Início » Contas públicas têm déficit de R$ 16,4 bilhões em fevereiro; dívida sobe para 79,2% do PIB | G1

Contas públicas têm déficit de R$ 16,4 bilhões em fevereiro; dívida sobe para 79,2% do PIB | G1

por Gilberto Cruz
contas-publicas-tem-deficit-de-r$-16,4-bilhoes-em-fevereiro;-divida-sobe-para-79,2%-do-pib-|-g1

🔎 O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se o contrário acontece, o resultado é de superávit primário.

🔎O resultado não leva em conta o pagamento dos juros da dívida pública, e abrange o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais.

Na comparação com fevereiro do ano passado, houve pequena melhora, uma vez, que o saldo negativo, no segundo mês de 2025, foi de R$ 19 bilhões (sem correção pela inflação).

Veja os vídeos que estão em alta no g1

Veja os vídeos que estão em alta no g1

Veja abaixo o desempenho que levou ao déficit das contas em fevereiro deste ano:

  • governo federal registrou saldo negativo de R$ 29,5 bilhões;
  • estados e municípios tiveram saldo superavitário de R$ 13,7 bilhão;
  • empresas estatais apresentaram déficit de R$ 568 milhões.

Parcial do ano

No acumulado dos dois primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um superávit primário de R$ 87,3 bilhões — o equivalente a 4,23% do Produto Interno Bruto (PIB).

Com isso, houve relativa estabilidade na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo positivo de R$ 85,1 bilhões (4,36% do PIB).

No caso somente do governo federal, o resultado ficou positivo em R$ 57,8 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um superávit de R$ 54,6 bilhões nos dois primeiros meses de 2025.

Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.

  • De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
  • Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
  • O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais, defesa e educação).

Após despesas com juros

Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional –, houve déficit de R$ 100,6 bilhões nas contas do setor público em fevereiro.

➡️No acumulado em 12 meses até fevereiro, foi registrado um resultado negativo (déficit) de R$ 1,09 trilhão, ou 8,5% do PIB.

🔎Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores.

O resultado nominal das contas do setor público sofre impacto do resultado mensal das contas, das atuações do BC no câmbio, e dos juros básicos da economia (Selic) fixados pela instituição para conter a inflação. Atualmente, a taxa Selic está em 14,75% ao ano, patamar elevado.

Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,04 trilhão (8,1% do PIB) em doze meses até fevereiro deste ano.

Dívida pública

Com o déficit nas contas públicas em janeiro, a dívida do setor público consolidado subiu 0,5 ponto percentual, para 79,2% do PIB, o equivalente a R$ 10,2 trilhões.

A proporção com o PIB é considerada por especialistas como o conceito mais apropriado para medir e comparar a dívida das nações. E o formato de cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI) é adotado internacionalmente.

➡️Este é o maior nível para a dívida pública desde outubro de 2021, quando somava 79,5% do PIB, ou seja, é o maior patamar em mais de quatro anos.

➡️No acumulado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ou seja, em pouco mais de três anos, a dívida já avançou 7,5 pontos percentuais. A alta na dívida está relacionada, principalmente, com o aumento de gastos públicos, e com as despesas com juros.

Dívida Bruta

% em relação ao PIB (conceito brasileiro)

Fonte: Banco Central

➡️Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), conceito internacional — que considera os títulos públicos na carteira do BC —, o endividamento brasileiro foi bem maior em fevereiro: 94% do PIB.

➡️Acima de 90% do PIB, o patamar da dívida brasileira está bem acima de nações emergentes e de países da América do Sul, ficando maior, também, do que a média das nações da Zona do Euro (segundo dados do FMI).

DÍVIDA POR BLOCOS ECONÔMICOS NO FIM DE 2025

% DO PIB (CONCEITO DO FMI)

Fonte: BC (REALIZADO EM 2025) E *ESTIMATIVAS DO FMI

Para tentar conter o crescimento da dívida, em 2023 o governo aprovou o chamado “arcabouço fiscal”, ou seja, novas regras para as contas públicas em substituição ao teto de gastos. Por estas regras:

  • a despesa não pode registrar crescimento maior do que 70% do aumento da arrecadação;
  • a alta de gastos fica limitada, em termos reais, a 2,5% por ano;
  • o arcabouço busca justamente conter o crescimento da dívida pública no futuro.

Sem um corte robusto de despesas, necessário para manter de pé o arcabouço fiscal, especialistas em contas públicas estimam que a regra terá de ser abandonada nos próximos anos.

Por conta disso, preveem uma expansão maior da dívida pública no futuro, o que pode resultar em aumento das taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras ao setor real da economia.

Analistas do mercado financeiro estimaram, na semana passada, que a dívida pública brasileira deve atingir 97,6% do PIB em 2035 (pelo conceito brasileiro) — patamar bem distante dos países emergentes e mais próximo da Europa.

➡️Pelo conceito adotado pelo FMI, a dívida brasileira superaria muito a 100% do PIB em 2035.

você pode gostar

SAIBA QUEM SOMOS

Somos um dos maiores portais de noticias de toda nossa região, estamos focados em levar as melhores noticias até você, para que fique sempre atualizado com os acontecimentos do momento.

CONTATOS

noticias recentes

as mais lidas

Jornal de Minas Ltda © Todos direitos reservados CNPJ: 65.412.550/000163