Carne bovina: produção do Brasil deve cair em 2026 | G1

Carne bovina: produção do Brasil deve cair em 2026 | G1

A combinação de conflitos geopolíticos, imposição de novas tarifas e barreiras comerciais no exterior tem criado obstáculos adicionais para a cadeia produtiva, segundo avalia o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa.

  • 🐂 Em 2025, o rebanho bovino brasileiro foi estimado em 195,5 milhões de cabeças, mantendo o país na liderança mundial em número de animais destinados à produção comercial a frente dos EUA.

Durante evento do setor em São Paulo nesta quarta-feira (5), o presidente da ABIEC destacou que a situação macroeconômica global e as decisões unilaterais de grandes parceiros comerciais exigirão maior flexibilidade e capacidade de adaptação das indústrias brasileiras.

“Enfrentamos questões geopolíticas, recessões, tarifas, cotas e salvaguardas impostas unilateralmente. Tudo isso cria ainda mais dificuldades para o setor produtivo”, afirmou Perosa a participantes da Exposição Internacional de Proteína Animal.

A mudança no ambiente externo já se reflete de maneira direta nas projeções de oferta e processamento do país. Segundo estimativas apresentadas pela Abiec, o volume de abate no Brasil deve girar em torno de 40 milhões de cabeças de gado em 2026, indicando uma desaceleração no ritmo de produção industrial em comparação com o período anterior.

Gado confinado em Barretos, São Paulo. — Foto: Joel Silva/Reuters

Como foi o ano passado: recordes de abate e forte ritmo de produção

O cenário de maior cautela esperado para a pecuária brasileira em 2026 contrasta com o desempenho registrado no ano passado. Em 2025, o setor viveu um período de oferta elevada de animais e forte ritmo de produção nos frigoríficos.

Ao longo do ano, o Brasil movimentou cerca de 42 milhões de cabeças de gado, impulsionado por um momento favorável do ciclo pecuário e pela demanda internacional aquecida.

O bom desempenho das exportações também ajudou a sustentar o setor. A China continuou como principal destino da carne bovina brasileira, enquanto mercados mais exigentes, como o europeu, mantiveram as compras de cortes de maior valor agregado.

Em 2025, a União Europeia importou mais de US$ 1,04 bilhão em carne bovina brasileira. O resultado ajudou os frigoríficos nacionais a manterem bons níveis de operação e a posição de liderança do Brasil no comércio global de proteína animal.

Em 2026, setor enfrenta pressão de grandes mercados

Para este ano, o cenário é mais desafiador. O setor deve lidar com uma desaceleração das compras chinesas, após anos de forte crescimento, além dos impactos de medidas protecionistas e mudanças nas regras de comércio internacional.

Antes, o controle era concentrado nos últimos 100 dias de engorda por meio da chamada lista Trace. A mudança exige uma adaptação dos produtores e da indústria, que pode levar até dois anos para ser totalmente implementada.

Mesmo com os desafios, representantes do setor avaliam que a diversidade de mercados compradores ajuda a reduzir os impactos. A estratégia das empresas é ampliar vendas para países do Sudeste Asiático, fortalecer negócios no Oriente Médio e buscar novas oportunidades nas Américas. Entenda:

*Contém informações da Reuters

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