Zoraide de Deus Mota ao lado de Levita de Deus Nunes após coleta de sangue para estudos genéticos sobre longevidade no Rio de Janeiro, Brasil, 23 de junho de 2026.
REUTERS/Tita Barros.
Qual é o segredo para uma vida longa? Três irmãs brasileiras, cuja idade somada é de 316 anos, que foram reconhecidas pelo Guinness neste mês como o trio de irmãos mais velhos do mundo ainda vivos, podem ajudar os pesquisadores a descobrir isso.
O Projeto DNA Longevo, um estudo liderado pela cientista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo, tem como objetivo investigar os fatores biológicos por trás do envelhecimento.
As descobertas a partir do caso das três irmãs podem ajudar os cientistas a compreender melhor por que algumas pessoas permanecem fisicamente e cognitivamente resistentes em idades excepcionalmente avançadas.
Pesquisadores se propõem a comparar nonagenários e centenários com pessoas que desenvolveram fragilidade, declínio cognitivo ou doenças crônicas, buscando características associadas à longevidade.
“Por meio de testes de DNA, buscamos genes protetores, e sabemos que existem vários deles”, disse Zatz, que coordena o Centro de Pesquisa do Genoma Humano da universidade.
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“Quanto mais pessoas tivermos que vivem além dos 100 anos, especialmente famílias com vários centenários, mais precisa será nossa pesquisa para identificá-los.”
Os cientistas acreditam que fatores hereditários podem desempenhar um papel mais importante do que as influências ambientais na preservação da saúde e das funções na terceira idade.
As irmãs Zulina de Deus Nunes, de 103 anos, Zoraide de Deus Mota, de 104, e Levita de Deus Nunes, de 109, que moram no Rio de Janeiro, foram identificadas por meio da LongeviQuest, uma organização global que verifica registros de longevidade e tem parceria com o Guinness World Records.
“Quando irmãs chegam a essa idade, há claramente um forte componente genético”, disse Ben Meyers, presidente-executivo da LongeviQuest.
“Mas, como moram próximas umas das outras, elas também contam com uma rede de apoio, com a família pronta para ajudar quando necessário. Definitivamente, há também um aspecto comunitário.”
oraide de Deus Mota ao lado de Levita de Deus Nunes após coleta de sangue para estudos genéticos sobre longevidade no Rio de Janeiro, Brasil, 23 de junho de 2026.
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As três irmãs atribuem sua longevidade a uma alimentação saudável e a um estilo de vida ativo.
Zulina relembrou uma infância passada nadando e pescando em rios. “Tudo era fresco. Não tínhamos geladeira”, disse.
“A amamentação é extremamente importante”, acrescentou Zoraide.
Fora isso, as irmãs levaram vidas bastante comuns. Levita trabalhou como artesã e, mais tarde, em uma emissora de televisão. Zoraide trabalhou como enfermeira e criou cinco filhos, enquanto Zulina, dona de casa, criou seis.
Levita relembra sua vida sem arrependimentos.
“Tive uma boa infância e adolescência. Não posso reclamar.”
Zoraide de Deus Mota ao lado de Levita de Deus Nunes após coleta de sangue para estudos genéticos sobre longevidade no Rio de Janeiro, Brasil, 23 de junho de 2026.
REUTERS/Tita Barros
Pesquisadores esperam entender como fatores genéticos, e não o estilo de vida, ajudam a proteger o coração, os músculos e a função cognitiva dos estragos do envelhecimento.
O objetivo do estudo, disse o pesquisador João Paulo Guilherme, que trabalha com Zatz, “é chegar a 500 centenários para que possamos tirar conclusões mais definitivas sobre a longevidade”.
(Reportagem de Aline Massuca, no Rio de Janeiro, e Victoria Pacheco, em São Paulo)
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