De volta ao Brasil, Lula deve definir futuro de Haddad, ida aos EUA e alinhar articulações no Congresso

De volta ao Brasil, Lula deve definir futuro de Haddad, ida aos EUA e alinhar articulações no Congresso


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca em Brasília nesta quarta-feira (25), após viajar para Índia, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos , com ao menos três assuntos na mesa como prioridades para definição:
o papel do ministro da Fazenda, Fernando Haddad nas eleições e as negociações para alianças e palanques;
a ida aos Estados Unidos para se reunir com o presidente Donald Trump; e
as articulações no Congresso Nacional sobre o fim da jornada 6×1.
Haddad foi um dos onze ministros que acompanhou Lula na viagem à Ásia. O ministro tem resistido a ser candidato nas eleições deste ano e tem sido pressionado também por colegas do Executivo para aceitar disputar o governo de São Paulo.
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Haddad já externou publicamente que sua vontade é participar da coordenação da campanha de Lula à reeleição. No entanto, Lula vê no titular da Fazenda um nome forte para concorrer ao comando do Palácio dos Bandeirantes e disputar o cargo com o atual governador Tarcísio de Freitas.
Inicialmente, o ministro da Fazenda previa deixar a pasta em fevereiro. Recentemente, Haddad afirmou ter adiado a data para sua saída depois que, nas palavras de Haddad, o presidente “pediu algumas coisas na saideira”.
Um dos pedidos feitos por Lula a Haddad foi que o ministro o acompanhe no encontro com Trump nos EUA, previsto para março. O titular da Fazenda também está envolvido nas discussões de um dos temas prioritários do governo neste ano eleitoral: o fim da jornada de trabalho 6×1.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi um dos integrantes da comitiva que passou por Índia, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos. Na foto, o ministro cumprimenta o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung.
Ricardo Stuckert/PR
Eleições
O presidente Lula tem se dedicado pessoalmente a costurar alianças e palanques estaduais fortes para tentar consolidar seu quarto mandato. São Paulo tem o maior colégio eleitoral do país e a estratégia de Lula ao destacar Haddad como seu nome para o estado é tornar o palanque ainda mais competitivo.
Lula já definiu seu núcleo de campanha à reeleição. O ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, afirma reservadamente que deixará a pasta para coordenar o marketing da candidatura do presidente.
O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, afirmou nesta semana que também estará na campanha de Lula. Boulos, no entanto, disse que deixará o cargo “apenas se for necessário”. E o presidente do PT, Edinho Silva, naturalmente fará parte do time.
O petista também está de olho em outros estados eleitoralmente estratégicos. Antes de viajar para a Ásia, Lula teve ao menos dois encontros importantes – com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), que é tido como pré-candidato a governador.
Segundo interlocutores de Pacheco, os dois encaminharam a pré-candidatura do senador ao governo de Minas Gerais.
O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Edilson Rodrigues/Agência Senado
Uma decisão final de Pacheco envolve uma questão partidária que precisaria ser resolvida. Rodrigo Pacheco é do PSD, partido que deve lançar para concorrer ao governo de Minas Mateus Simões, vice do governador de Minas, Romeu Zema.
Independentemente de concorrer ou não, aliados de Pacheco dizem que o senador tem a intenção de deixar o PSD e buscar outro partido de Centro. No momento, Pacheco tem intensificado conversas com o União Brasil e com o MDB.
As discussões de Lula também estão voltadas para as disputas ao Senado. Governo e oposição tratam a eleição deste ano para a Casa como prioridade e se movimentam para formar chapas competitivas.
Os ministros cotados para disputar vaga ao Senado são:
Gleisi Hoffmann (PT), ministra da Secretaria de Relações Institucionais;
Simone Tebet (MDB), ministra do Planejamento;
Rui Costa (PT), ministro da Casa Civil;
Marina Silva (Rede), ministra do Meio Ambiente;
Carlos Fávaro (PSD), ministro da Agricultura e Pecuária;
Silvio Costa Filho (Republicanos), ministro de Portos e Aeroportos.
Nos próximos dias, Lula deve se reunir com a ministra Simone Tebet para bater o martelo sobre sua missão na disputa eleitoral. A ministra disse que deve deixar o cargo até 30 de março e que o presidente sinalizou que quer que ela concorra a uma vaga ao Senado em São Paulo.
Simone Tebet, ministra do Planejamento
Ricardo Stuckert/PR
🔎Pela legislação eleitoral brasileira, ministros que desejam disputar eleições precisam se desincompatibilizar — ou seja, deixar seus cargos oficiais — até seis meses antes da votação, 4 de abril.
Encontro com Trump em Washington
A segunda reunião presencial entre Lula e Donald Trump está prevista para março em Washington, nos Estados Unidos. Lula quer que o encontro ocorra até a segunda quinzena do mês, mas a data ainda está sendo fechada com a Casa Branca.
Fontes da diplomacia brasileira afirmam que o Brasil tem interesse em pautar quatro assuntos principais:
minerais críticos e terras raras;
combate ao crime organizado;
continuidade das negociações sobre produtos brasileiros ainda afetados pelo tarifaço;
situação na América Latina.
Interlocutores do Palácio do Planalto acreditam que a conversa presencial entre Lula e Trump será importante para organizar e reforçar a relação bilateral entre os países.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN em Kuala Lampur, Malásia.
Ricardo Stuckert/Presidência da República
A expectativa é que representantes das pastas envolvidas nos temas discutidos — como o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além da Polícia Federal — integrem a comitiva que irá a Washington.
No sábado, Haddad, disse que o Brasil é “grande demais para ser quintal” de qualquer país e defendeu uma relação “madura” com os Estados Unidos após a Suprema Corte norte-americana derrubar o tarifaço imposto por Donald Trump.
Após a decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas anteriores, justificadas por motivos de emergência, Trump anunciou uma nova taxa global temporária de 10%. No sábado (21), afirmou que elevaria esse percentual para 15%.
Os Estados Unidos passaram a aplicar, a partir desta terça-feira (24), uma tarifa adicional de 10%.
Fim da jornada 6×1
Nos próximos dias, o presidente Lula também deve se reunir com ministros envolvidos nas discussões sobre o fim da jornada de trabalho 6×1 para definir se o governo vai de fato enviar um projeto próprio sobre o tema ao Congresso ou se o Executivo vai apoiar alguma proposta já em tramitação.
O fim da jornada de trabalho 6×1 virou um dos temas prioritários do governo Lula para este ano, potencialmente um dos motes de campanha do presidente à reeleição.
Mudança da escala 6×1 teve grande adesão nas redes sociais e impulsionou projetos no Congresso
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Até a ida do presidente para a Ásia, a intenção do governo era enviar um projeto próprio , mesmo depois de o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhar para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma Proposta de Emenda da Constituição (PEC) sobre o tema.
O governo quer celeridade e trabalha para aprovar a redução da jornada trabalhista ainda no primeiro semestre. Por isso, a avaliação de ministros é que o envio de um projeto de lei com urgência ao Congresso permitiria uma análise mais rápida e facilitada do tema pelo Legislativo na comparação com uma PEC.
No entanto, segundo auxiliares do Planalto, antes de seguir para a Ásia, Lula orientou que todas as áreas envolvidas na discussão tivessem cautela e critérios com rigor. A expectativa é que o presidente faça uma última avaliação após voltar para Brasília e decida os próximos passos do governo no tema.

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