O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou neste sábado (12) que ninguém pode ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) para ficar rico.
Segundo Lula, o cargo equivale a um “sacerdócio”, ou seja, deve ser exercido com dignidade — comparado a ministros de um culto religioso.
Durante campanha em Curitiba (PR), o Lula repetiu que seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, não será protegido.
Lulinha é investigado em três inquéritos que tramitam no Supremo. Um deles, apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência em uma tentativa de obter um contrato com o Ministério da Saúde para fornecer medicamentos à base de canabidiol ao SUS.
“Ele [Lulinha] nasceu para fazer as coisas certas e eu acredito na inocência dele. Mas se ele cometeu um erro, ele terá de pagar pelo erro que cometeu”, afirmou o presidente.
Lula pede quebra total de sigilo em investigações do caso Master; Renata Lo Prete analisa
“Isso vale pra mim, isso vale pro meu filho, isso vale para qualquer ministro da suprema corte. Ninguém pode ser ministro da suprema corte para ficar rico, aquilo é um sacerdócio. As pessoas têm que se dedicar. Porque é a Corte Suprema, quando ela toma uma decisão, ninguém pode mudar. As pessoas têm de ter um padrão de comportamento acima da média da sociedade”, prosseguiu.
No início deste mês, foi revelado que trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicam, entre outros pontos, que ambos discutiam a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo.
Registros digitais e metadados de arquivos obtidos em investigações também apontam que Moraes atuou na edição de um contrato de prestação de serviços advocatícios no valor de cerca de R$ 130 milhões celebrado entre o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o empresário Daniel Vorcaro, do Master.
Já o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, responsável pela investigação do caso Master, informou no começo deste mês que decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter, instituição criada em 2024 e voltada para atividades educacionais e acadêmicas. Ele afirmou que cederá a totalidade de suas cotas e também as da esposa, “sem qualquer contrapartida financeira”. Mendonça declarou que nunca obteve lucro com a entidade.
Caso Master
Durante comício em Cutitiba, o presidente Lula afirmou que a oposição transformou, em 2019, um agiota em banqueiro, em referência a Daniel Vorcaro – que está no epicentro de uma investigação que começou com fraude bilionária envolvendo o Banco Master e evoluiu para um escândalo com repercussões no sistema financeiro, na política e no Judiciário.
“Eu estive com o Fachin [presidente do STF] e disse que não era possível um cidadão que é um juiz relator [André Mendonça] ficar soltando matéria pensada, somente sobre o que interessava a ele. Pedi para liberar todo processo. Para sabver quem é que está por trás disso. E vamos deixar às claras para ver de verdade quem é ladrão e corrupto nesse país. E a família Bolsonaro não escapa. Por isso, eu estou feliz que o povo brasileiro vai saber a verdade, quem fez o que nesse país”, concluiu.
‘Crise Master’ no STF: em Curitiba, Lula diz que ‘ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico’
‘Crise Master’ no STF: em Curitiba, Lula diz que ‘ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico’