Jornal de Minas
04/11/2026

Crise no banco Ueno gera protestos e renúncia no BC do Paraguai | G1

por Redação
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O Banco Central do Paraguai iniciou um procedimento para proteger os depositantes e limitar os impactos sobre o sistema financeiro. O caso levou à renúncia do presidente do BC, Carlos Carvallo, e aumentou a pressão sobre o governo de Santiago Peña.

A instituição, maior emissora de cartões de crédito do Paraguai, enfrenta problemas financeiros e é alvo de investigações. Após ajustes em seus balanços, o índice de solvência do banco, que mede sua capacidade de honrar compromissos, caiu para menos da metade do mínimo exigido por lei.

Manifestantes foram às ruas no Paraguai depois da crise no banco digital Ueno — Foto: Daniel Duarte / AFP

A crise afetou diretamente os clientes. Nesta terça-feira, pessoas que foram às agências do Ueno encontraram as portas fechadas. Aplicativos e cartões também deixaram de funcionar, prejudicando inclusive aposentados que recebem benefícios do governo por meio da instituição.

O banco administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos no Paraguai, incluindo valores do Instituto de Previdência Social (IPS) e de outros fundos públicos de previdência.

Diante da situação, clientes foram às ruas para cobrar a liberação dos valores depositados. Houve confrontos entre manifestantes e policiais em Assunção.

Manifestantes foram às ruas no Paraguai depois da crise no banco digital Ueno — Foto: Daniel Duarte / AFP

“Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno”, disse à agência Reuters Manuel Cáceres, morador de Ñemby, nos arredores da capital paraguaia. “Infelizmente, muita gente, inclusive eu, está passando a manhã assim.”

Para tentar conter os efeitos da crise, o presidente Santiago Peña anunciou um acordo com líderes do Congresso para acelerar a votação de um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia do país para realizar pagamentos aos depositantes.

Peña afirmou também que a medida deve assegurar a devolução de recursos públicos mantidos no banco, incluindo valores do IPS e de outros fundos de previdência.

Manifestantes foram às ruas no Paraguai depois da crise no banco digital Ueno. — Foto: DANIEL DUARTE/AFP

Investigação e pressão sobre o governo

O Ministério Público pediu a abertura de uma investigação criminal sobre o caso e determinou a prisão de oito pessoas ligadas ao Ueno. Os detidos incluem integrantes da direção e do grupo controlador da instituição.

O banco já estava sob maior fiscalização nos últimos meses. Órgãos reguladores investigavam se o Ueno havia financiado indiretamente a venda de uma carteira de ativos de uma empresa ligada ao Grupo Vázquez, seu controlador. A instituição negava ter participado da operação.

O episódio também trouxe desgaste ao governo de Peña. O presidente paraguaio foi sócio do grupo controlador do Ueno até março de 2025.

Além disso, Carvallo, que comandou o próprio banco até agosto de 2023, vinha sendo criticado por parlamentares pela supervisão da instituição. As críticas também atingiam o Banco Central, cuja cúpula teve a saída pedida por congressistas após rejeitar um relatório sobre o Ueno por considerá-lo incompleto.

Ao anunciar sua renúncia, Carvallo afirmou que permaneceria no cargo durante o procedimento adotado pelas autoridades para lidar com a crise. Segundo ele, a saída ajudaria a reduzir a controvérsia em torno do Banco Central e permitiria que a instituição e a Superintendência de Bancos trabalhassem sem disputas políticas e pressão da imprensa.

O Banco Central afirmou que o caso do Ueno é isolado e não representa problemas mais amplos no sistema financeiro paraguaio. Peña também tentou afastar preocupações sobre a estabilidade do setor.

“Este é um caso específico de uma entidade, não do sistema financeiro nacional”, declarou o presidente.

Peña acrescentou que os responsáveis pelo caso “devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios”.

A Superintendência de Bancos deverá nomear auditores para verificar a situação dos ativos do Ueno.

A crise também chegou aos mercados financeiros. As preocupações com o banco pressionaram os títulos em dólar da instituição com vencimento em 2031 e os próprios títulos da dívida pública do Paraguai.

* Com informações da agência de notícias Reuters

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