Coordenador da campanha de Lula admite desgaste eleitoral após crise no STF

Coordenador da campanha de Lula admite desgaste eleitoral após crise no STF


Edinho Silva em entrevista ao Estúdio i, na GloboNews, nesta sexta-feira (18).
Reprodução
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reconheceu nesta sexta-feira (18) que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) provocou desgaste na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Claro que vínhamos em uma situação muito favorável eleitoralmente. Veio essa crise institucional. É inegável que ela atingiu a nossa campanha, desgastou a nossa campanha”, afirmou em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews.
Segundo Edinho, o conflito acaba atingindo quem está à frente do governo porque, no senso comum, parte da população não distingue claramente os Três Poderes.
“A sociedade traduz todo o sentimento de mudança, o sentimento antissistema, em quem é governo”, declarou.
Em outro momento da entrevista, o dirigente petista afirmou que a crise “assola todo o ambiente político brasileiro” e “penaliza efetivamente o incumbente, aquele que está no poder, aquele que está à frente do governo”.
Coordenador da campanha de Lula admite desgaste eleitoral após crise no STF
Apesar de admitir o impacto na campanha, Edinho afirmou que Lula tem respondido à crise de forma coerente com posições que já defendia. Ele citou a reforma do Judiciário e a responsabilização dos envolvidos em eventuais irregularidades.
“É inegável o desgaste, mas estamos respondendo com decisões coerentes com aquilo que nós sempre defendemos. Tem que haver reforma do Judiciário, e os responsáveis têm que ser penalizados”, declarou.
O presidente do PT afirmou ainda que o questionamento da sociedade ao Judiciário é legítimo e mencionou mudanças que podem ser debatidas, como a definição de idade mínima para integrar as cortes superiores, a adoção de mandatos para ministros e o aumento da participação da sociedade civil no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Ele também rejeitou uma relação direta entre o desgaste do Supremo e o fato de seis dos atuais dez ministros terem sido indicados durante governos petistas — quatro por Lula e dois pela ex-presidente Dilma Rousseff.
“Não consigo fazer esse vínculo tão direto entre as indicações dos governos Lula e Dilma e o desgaste que a Suprema Corte enfrenta. Seria, na minha avaliação, forçar demais a mão”, afirmou.
Para Edinho, a resposta eleitoral da campanha deverá passar pela apresentação de Lula como representante de uma agenda de mudanças. Ele citou, além da reforma do Judiciário, a defesa de uma reforma política e eleitoral.
“O sistema hoje, como está organizado, não responde aos anseios da sociedade. Como tem dito o presidente Lula, o sistema apodreceu. Ele precisa ser reformado, precisa ser alterado para que a gente dê conta dos anseios da sociedade”, disse.

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