Filha de trabalhadora demitida em agosto procura o Jornal de Minas e a TV Betim para denunciar a falta de pagamento dos direitos trabalhistas. Crise na operadora envolve aproximadamente R$ 72 milhões em obrigações rescisórias e aumenta a preocupação de centenas de famílias.
→ A crise financeira e judicial da operadora de telecomunicações Oi está provocando consequências que vão muito além dos números e dos processos que tramitam na Justiça. Centenas de trabalhadores que dedicaram anos de suas vidas à empresa enfrentam agora a incerteza de não saber quando receberão os valores referentes às suas rescisões contratuais.
Entre os casos está o de uma ex-funcionária que trabalhou durante 13 anos e um mês na Oi, sendo demitida em 18 de agosto de 2026. Quase dois meses após o desligamento, segundo relato de sua filha, ela ainda não recebeu as verbas rescisórias nem a multa de 40% sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
A situação levou a filha da trabalhadora a procurar o Jornal de Minas e a TV Betim, solicitando apoio da imprensa para dar visibilidade ao problema que, segundo ela, atinge muitos outros ex-funcionários.
Filha relata dificuldades e pede ajuda da imprensa
Preocupada com a situação enfrentada pela mãe, a filha decidiu tornar pública a denúncia, destacando a ausência de respostas concretas sobre os pagamentos.
“Minha mãe trabalhou na Oi por 13 anos e um mês e foi demitida em 18 de agosto de 2026, mas até hoje não recebeu sua rescisão nem a multa de 40% do FGTS”, relatou.
Segundo ela, o problema não é isolado. Outros trabalhadores desligados da empresa também estariam aguardando o cumprimento das obrigações trabalhistas.
“Assim como ela, muitos outros ex-funcionários estão enfrentando a mesma situação, sem resposta e sem uma data concreta de pagamento”, afirmou.
A filha também fez um apelo para que os veículos de comunicação acompanhem o caso e contribuam para ampliar a cobrança por esclarecimentos.
“Gostaríamos de dar mais visibilidade a esse caso, para que a imprensa acompanhe e ajude a dar voz a todos esses trabalhadores que estão sendo prejudicados e precisam receber o que lhes é devido”, declarou.
O depoimento revela uma das faces mais preocupantes da crise: a situação de trabalhadores que, após perderem seus empregos, permanecem sem acesso a recursos previstos na legislação trabalhista e necessários para reorganizar a vida financeira.
Cerca de 900 ex-funcionários aguardam pagamentos
O caso relatado ao Jornal de Minas está inserido em um problema de maiores proporções.
Segundo reportagem publicada pela CNBC/Times Brasil em 14 de outubro de 2026, aproximadamente 900 ex-funcionários da Oi permanecem sem previsão concreta para receber suas verbas rescisórias, após os desligamentos realizados em agosto.
A situação se agravou com os desdobramentos da crise judicial da operadora e a decretação de falência do Grupo Oi, informada pela administração judicial em agosto de 2026.
Informações divulgadas pela imprensa apontam que as obrigações relacionadas aos desligamentos chegam a aproximadamente R$ 72 milhões, incluindo cerca de R$ 30,4 milhões em verbas rescisórias e R$ 41,6 milhões referentes à multa de 40% do FGTS.
Esses valores dizem respeito ao conjunto de desligamentos considerado nas informações divulgadas e não representam necessariamente o montante já reconhecido ou disponível para pagamento no processo judicial.
Sindicatos contestam novo acordo e cobram pagamento integral
A situação também provocou reação de entidades sindicais que representam os trabalhadores da operadora.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, os sindicatos contestam a necessidade de uma nova negociação para o pagamento das rescisões e defendem o cumprimento dos compromissos anteriormente estabelecidos.
Em agosto, um acordo divulgado pela Federação Livre previa o parcelamento das verbas rescisórias em seis a dez parcelas, conforme as condições aplicáveis, além de prazos específicos para o pagamento da multa de 40% do FGTS.
Com os novos acontecimentos envolvendo a situação judicial da empresa, representantes dos trabalhadores passaram a questionar os encaminhamentos dos pagamentos.
As entidades defendem que os valores sejam quitados integralmente, sem a imposição de novas condições que possam ampliar o período de espera dos ex-funcionários.
Também foram divulgadas informações sobre a solicitação de liberação de aproximadamente R$ 30 milhões para pagamentos trabalhistas. Entretanto, não há confirmação, nas informações consultadas para esta reportagem, de que os recursos tenham sido efetivamente disponibilizados aos trabalhadores.
O que diz a legislação trabalhista?
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu artigo 477, estabelece, como regra geral, o prazo de até dez dias após o término do contrato de trabalho para o pagamento das verbas rescisórias.
Nos casos de demissão sem justa causa, o trabalhador também possui direito à indenização de 40% sobre os depósitos do FGTS, conforme previsto na legislação.
Entretanto, quando uma empresa enfrenta recuperação judicial ou falência, o recebimento dos valores pode depender de procedimentos específicos, decisões judiciais e da disponibilidade de recursos.
A legislação brasileira reconhece a importância dos créditos trabalhistas, estabelecendo regras próprias para sua classificação e pagamento nos processos de insolvência empresarial.
Isso significa que a crise financeira da empresa não elimina automaticamente os direitos dos trabalhadores, embora possa dificultar ou prolongar o recebimento dos valores.
No caso da ex-funcionária que procurou a reportagem por meio de sua filha, será necessário verificar as condições do desligamento, a documentação rescisória e a eventual inclusão de seus créditos nos procedimentos judiciais.
Por trás dos números, centenas de famílias enfrentam incertezas
Para quem trabalhou durante mais de uma década em uma empresa, o encerramento do vínculo empregatício já representa uma mudança significativa na vida profissional e financeira.
Quando esse desligamento ocorre sem o recebimento dos valores esperados, as consequências podem atingir toda a família.
Contas continuam vencendo, compromissos financeiros precisam ser cumpridos e despesas essenciais não podem ser adiadas indefinidamente.
É nesse contexto que o relato da filha da ex-funcionária ganha relevância. Ao procurar a imprensa, ela busca não apenas uma resposta para a situação da mãe, mas também visibilidade para outros trabalhadores que enfrentam dificuldades semelhantes.
O caso levanta questionamentos importantes: quando os ex-funcionários receberão os valores devidos? Existem recursos disponíveis para os pagamentos? Quais medidas estão sendo adotadas para garantir os direitos trabalhistas? E qual será o prazo para uma solução definitiva?
São perguntas que precisam de respostas claras por parte dos responsáveis pelo processo judicial e dos demais envolvidos.
Jornal de Minas e TV Betim cobram esclarecimentos
Diante da gravidade dos relatos e da dimensão do problema, o Jornal de Minas e a TV Betim destacam a necessidade de transparência sobre os procedimentos adotados para o pagamento dos trabalhadores.
A reportagem considera fundamental que a empresa, a administração judicial e os representantes sindicais esclareçam a situação dos créditos trabalhistas, a existência de recursos disponíveis e as perspectivas de pagamento.
O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos oficiais da Oi, dos sindicatos e dos responsáveis pelo processo judicial.
Enquanto isso, centenas de trabalhadores seguem aguardando uma definição.
Para a família que procurou a reportagem, a questão é simples: depois de 13 anos e um mês de dedicação profissional, a ex-funcionária espera receber os valores a que tem direito.
A situação evidencia que, por trás de uma crise empresarial, existem histórias de trabalhadores e famílias que precisam de respostas, segurança jurídica e respeito aos seus direitos.
Jornal de Minas | TV Betim
Reportagem baseada em relato encaminhado à redação, informações da administração judicial da Oi, manifestações sindicais e reportagens publicadas pela CNBC/Times Brasil e Folha de S. Paulo. Atualizada em 15 de outubro de 2026.
– Tentativas de contato com setor de comunicação da oi foram feitas, mas sem respostas.
Fonte: Relato encaminhado à redação do Jornal de Minas por familiar de ex-funcionária da Oi. Informações sobre direitos trabalhistas podem ser consultadas noTribunal Superior do Trabalho (TST)
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Disponível em: tvbetim.com.br
