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A máquina será comprada por meio de edital e ficará instalada no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba (RN). Entre outras funções, servirá para criar e treinar modelos de IA.
O governo apresentou ainda um projeto para instalar outro supercomputador no Rio de Janeiro, além de planos para criar um serviço brasileiro de armazenamento em nuvem e ampliar a fabricação local de chips. (saiba mais abaixo)
As iniciativas fazem parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), lançado em 2024 e com previsão de R$ 23 bilhões em investimentos na área até 2028.
Data center da Meta em Indiana, nos Estados Unidos — Foto: Divulgação/Meta
Segundo o governo, a instalação de novos supercomputadores deve ampliar a capacidade de processamento de dados do país e estimular avanços em áreas como agricultura, indústria, saúde e prevenção de desastres climáticos.
A estrutura será voltada a empresas, universidades, instituições de pesquisa e órgãos públicos. A expectativa é que ajude a reduzir a dependência de empresas estrangeiras de processamento de dados.
Supercomputador do Rio Grande do Norte
O supercomputador que será instalado no Rio Grande do Norte terá capacidade de 7.200 petaflops.
🔎 Flop é a unidade usada para medir quantas operações matemáticas simples um computador consegue realizar por segundo.
A capacidade anunciada indica que o futuro equipamento será capaz de fazer, em um segundo, a mesma quantidade de cálculos que os 8 bilhões de habitantes da Terra levariam juntos cerca de 29 anos para completar.
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a máquina estará entre as dez mais potentes do mundo para processamento de inteligência artificial.
Ela será instalada no parque científico e tecnológico localizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Segundo o governo, o estado foi escolhido por conta do potencial energético e da oportunidade de descentralizar a infraestrutura de alta tecnologia do país.
Supercomputador do Rio de Janeiro
O segundo supercomputador será instalado no Rio de Janeiro, por meio de uma parceria entre a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e as empresas chinesas de tecnologia Huawei e iFlyTek.
A estrutura deverá iniciar as operações em julho de 2027 e receber um investimento de R$ 1,276 bilhão durante cinco anos, de acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Ainda segundo a pasta, o equipamento será usado para criar um modelo brasileiro de linguagem semelhante aos usados por serviços como ChatGPT, em uma tentativa de permitir a criação de soluções de IA mais adequadas para o país.
Nuvem Brasileira
O governo também anunciou o início da estruturação da Nuvem Brasileira, um serviço de armazenamento e processamento de dados em nuvem controlado pelo país e voltado para diminuir a dependência de provedores estrangeiros.
A proposta é criar uma solução com padrões abertos e interoperáveis para não focar em apenas uma empresa ou tecnologia. Segundo o governo, ela será desenvolvida em parceria com setores público e privado.
A Nuvem Brasileira será estruturada a partir de um acordo do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos com o Serpro e o BNDES. O mercado poderá opinar sobre a capacidade nacional de implementar a solução e sobre o modelo a ser seguido.
Supercomputador Santos Dumont, em Petrópolis (RJ) — Foto: Santos Dumont / Divulgação LNCC
Produção nacional de chips
Outra frente é uma iniciativa para ampliar a capacidade brasileira de produzir chips de inteligência artificial. Segundo o governo, trata-se de uma estratégia de longo prazo, com horizonte de 10 a 15 anos.
Para reduzir a dependência de tecnologias controladas por poucas empresas ou países, a iniciativa será baseada na arquitetura RISC-V, que define regras básicas para o funcionamento dos chips.
Por ser de código aberto, a RISC-V permite que empresas e instituições desenvolvam chips sem depender de uma tecnologia controlada por uma única companhia. A iniciativa será conduzida em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona, na Espanha.
Brasil terá órgão para avaliar IAs
O governo federal anunciou ainda o plano de criar o Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, um organismo voltado a monitorar o funcionamento dos sistemas de inteligência artificial e identificar eventuais riscos.
O órgão será estruturado pelo Centro de Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e terá apenas funções técnicas. Não poderá, por exemplo, aplicar penalidades a empresas de IA.
Entre os objetivos do novo centro de IA estão o desenvolvimento de pesquisas, metodologias e ferramentas voltadas à transparência, à segurança e à redução de vieses em sistemas de inteligência artificial.
ChatGPT, DeepSeek, Claude, Mistral AI, Gemini, Copilot e Poe — Foto: Solen Feyissa/Unsplash
