Desigualdade social e racial limita prática de atividade física no Brasil, aponta pesquisa

Desigualdade social e racial limita prática de atividade física no Brasil, aponta pesquisa


Quem tem condições de praticar exercício físico?
Quem é que realmente pratica exercício físico no Brasil? Ou melhor, quem tem condições sociais para isso?
Uma pesquisa acompanhou quase mil pessoas em São Paulo durante dez anos e descobriu que o grupo que menos pratica atividade física no lazer é formado principalmente por mulheres negras, pardas, indígenas e amarelas com menor escolaridade.
A pesquisadora e autora do artigo Andreia Alexandra Machado afirma que elas enfrentam uma combinação de desafios. Muitas conciliam uma dupla ou tripla jornada de trabalho. Além disso, há o cuidado com os filhos, o cuidado com outros familiares, as atividades domésticas e o trabalho remunerado.
“Isso reduz muito o tempo livre para a prática de atividade física para o lazer. Então, quando somamos essas desigualdades sociais e raciais, nós percebemos que as barreiras deixam de ser individuais e passam a ser estruturais”, afirma Machado.
Ao longo do período, a prática de atividade física no tempo livre até aumentou. Mas não para todo mundo da mesma forma.
Um detalhe importante é que não é só uma questão de motivação ou tempo livre. Mas também de ter espaços para se exercitar.
Machado destaca que a prática de atividade física depende também das condições em que as pessoas vivem. Então, ter tempo livre e ter acesso a praças, parques, ciclovias de qualidade, transportes, segurança e recursos financeiros também influenciam diretamente a possibilidade de cada indivíduo ser ativo.
“O nosso estudo mostra que a atividade física também reflete desigualdades sociais. E isso não significa retirar a responsabilidade individual de cada pessoa, mas também reconhecer que as escolhas são feitas dentro das oportunidades que a pessoa tem”, diz Machado.
Atleta cresceu em favela em SP e teve realidade transformada com projeto social
Imagine vir desse contexto todo e ainda se tornar uma atleta de alta performance? A história de Gabriele dos Santos mostra justamente o outro lado dessa estatística.
Ela nasceu e cresceu em uma favela, participou de projetos sociais que incentivavam a atividade física e acabou se tornando multicampeã e atleta olímpica.
“Aquela carência que eu tinha no começo, de fazer parte de um projeto social que tinha tantas dificuldades, tantas debilidades, me fez crescer no esporte. Me abriu portas, me mostrou caminhos e me trouxe até onde estou hoje. Que é uma das principais atletas do maior clube da América Latina, atleta olímpica de atletismo, e isso mudou toda a minha vida”, afirma a atleta de salto triplo do Esporte Clube Pinheiros.
Gabriele conseguiu transformar o esporte em parte da própria vida. Mas a pergunta é: quantas outras pessoas poderiam ter chegado lá se tivessem tido ao menos uma oportunidade de praticar esportes?
“Ultrapasse barreiras, quebre limites, quebre protocolos se for preciso, mas cresça. Avance e chegue no topo, porque esse é o nosso lugar. A comunidade que a gente vive, a comunidade que a gente veio não são os nossos limites. Vença isso, saia disso e suba no topo. O pódio é o nosso lugar”, diz Gabriele.
Evento Domingo no Campus, da UFMG.
Raphaella Dias / Divulgação

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