Nos últimos três anos, o Congresso destinou menos de 1% do total das emendas parlamentares a ações voltadas para a infância e adolescência.
Em 2026, apenas R$ 208,84 milhões foram autorizados para esse público, o equivalente a 0,4% do total de R$ 51,5 bilhões em emendas previstas.
No ano passado, o total foi de apenas 0,91% (R$ 465,15 milhões). Em 2024, 0,76% do total em emendas foi destinado a ações exclusivas para a infância e a adolescência (R$ 412,79 milhões).
O levantamento foi feito pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) com base em dados do Siga Brasil, o portal de orçamento do Senado Federal.
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Das 41 ações orçamentárias classificadas como exclusivas para crianças e adolescentes, apenas 11 receberam emendas parlamentares entre 2024 e 2026. A maior parte desses recursos foi destinada a ações de educação básica.
Ainda assim, o valor é baixo. Uma dessas ações, que faz parte do plano plurianual de educação básica, recebeu, somando os últimos três anos, R$ 34,85 milhões. O valor é inferior ao que um único deputado federal recebe por ano — cerca de R$ 40 milhões.
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Jornal Nacional/ Reprodução
Distribuição de recursos
O estudo do Inesc ainda aponta que a distribuição regional dos recursos não acompanha os indicadores de vulnerabilidade social.
As regiões Norte e Nordeste, por exemplo, concentram os maiores índices de trabalho infantil e de homicídios de jovens até os 19 anos. Ainda assim, estão entre as regiões que menos receberam verbas de emendas.
Em 2026, o Sudeste recebeu R$ 6,4 milhões, seguido do Sul (R$ 1,08 milhão). Na sequência, Norte (R$ 1,03 milhão), Centro-Oeste (R$ 928,8 mil) e Nordeste (R$ 412,8 mil).
Hoje, mais de 26% da população brasileira é composta por crianças e adolescentes.
A assessora política do Inesc, Thalita de Oliveira, afirma que esses números mostram um descompasso entre o discurso de defesa da infância e a destinação efetiva de recursos a esse público.
“A emenda parlamentar, como é hoje, não está enfrentando, de fato, as desigualdades. Enquanto não mudar, é importante que os parlamentares estudem quais são as maiores problemáticas, quais são os grupos mais vulnerabilizados e que precisam receber esse recurso”.
Congresso não destinou nem 1% das emendas para ações voltadas a crianças e adolescentes, nos últimos 3 anos
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