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CEO do Washington Post deixa o cargo após onda de demissões | G1

por Redação
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Lewis anunciou sua saída em um e-mail de dois parágrafos enviado aos funcionários, dizendo que, após dois anos de transformação, “agora é o momento certo para eu me afastar”. O diretor financeiro do Post, Jeff D’Onofrio, foi nomeado editor-executivo interino.

Nem Lewis nem o bilionário dono do jornal, Jeff Bezos, participaram da reunião com funcionários que anunciou as demissões na quarta-feira (4). Embora esperados, os cortes foram mais profundos do que o previsto, resultando no fechamento da renomada editoria de esportes do Post, na eliminação da equipe de fotografia e em fortes reduções no pessoal responsável pela cobertura de Washington metropolitana e do exterior.

Eles se somam a uma saída generalizada de talentos nos últimos anos no jornal, que perdeu dezenas de milhares de assinantes após a ordem de Bezos, no fim da campanha presidencial de 2024, de recuar de um endosso planejado a Kamala Harris, além de uma posterior reorientação de sua seção de opinião em direção mais conservadora.

Martin Baron, primeiro editor do Post sob o comando de Bezos, condenou o antigo chefe nesta semana por tentar agradar o presidente Donald Trump e classificou o que ocorreu no jornal como “um estudo de caso de destruição de marca quase instantânea e autoinfligida”.

Um manifestante segura um recorte de papelão com o rosto de Jeff Bezos em frente à agência do Washington Post após uma demissão em massa, na quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, em Washington. — Foto: AP/Allison Robbert

Nascido no Reino Unido, Lewis foi um alto executivo do The Wall Street Journal antes de assumir o Post em janeiro de 2024. Seu período foi turbulento desde o início, marcado por demissões e por um plano de reorganização fracassado que levou à saída da então editora-chefe Sally Buzbee.

A escolha inicial de Lewis para substituir Buzbee, Robert Winnett, desistiu do cargo após surgirem questionamentos éticos sobre ações dele e de Lewis quando trabalhavam na Inglaterra — incluindo pagamento por informações que renderam grandes reportagens, prática considerada antiética no jornalismo americano. O atual editor executivo, Matt Murray, assumiu pouco depois.

Lewis também não conquistou simpatia dos jornalistas do Post ao falar de forma direta sobre o trabalho deles, chegando a dizer em uma reunião que mudanças eram necessárias porque poucas pessoas estavam lendo suas matérias.

As demissões desta semana levaram a pedidos para que Bezos aumente seus investimentos no jornal ou o venda a alguém que tenha papel mais ativo. Em sua nota, Lewis elogiou Bezos: “A instituição não poderia ter tido um dono melhor”, afirmou.

“Durante meu mandato, decisões difíceis foram tomadas para garantir o futuro sustentável do Post, para que ele possa, por muitos anos, publicar jornalismo de alta qualidade e apartidário para milhões de leitores todos os dias”, disse Lewis.

O Washington Post Guild, sindicato que representa os funcionários, afirmou que a saída de Lewis demorou a acontecer.

“Seu legado será a tentativa de destruição de uma grande instituição do jornalismo americano”, disse o sindicato em nota. “Mas ainda dá tempo de salvar o Post. Jeff Bezos deve rescindir imediatamente essas demissões ou vender o jornal a alguém disposto a investir em seu futuro.”

Bezos não mencionou Lewis em comunicado dizendo que D’Onofrio e sua equipe estão posicionados para levar o Post a “um próximo capítulo empolgante e próspero”.

“O Post tem uma missão jornalística essencial e uma oportunidade extraordinária”, disse Bezos. “Todos os dias nossos leitores nos dão um roteiro para o sucesso. Os dados nos dizem o que é valioso e onde focar.”

D’Onofrio, que entrou no jornal em junho passado após passagens pela empresa de gestão de anúncios digitais Raptive, Google, Zagat e a Major League Baseball, disse em mensagem à equipe que “estamos encerrando uma semana difícil de mudanças com mais mudanças”.

“Este é um momento desafiador para todas as organizações de mídia, e o Post infelizmente não é exceção”, escreveu. “Tive o privilégio de ajudar a traçar o rumo tanto de empresas disruptivas quanto de instituições culturais tradicionais. Todas enfrentaram ventos econômicos contrários em setores em transformação, e estivemos à altura desses momentos. Não tenho dúvida de que faremos o mesmo, juntos.”

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