No vídeo, Edson afirma que recebeu a notícia durante uma reunião. Segundo ele, o encerramento das atividades da loja representa um dos momentos mais difíceis de sua vida profissional.
“Hoje o coração tá partido mesmo, mas com sentimento de dever cumprido”, disse.
No depoimento, o funcionário relembra a longa relação com a empresa e destaca a importância que o emprego teve para sua vida pessoal. Segundo ele, foi por meio do trabalho nas Casas Bahia que conseguiu sustentar a família e criar os filhos ao longo de mais de duas décadas.
“Foi daqui que eu tirei meu sustento, foi daqui que eu criei meus filhos, foi daqui que eu formei minha família”, afirmou.
Apesar da tristeza com o fechamento da loja, ele evitou críticas à companhia e optou por agradecer à empresa pela oportunidade de trabalho. O agradecimento foi estendido aos clientes.
“Muito obrigado por ter confiado em mim, por ter confiado na ‘minha’ empresa”, declarou.
Ao final da gravação, o trabalhador afirmou que encara o encerramento do ciclo com a sensação de ter cumprido seu papel e demonstrou esperança em relação ao futuro. “Deus fecha uma porta e lá na frente com certeza vai abrir outras”, disse.
Entenda a história
As medidas fazem parte da estratégia da companhia para reduzir custos e enfrentar, segundo a própria empresa, a pior crise financeira de sua história. A varejista afirma que o plano busca reorganizar sua estrutura financeira.
As iniciativas se somam a outras ações implementadas desde 2023, quando o chamado Plano de Transformação levou ao fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias e à redução de aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho.
Na petição, a empresa atribui suas dificuldades principalmente ao ambiente de juros elevados, à queda do consumo de bens duráveis, ao aumento da inadimplência e às pressões enfrentadas pelo setor varejista nos últimos anos.
A companhia também cita os impactos da transformação digital no comércio. Segundo o documento, as primeiras medidas de reestruturação foram adotadas em 2023, diante da piora do cenário econômico e financeiro.
Além do fechamento das 55 lojas e da redução de postos de trabalho, a empresa diminuiu estoques, cortou investimentos e promoveu ajustes nos centros de distribuição.
Apesar dos ganhos obtidos com essas medidas, a companhia afirma que o alto custo da dívida continuou pressionando o caixa. Por isso, novas ações foram adotadas em 2026.
Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. — Foto: Sarah Brito/g1
De acordo com a petição, apenas em agosto deste ano, o grupo demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. A empresa afirma que as medidas fazem parte de um esforço para reduzir despesas e recuperar o equilíbrio financeiro.
Somadas as duas etapas da reestruturação mencionadas no processo, o Grupo Casas Bahia reduziu aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e fechou cerca de 355 lojas.
No pedido de recuperação judicial, a varejista argumenta que a crise é conjuntural e defende a viabilidade de suas operações. A empresa destaca que ainda mantém mais de 20 mil empregados e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento.
Veja abaixo os números da reestruturação:
- 2023: fechamento de 55 lojas e redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho.
- 2026: fechamento de quase 300 lojas e demissão de cerca de 3 mil funcionários.
- Total: aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho eliminados e cerca de 355 lojas encerradas.
Pedido de recuperação judicial
A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações.
Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais.
A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda.
Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.
Entenda a crise do Grupo Casas Bahia, perguntas e respostas nesta reportagem: