Braskem protocola pedido de recuperação extrajudicial | G1

Braskem protocola pedido de recuperação extrajudicial | G1

“A Braskem S.A. (Ticker B3: BRKM3, BRKM5 e BRKM6; NYSE: BAK; LATIBEX: XBRK) (“Braskem” ou “Companhia”), em continuidade aos Fatos Relevantes dos dias 26 de setembro de 2025, 25 e 26 de junho de 2026 e do dia de hoje, vem comunicar aos seus acionistas e ao mercado em geral que protocolou, nesta data, em conjunto com certas controladas (em conjunto com a Companhia, as “Devedoras”), pedido de recuperação extrajudicial (“Recuperação Extrajudicial”), distribuída na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo”, escreveu a companhia em fato relevante.

O pedido foi apresentado com o apoio de credores que representam 39,6% dos créditos incluídos na reestruturação — percentual acima do mínimo de um terço exigido para o protocolo da recuperação extrajudicial.

Com o pedido, começa agora um período de 90 dias de proteção, durante o qual os credores abrangidos pelo plano não poderão cobrar judicialmente essas dívidas nem adotar determinadas medidas contra os ativos das empresas.

Durante esses 3 meses, a Braskem vai negociar com os demais credores para tentar ampliar o apoio ao plano. O objetivo é alcançar a maioria simples dos créditos sujeitos à recuperação, percentual necessário para que o acordo seja aprovado e passe a valer para toda a dívida incluída na reestruturação.

O que acontece agora

  • Hoje (24): pedido de recuperação extrajudicial é protocolado e começa o período de 90 dias de proteção;
  • 31 de agosto: Braskem deve apresentar plano de negócios atualizado e proposta detalhada aos credores;
  • 9 de setembro: reuniões presenciais entre executivos, acionistas e credores;
  • 9 de outubro: prazo para buscar acordo sobre as principais condições comerciais;
  • Até o fim dos 90 dias: Braskem precisa conquistar apoio suficiente dos credores para aprovar o plano definitivo.

Entenda a RE da Braskem

Ponto O que acontece O que significa
Quem está no plano Braskem S.A. e cinco empresas do grupo no exterior. A reestruturação é feita de forma conjunta.
O que entra O plano abrange dívidas financeiras quirografárias. O foco é exclusivamente a dívida financeira.
O que não entra Dívidas operacionais com fornecedores, clientes e prestadores ficam fora. A operação da companhia continua normalmente, sem que essas obrigações sejam reestruturadas pelo plano.
Apoio inicial Credores que representam 39,6% dos créditos sujeitos apoiaram o pedido. O percentual já supera o mínimo de 1/3 exigido para o protocolo.
Próximos 90 dias A partir de 24 de agosto, começa um período de 90 dias de proteção (standstill). Nesse período, os credores sujeitos ficam impedidos de cobrar judicialmente as dívidas abrangidas e de adotar determinadas medidas contra os ativos do grupo.
O que a Braskem precisa fazer A empresa terá os 90 dias para negociar e buscar apoio suficiente ao plano definitivo. O objetivo é conquistar uma maioria simples dos créditos sujeitos para que o acordo possa vincular toda a dívida abrangida.
Plano definitivo A Braskem deve apresentar até 31 de agosto um plano de negócios atualizado e uma proposta comercial detalhada. Os credores terão uma visão mais concreta de como a empresa pretende reestruturar a dívida.
Negociação com credores Até 9 de outubro, as partes devem buscar um acordo sobre as principais condições comerciais. Essa é a principal janela de negociação da reestruturação.
Dívida pode virar ações O plano prevê a possibilidade de converter parte dos créditos em ações. Alguns credores poderiam deixar de receber parte da dívida em dinheiro e, em troca, se tornar acionistas.

O que muda com a recuperação extrajudicial

A recuperação extrajudicial prevê a reestruturação de cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras da Braskem e de cinco empresas do grupo no exterior. O plano estabelece as bases para uma negociação com os credores, que poderá envolver alongamento dos prazos de pagamento, capitalização de juros e um período inicial de alívio financeiro.

A recuperação extrajudicial da Braskem ocorre em paralelo à reestruturação de sua subsidiária no México, a Braskem Idesa, que entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, pelo chamado Chapter 11.

Esse mecanismo permite que uma empresa continue funcionando enquanto negocia a reorganização de suas dívidas sob supervisão da Justiça. O plano da Braskem prevê um aporte de US$ 476 milhões (R$ 2,427 bilhões) da companhia para manter o controle da subsidiária mexicana.

Braskem diz que vai pedir recuperação extrajudicial de R$ 56 bilhões

Por que a Braskem chegou à recuperação extrajudicial

A decisão é resultado da combinação de diferentes pressões financeiras enfrentadas pela companhia nos últimos anos.

Um dos principais fatores são os custos relacionados ao desastre geológico em Maceió, provocado pela exploração de sal-gema. A atividade levou à instabilidade do solo em bairros da capital alagoana, provocando a retirada de moradores e a interdição de imóveis.

Mais de 14 mil imóveis foram desocupados e cerca de 60 mil pessoas foram afetadas. Desde então, a Braskem passou a desembolsar recursos para indenizações, auxílios e realocação de moradores e comerciantes.

A companhia já desembolsou mais de R$ 4,2 bilhões nessas medidas e mantém R$ 3,24 bilhões reservados no balanço para custos futuros relacionados ao desastre e às ações de reparação.

Outro fator foi a piora das condições do mercado petroquímico global. O setor passou por um período de aumento da produção, especialmente com a expansão da capacidade industrial da China. Com mais produtos disponíveis, os preços caíram enquanto o consumo perdeu força em diferentes regiões.

Esse cenário reduziu a rentabilidade das empresas do setor. O EBITDA recorrente da Braskem — indicador usado para medir a geração de caixa das operações — somou US$ 557 milhões (R$ 2,840 bilhões) em 2025, uma queda de 49% em relação ao ano anterior.

Dívida e pressão financeira

No fim de 2025, a dívida da Braskem, já descontado o dinheiro disponível em caixa, somava US$ 7,5 bilhões (R$ 38,25 bilhões). A relação entre a dívida e a geração de caixa chegou a 14,7 vezes.

Esse indicador é utilizado pelo mercado para avaliar a capacidade de uma empresa de pagar suas dívidas. Quanto maior a relação, maior tende a ser a preocupação de investidores e credores com a capacidade de pagamento.

As dificuldades também afetaram as ações da companhia. Os papéis da Braskem acumulavam queda de cerca de 82% desde o início da crise em Maceió, passando de R$ 42,05 em fevereiro de 2018 para R$ 7,51 em 18 de junho de 2026.

A Braskem Idesa também enfrentou dificuldades financeiras e deixou de pagar juros de títulos com vencimento em 2029 e 2032, situação que caracteriza um default, ou seja, o não cumprimento de uma obrigação de pagamento.

Mudança no controle

A situação financeira da Braskem também passou por uma mudança na estrutura de controle da companhia.

Em abril, a Novonor, antiga Odebrecht, assinou contrato para vender sua participação de controle ao fundo Shine I, assessorado pela gestora IG4 Capital. A operação envolveu cerca de 50,1% das ações com direito a voto da petroquímica.

A transação foi concluída em junho, quando a IG4 passou a dividir o controle da Braskem com a Petrobras.

A Petrobras detém cerca de 47% do capital votante e 36,1% do capital total da companhia. Já o fundo ligado à IG4 possui 50,1% do capital votante.

O que é a Braskem

Criada em 2002, a Braskem surgiu da integração de ativos da antiga Odebrecht, hoje Novonor, e do Grupo Mariani.

A empresa atua no setor químico e petroquímico e produz resinas termoplásticas, como polietileno, polipropileno e PVC. Esses materiais são usados como matéria-prima para a fabricação de embalagens, peças, tubos e diversos outros produtos.

A companhia também produz insumos químicos, como eteno, propeno, butadieno, benzeno e tolueno, utilizados por outras indústrias.

A Braskem possui operações em 11 países, mais de 8 mil funcionários, 39 unidades industriais, 14 escritórios comerciais e sete centros de inovação. A companhia atende clientes em mais de 70 países.

Em 2025, a empresa registrou R$ 70,7 bilhões em receita líquida. No segundo trimestre de 2026, teve receita de R$ 21,72 bilhões e lucro líquido de R$ 3,33 bilhões.

Mesmo com a melhora dos resultados no segundo trimestre, a companhia continua enfrentando um cenário de pressão financeira, marcado pelo alto endividamento, pelos efeitos do desastre em Maceió e pelas dificuldades do mercado petroquímico global.

*Com colaboração dos repórteres Janize Colaço e André Catto

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