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Ao fim de 2024, o endividamento do setor público consolidado, que engloba o governo federal, os estados, municípios e empresas estatais, estava em R$ 9 trilhões, ou 76,3% do PIB.
🔎 A dívida do setor público consolidado é considerada um termômetro da chamada “solvência” de uma nação, ou seja, da capacidade de honrar seus compromissos futuros. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise.
💵 Em termos práticos, com uma dívida mais alta há uma pressão maior sobre a taxa de juros brasileira. Isso se reflete nos juros cobrados pelo mercado financeiro ao setor produtivo da economia, restringindo o crescimento do país.
Dívida Bruta
% em relação ao PIB (conceito brasileiro)
Fonte: Banco Central
➡️No acumulado do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ou seja, em três anos, a dívida já avançou sete pontos percentuais.
➡️O Tesouro Nacional prevê que a dívida pública continuará avançando, atingindo 83,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no fim de 2026, e também nos próximos anos.
PROJEÇÃO DO TESOURO PARA A DÍVIDA PÚBLICA
CRITÉRIO BC E FAZENDA NA PROPORÇÃO DO PIB
➡️A metodologia utilizada no cálculo do indicador pela autoridade monetária não observa as normas internacionais. Não são contabilizados, nesse conceito, todos títulos públicos que estão na carteira do BC no endividamento brasileiro.
➡️ No padrão do Fundo Monetário Internacional (FMI), referência para comparação internacional — que inclui títulos públicos que estão na carteira do BC no endividamento brasileiro —, a dívida do país somou 93,4% do PIB em dezembro do ano passado (veja a comparação internacional e histórica mais abaixo nessa reportagem).
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Aumento de gastos, de estímulos e despesas com juros
➡️No terceiro mandato de Lula, houve aumento de despesas públicas, algo que pressionou a dívida pública. Veja exemplos abaixo:
➡️Além disso, o governo tem tomado outras medidas que aumentam os gastos da população e também pressionam a inflação.
Endividamento sobe o governo Lula e continuará avançando nos próximos anos — Foto: Fecomércio
➡️Como a taxa Selic corrige boa parte da dívida pública, as despesas com juros do setor público atingiram R$ 1 trilhão no ano passado, ou 7,91% do PIB – também impulsionando fortemente o endividamento público.
Causa ou consequência?
➡️Nas últimas semanas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem avaliado que a dívida pública está aumentando, principalmente, por conta dos juros altos e não devido ao déficit fiscal.
▶️Entenda: O Banco Central explica que sua atuação é reativa, ou seja, a instituição apenas reage ao cenário da economia. Se há um aumento de despesas, que estimula demais a economia e pressiona a inflação, por exemplo, tem que adotar uma política de juros mais agressiva.
➡️O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto (indicado por Jair Bolsonaro), avaliou, em 2023, que o juro é alto no Brasil por conta do elevado nível do endividamento.
“Na parte dos juros, a gente não pode confundir causa e efeito. A dívida não e alta porque os juro é alto. É o contrário, o juro é alto porque a dívida é alta. Quando você endividado vai ao banco, e o banco faz uma análise que você é endividado e não paga a dívida, o juro é alto”, declarou Campos Neto, na ocasião.
Comparação internacional e histórica
➡️ No padrão do Fundo Monetário Internacional (FMI), referência para comparação internacional — que inclui títulos públicos que estão na carteira do BC no endividamento, a dívida pública brasileira somou 93,4% do PIB no fechamento de 2025.
🌎Na comparação internacional, o endividamento brasileiro já está um pouco acima do padrão de países da Zona do Euro em 2024; bem acima de países da América Latina e de nações emergentes. Mas segue abaixo endividamento de países desenvolvidos.
DÍVIDA POR BLOCOS ECONÔMICOS EM 2025
% DO PIB (CONCEITO DO FMI)
Fonte: BC (REALIZADO EM 2025) E *ESTIMATIVAS DO FMI
O objetivo seria aumentar a confiança dos investidores e possibilitar a redução da taxa de juros, com efeitos positivos sobre o nível de atividade e sobre o emprego.
Dívida pública por mandatos pelo critério do FMI
Pelo critério utilizado pelo FMI, a dívida pública brasileira fica, em média, cerca de 12 pontos acima do padrão registrado pelo Banco Central.
Considerando a projeção do Tesouro Nacional de um endividamento de 83,6% do PIB em 2026, ela somaria cerca de 95,6% do PIB no final do atual mandato de Lula — no critério do FMI.
- Lula (2003 a 2006): queda de 11,5 pontos do PIB;
- Lula (2006 a 2010): recuo de 2,2 pontos do PIB;
- Dilma Rousseff (2010 a 2014): queda de 0,8 ponto do PIB;
- Dilma Rousseff (2014 a agosto de 2016): alta de 10,7 pontos do PIB;
- Michel Temer (setembro 2016 a dezembro de 2018): alta de 12,5 pontos do PIB;
- Jair Bolsonaro (2019 a 2022): recuo de 0,8 ponto do PIB;
- Lula (considerando a projeção do Tesouro Nacional): alta de 11,6 pontos percentuais.
Ajuste fiscal
Para tentar frear o crescimento da dívida, em 2023 o governo aprovou o chamado “arcabouço fiscal”, ou seja, novas regras para as contas públicas em substituição ao teto de gastos. Por essas regras:
- a despesa não pode registrar crescimento maior do que 70% do aumento da arrecadação;
- a alta de gastos fica limitada, em termos reais, a 2,5% por ano;
- o arcabouço busca justamente conter o crescimento da dívida pública no futuro.
➡️Para conter o crescimento da dívida pública, analistas avaliam que o governo tem de conter gastos obrigatórios e, com isso, retomar um resultado positivo das contas públicas.
➡️O cálculo é que o ajuste terá de ser de dois pontos do PIB, com o resultado do governo saindo de um déficit de cerca de 0,5% para um superávit de 1,5% do PIB.
A lógica é que isso ajudaria o BC a baixar a taxa Selic e, como consequência, haveria menores despesas com os juros da dívida pública. Seria a almejada “harmonização” entre a política fiscal (gastos públicos) e monetária (contenção da inflação).
- Gastos com servidores, por meio de uma reforma administrativa;
- Gastos previdenciários, por meio de uma nova reforma da Previdência ou medidas pontuais;
- Reforma de gastos sociais para impedir o acúmulo de benefícios;
- Deixar de da aumento real (acima da inflação) ao salário mínimo, reduzindo gastos previdenciários;
- Desvincular as despesas com saúde e educação da receita.
Ele destacou que esse debate é complexo, e que o reajuste real do salário mínimo (acima da inflação), traz desafios “relevantes” para as despesas públicas — embora tenha um papel “correção de desigualdades muito importante”.
Já em novembro de 2025, o Tesouro Nacional avaliou que uma redução sustentada da dívida/PIB, no médio prazo, depende da continuidade de reformas que melhorem o ambiente de negócios e maior crescimento do PIB, com destaque para aquelas que promovam a “consolidação fiscal” (contenção de despesas permanentes).