada para proteger suas famílias?
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Por: Dra. Ingrid Dialhane
Advogada Previdenciária e Social Nacional

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