Segundo o juiz Marcos Pereira Sanches, o processo apontou a “existência de um rombo bilionário na contabilidade”, embora o alcance das chamadas “inconsistências financeiras” ainda não tenha sido definido e revelado oficialmente. A empresa de investimentos possui dívidas de quase R$ 1 bilhão.
Também foram identificadas transferências em alto valor das contas da empresa ABM Partnership Investimentos e Participações S.A. para a conta pessoal de Cinelli, totalizando cerca de R$ 5 milhões, sem justificativa.
Além disso, a ata afirmou que, em mais de uma ocasião, Cinelli movimentou ou retirou bens que poderiam ser usados para pagar os credores.
Sede da Apex Partners, em Vitória, no Espírito Santo. — Foto: Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Segundo o juiz, o fato de o ex-presidente movimentar dinheiro poderia prejudicar as pessoas e outras empresas que têm valores a receber, além de dificultar o resultado do processo.
Por fim, o documento ressaltou que “a conduta retratada em mais de uma oportunidade indica a dissipação dos bens em prejuízo de toda a coletividade de credores”.
A assessoria do empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade.
Entenda a crise na Apex
Plataforma de investimentos do Espírito Santo, a Apex Partners conta com cerca de 8 mil clientes e administra mais de R$ 17 bilhões de pessoas físicas e jurídicas.
A empresa entrou em crise após uma investigação interna apontar inconsistências financeiras e uma dívida de R$ 985,6 milhões.
O fundador e então presidente, Fernando Cinelli, e o diretor financeiro, Eduardo Siqueira, foram afastados dos cargos após a descoberta da crise.
Fernando Cinelli, fundador e presidente afastado da Apex Partners — Foto: Carlos Alberto Silva/Rede Gazeta
A plataforma pediu à Justiça uma blindagem temporária de 60 dias, enquanto uma auditoria externa apura a origem e a dimensão do problema. Um fundo ligado à Apex teve os saques suspensos pelo BTG Pactual.
Os sócios acusam os ex-executivos de possível “gestão temerária” e “má-fé”, mas o caso ainda é investigado.
Já o governo do Espírito Santo informou que não há dinheiro público do Tesouro Estadual ou do Funses investido na Apex.
*Com informações de Vilmara Fernandes.