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Como os antibióticos afetam o microbioma mesmo anos após seu uso

por Gilberto Cruz
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Pesquisas já consolidaram que os antibióticos são “disruptores” do microbioma, ou seja, afetam o equilíbrio do conjunto de micro-organismos – como bactérias, fungos e vírus – que vivem em nosso intestino e, consequentemente, suas interações. No entanto, as consequências a longo prazo dessa interferência ainda permanecem pouco exploradas. Em um estudo publicado em março, pesquisadores foram mais fundo no assunto: analisaram dados de quase 15 mil adultos, sendo que cerca de 70% deles tinham utilizado pelo menos um antibiótico nos últimos oito anos.
Antibióticos: uso recorrente e de longo prazo tem sido associado a um risco aumentado de obesidade, diabetes tipo 2, doença cardiovascular e até pólipos colorretais
Avakaphoto para Pixabay
Mesmo indivíduos que tinham tomado apenas um ciclo de antibióticos de quatro a oito anos antes apresentavam menor diversidade microbiana em comparação aos que não haviam sido medicados no período. As descobertas indicam que os antibióticos podem ter consequências duradouras para o microbioma intestinal.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram metagenomas fecais de 14.979 adultos. Na prática, isso significa que todo o DNA presente nas amostras foi sequenciado, permitindo mapear os micro-organismos presentes. O cruzamento desses dados com os registros de prescrição revelou que o impacto do uso de antibióticos orais persiste por quase uma década.
Trabalhos anteriores já relatavam alterações drásticas no microbioma intestinal poucos dias após o início do tratamento com antibióticos orais. As mudanças de curto prazo incluem o aumento da presença de patógenos potenciais, como a bactéria Escherichia coli (E. coli); o fortalecimento de genes de resistência antimicrobiana; e maior risco de infecção.
Em estudos observacionais, a utilização recorrente e de longo prazo de antibióticos tem sido associada a um risco aumentado de obesidade, diabetes tipo 2, doença cardiovascular e pólipos colorretais, potencialmente devido a interrupções no microbioma intestinal. O uso de classes específicas desses remédios pode alterar permanentemente o ecossistema intestinal, o que reforça a necessidade de cautela e precisão nas prescrições médicas.
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