
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou nesta sexta-feira (13) que a comissão retomará os trabalhos depois do carnaval com a expectativa de votar novos requerimentos para aprofundar investigações que envolvem o caso do Banco Master.
“A expectativa é que a gente possa colocar em votação os requerimentos. A votação é aberta e fundamental para que a gente possa dar um respaldo e uma amplitude para a investigação hoje no Brasil. Porque a gente tem quatro grandes escândalos que se entrelaçam: emendas parlamentares, Carbono Oculto, INSS e Banco Master”, disse o senador.
“Quando você olha mais de perto, percebe que está tudo entrelaçado em duas pontas: lavagem de dinheiro, onde você tem Master e Reag, e infiltração política e judicial do crime organizado.”
Há na lista de requerimentos de convite para ouvir os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do STF. Como são convites, caso sejam aprovados, os ministros não têm obrigação de ir.
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Vieira concedeu entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, e disse que a pauta foi definida pelo presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES).
Um dos objetivos da CPI é aprofundar investigações sobre transações envolvendo o Resort Tayayá, fundos ligados ao Banco Master e a empresa Maridt, administrada pelos irmãos de Toffoli e da qual o ministro revelou ser sócio nesta semana.
Toffoli deixou de ser relator do caso Master no STF na noite de quinta-feira (12), após se reunir com os colegas de tribunal. O caso agora está sob responsabilidade de André Mendonça.
A CPI quer ouvir Moraes e a esposa, Viviane Barci de Moraes, para tratar de supostas conversas do ministro com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no âmbito do caso Master, e do contrato entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane.
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Pressão dos Três Poderes
Na entrevista, o senador disse que há pressão de políticos e autoridades sobre a CPI por se tratar de investigações que envolvem pessoas influentes.
“Você sempre tem pressão quando está lidando com investigados desse tamanho. São figuras muito poderosas dos Três Poderes da República”, afirmou. “Não é a primeira vez e não vai ser a última.”
Agência Senado corrigiu informação sobre convocação de Toffoli
Nesta sexta, às 12h31, a Agência Senado, vinculada ao Senado Federal, publicou uma reportagem que informou, no título, que a CPI do Crime Organizado votaria a convocação do ministro Toffoli. Posteriormente, às 16h40, a Agência Senado atualizou essa mesma reportagem e incluiu a seguinte nota de correção:
“Erramos: esta reportagem foi corrigida para esclarecer que não houve requerimento de convocação ao ministro do STF Dias Toffoli, e sim a seus irmãos José Carlos Dias Toffoli e José Eugenio Dias Toffoli”.
Com base nessa reportagem da Agência Senado, o g1 também havia publicado, às 14h40, que a CPI votaria um requerimento de convocação do ministro Toffoli. A informação foi corrigida no g1 às 17h18.
Ministro Dias Toffoli durante a Sessão Plenária realizada em 20 de junho de 2024.
Andressa Anholete/STF
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