Segundo representantes da marca, que anteciparam a informação ao g1, a fabricante chega ao país com uma rede de 60 lojas já autorizadas a operar em 22 estados e no Distrito Federal. A primeira concessionária da marca será inaugurada em Curitiba (PR).
“Estamos aqui para ficar, investir e crescer”, revelou Wang Jiong, CEO da DFM para as Américas.
Ao g1, Wang Jiong revelou que as lojas devem ficar prontas entre outubro e novembro deste ano.
“A gente tem expectativa de que a maioria das lojas fique pronta em meados de outubro. Os carros chegam em outubro para preparativos e as entregas começam em meados de novembro”, disse o executivo.
Para compensar o fato de ainda ser uma marca pouco conhecida no Brasil, a DFM oferece sete anos de garantia para o veículo, ou até 300 mil quilômetros rodados, o que ocorrer primeiro. Para a bateria e o motor, a cobertura é de dez anos, sem limite de quilometragem.
A estratégia da DFM não é atuar com apenas uma marca de veículos, mas diversificar sua operação por meio de subsidiárias voltadas para diferentes segmentos:
- DFM: voltada para veículos de passeio;
- Voyah: marca de luxo de carros de passeio 100% elétricos, desempenhando um papel semelhante ao da Denza para a BYD ou a Audi para a Volkswagen;
- MHero: divisão de luxo dedicada a veículos 100% elétricos voltados para o uso fora de estrada;
- DFM: também utiliza a mesma marca em sua divisão de veículos comerciais, que inclui caminhões.
Em um primeiro momento, oferecerá apenas veículos 100% elétricos. Os primeiros modelos serão o hatch Box e o SUV Vigo.
No futuro, a empresa pretende ampliar seu portfólio com novas opções de motorização e iniciar a fabricação nacional entre o último trimestre de 2027 e o início de 2028. Os primeiros modelos dessa nova fase serão os híbridos plug-in, com híbridos plenos na sequência.
O Box chega ao Brasil para disputar espaço com dois dos três modelos movidos a bateria mais vendidos do país em 2026, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que consideram os emplacamentos entre janeiro e julho deste ano:
- BYD Dolphin Mini: 42.945 unidades vendidas;
- Geely EX2: 20.678 unidades vendidas.
Agora no g1
Entre eles aparece o BYD Dolphin, maior e mais potente, com 24.546 unidades zero km vendidas, mas posicionado em uma faixa acima da do DFM Box.
O Box tem motor elétrico no eixo dianteiro, com 95 cv de potência e 16 kgfm de torque, combinado a uma bateria de 43,8 kWh.
DFM Box — Foto: divulgação/DFM
Por fora, o carro adota traços já conhecidos de modelos chineses, com iluminação diurna em LED bastante fina na dianteira, faróis menos destacados e predominância de curvas sobre ângulos retos — uma receita já vista em modelos de marcas como BYD, GWM, Leapmotor e GAC.
Já a traseira faz jus ao nome Box (caixa, em inglês) e tem linhas menos curvas, mas ainda sem pontas marcadas, como as vistas no Hyundai HB20, por exemplo. Esse visual, somado às maçanetas embutidas na carroceria, contribui para a aerodinâmica e ajuda a ampliar a autonomia da bateria.
No interior, a fórmula adotada por fabricantes chinesas também aparece em elementos como:
- Ausência de botões físicos para controle do ar-condicionado, com todos os comandos concentrados na central multimídia;
- Volante com botões minimalistas, alguns deles com mais de uma função;
- Central multimídia destacada de 12,3 polegadas;
- Acabamento nas portas e no painel que remete às costuras de um sofá de couro;
- Câmbio na coluna de direção.
DFM Box por dentro — Foto: divulgação/DFM
O painel digital, porém, chama atenção. A interface lembra a exibida no BYD Dolphin, mas a tela é quadrada, e não retangular.
Já o Vigo é um SUV de porte semelhante ao do BYD Yuan Pro e do GWM Ora 5. Entre os modelos a combustão, pode ser comparado ao Hyundai Creta, por exemplo, já que suas linhas mais retas lembram o visual do utilitário coreano.
DFM Vigo — Foto: divulgação/DFM
Ele é consideravelmente mais potente que o Box, com 165 cv e 23 kgfm de torque entregues pelo motor elétrico. A bateria tem 51,8 kWh de capacidade e, por dentro, os atributos também são mais sofisticados.
O painel de instrumentos deixa de ser quadrado e assume um visual mais minimalista, ao ficar “encaixado” entre dois vincos que percorrem toda a parte frontal. O Vigo também traz carregador de celular por indução e abertura elétrica do porta-malas.
Outra diferença marcante no Vigo está no acabamento, que dispensa a textura que simula costuras. No SUV, ele é mais sóbrio, sem grandes alterações visuais ou táteis pela cabine.
DFM Vigo por dentro — Foto: divulgação/DFM
Quem é a DFM?
Novata no Brasil, a marca chinesa chega ao país após a onda de conterrâneas como BYD e GWM. Na China, a empresa foi fundada em 1969, na cidade de Wuhan, e é uma das maiores montadoras do país.
Na China, a DongFeng também fabrica veículos de marcas como Nissan, Peugeot, Citroën, Honda, Jeep e Kia. A produção ocorre por meio de parcerias entre a montadora chinesa e essas fabricantes internacionais.
Entre essas marcas, há modelos da Peugeot em desenvolvimento na China que serão comercializados no Brasil.
A marca tem 127 mil funcionários em todo o mundo e já vendeu 62 milhões de veículos em mais de 100 países. Desse total, 1,2 milhão de unidades foram comercializadas fora da China.
A marca está em diferentes segmentos, como veículos elétricos, híbridos, comerciais leves e pesados, incluindo caminhões e vans. Para isso, conta com divisões internas como Voyah e Mhero, estratégia que também será adotada na operação brasileira.
*Essa reportagem está em atualização.