O aumento pode pressionar o preço das passagens aéreas nos próximos meses, já que o combustível representa cerca de 30% dos custos das companhias aéreas.
Segundo a Petrobras, a alta ocorre devido ao aumento das cotações internacionais do combustível de aviação, influenciado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Os preços do QAV são reajustados no início de cada mês, conforme previsto nos contratos da estatal com as distribuidoras.
O aumento de setembro se soma às altas registradas ao longo do ano. No acumulado de 2026, o preço do QAV já subiu 53,3%, ou R$ 1,94 por litro, em comparação com o valor praticado em dezembro de 2025.
Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, a alta aumenta a pressão sobre os preços das passagens, mas não significa que as tarifas aéreas subirão na mesma proporção.
O preço final das passagens também depende de outros fatores, como:
- A procura por voos;
- O número de assentos ocupados;
- A concorrência entre as companhias;
- O dólar; e
- A antecedência com que o bilhete é comprado.
Por isso, o eventual repasse do aumento do combustível pode variar de acordo com a rota e com o momento da compra.
“O repasse também não costuma acontecer de uma hora para outra. Ele tende a aparecer gradualmente nas próximas semanas e meses, principalmente nas novas tarifas colocadas à venda”, afirma Murad.
A Petrobras informou ainda que retomará em setembro o programa que permite às distribuidoras parcelar os reajustes do QAV. Com a medida, o aumento poderá ser dividido em três parcelas mensais, segundo a estatal, com o objetivo de reduzir o impacto financeiro das oscilações do mercado internacional.
Como se planejar para momentos incertos como esse
Com guerras do outro lado do mundo afetando o mercado aqui no Brasil, os preços costumam ficar imprevisíveis.
Para o consumidor, a recomendação é evitar deixar a compra da passagem para a última hora. Murad, consultor da Wiser Asset, sugere pesquisar os valores com antecedência, acompanhar as tarifas durante alguns dias, ter flexibilidade de datas e horários e, quando possível, comparar aeroportos próximos.
Também é importante considerar o custo total da viagem, incluindo bagagem e outros serviços, e não apenas o preço anunciado inicialmente.
O especialista recomenda ainda cautela com a expectativa de que as passagens ficarão mais baratas apenas porque o preço do combustível pode recuar no futuro.
“Se as tensões internacionais continuarem e o QAV permanecer pressionado, as empresas terão cada vez mais dificuldade de absorver esse custo sem algum repasse ao consumidor”, diz Fábio Murad.
Gustavo Assis, CEO da Asset, afirma que o principal é tratar a viagem como uma despesa planejada, e não como um gasto inesperado. Segundo ele, o dinheiro destinado a uma viagem deve ser separado com certa antecedência para que, na medida do possível, não comprometa o orçamento da família.
*Com informações da Reuters

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