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Caso Master: Daniel Vorcaro ‘ocultou’ R$ 2,2 bilhões em conta do pai, disse PF em pedido de prisão do banqueiro

por Redação
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Miriam: celulares de Daniel Vorcaro tinham ameaças a adversários, inclusive jornalistas
A Polícia Federal (PF) afirmou, no pedido de prisão preventiva apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ocultou mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária em nome do pai, Henrique Moura Vorcaro, mesmo após ter sido solto no fim de 2025.
O pedido foi acolhido pelo ministro André Mendonça, que autorizou nova ordem de prisão no âmbito do caso do Master. Vorcaro foi preso.
🛫 Segundo o documento, a PF sustenta que o risco de fuga de Vorcaro permanece elevado, citando a existência de “jatos privados” à disposição do investigado e um “extenso patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais”.
💵 Os investigadores também afirmam que começam a aparecer sinais de dilapidação desse patrimônio, o que reforçaria a necessidade da prisão.
Ocultação bilionária após liberdade
A PF destacou ao STF que, mesmo depois de Vorcaro ter sido colocado em liberdade em 28 de novembro de 2025, a organização criminosa da qual Vorcaro seria o principal articulador continuou a ocultar valores bilionários utilizando nomes de terceiros.
As autoridades relatam que as descobertas só foram possíveis após a Segunda Fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro de 2026.
💰 Na ocasião, medidas de bloqueio financeiro revelaram um montante de R$ 2.245.235.850,24, registrado na conta do pai do banqueiro e mantido junto à CBSF DTVM, mais conhecida no mercado como REAG.
O pedido de prisão descreve o valor como uma “quantia impressionante” e afirma que sua existência só foi identificada graças às ações executadas durante a nova etapa da investigação.
Ocultação ocorria enquanto FGC sangrava
No mesmo trecho, a PF faz uma comparação direta entre a ocultação dos recursos e o prejuízo causado pelo Banco Master, que teria deixado um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro — valor atualmente coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
“Enquanto o Fundo Garantidor de Crédito sangrava para cobrir o rombo bilionário deixado pelo Banco Master no mercado financeiro, montante que alcança quase 40 bilhões de reais, Daniel Vorcaro ocultava de seus credores e vítimas mais de 2 bilhões de reais junto a empresa conhecida por lavar dinheiro das mais perigosas organizações criminosas do Brasil, conduta ilícita que se perpetuou mesmo após ter sido posto em liberdade”, afirmou a PF.
Os investigadores afirmam ainda que a conduta delitiva “se perpetuou mesmo após” a soltura do banqueiro, reforçando a tese de reiteração criminosa.
PF prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Reprodução
A prisão de Vorcaro
A decisão do ministro André Mendonça, do STF, que levou à prisão de Daniel Vorcaro cita organização criminosa, danos bilionários e ameaça às investigações e a opositores.
A decisão atende a um pedido da PF por suspeita de crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.
Além de Vorcaro, também foram presos na operação da PF, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
De acordo com o documento, as investigações revelaram a existência de uma “milícia privada” chamada “A Turma”, utilizada para monitorar ilegalmente e intimidar adversários, autoridades e jornalistas.
Mensagens interceptadas pelos investigadores mostram Vorcaro ordenando a Mourão que o jornalista Lauro Jardim, do jornal “O Globo” fosse agredido para “quebrar todos os dentes” em um assalto forjado, após a publicação de notícias contrárias aos interesses do banqueiro.
O jornal, inclusive, emitiu uma nota de repúdio após o caso vir a público, onde classificou a ação como uma tentativa de “calar a voz da imprensa”.
O grupo também é acusado de realizar acessos indevidos a sistemas sigilosos da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol, para obter dados protegidos.
Segundo o documento, o esquema contava ainda com a cooptação de servidores de alto escalão do Banco Central, como Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que ocupavam cargos de chefia na supervisão bancária.
Segundo a PF, eles atuavam como “consultores informais” de Vorcaro, revisando minutas de documentos que o próprio banco enviaria ao órgão regulador e antecipando movimentos de fiscalização.
Em troca, recebiam pagamentos mensais, por vezes de R$ 1 milhão, operacionalizados por meio de contratos simulados de consultoria e empresas de fachada.
Por ordem do STF, os servidores foram afastados das funções e deverão usar tornozeleira eletrônica.
Ao decretar as prisões, o ministro André Mendonça destacou que a liberdade dos investigados colocava em risco a ordem pública e a integridade física de vítimas e autoridades, além de possibilitar a destruição de provas e a continuidade da lavagem de dinheiro.
O ministro também determinou a suspensão das atividades de cinco empresas ligadas ao grupo.
Caso Master
A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado, e a nova prisão de Daniel Vorcaro, dono da instituição, marcam mais um capítulo de uma crise que já vinha se desenhando há meses e que também levou à liquidação do Will Bank e do Banco Pleno, integrantes do mesmo grupo.
O banco operava sob risco elevado de insolvência, pressionado pelo alto custo de captação e pela exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.
🔎 O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI).
Tentativas de venda do Master, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.

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