Brasil avalia que EUA atropelaram rito ao indicar embaixador sem consulta prévia

Brasil avalia que EUA atropelaram rito ao indicar embaixador sem consulta prévia


Brasil avalia que que EUA queimaram etapas na indicação de embaixador Daniel Perez
O governo de Donald Trump revogou o visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti, nesta terça-feira (4), como medida de recíprocidade contra a demora da aprovação do novo embaixador norte-americano no Brasil, Daniel Perez. No entanto, Brasília avalia que Washington atropelou o rito diplomático ao indicar Perez.
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Segundo fontes do governo brasileiro, a indicação de Perez foi enviada ao Senado dos Estados Unidos antes de uma consulta formal ao Brasil, procedimento previsto na prática diplomática internacional e na Convenção de Viena.
O Brasil, então, só teria tomado conhecimento da indicação do diplomata quando o nome já estava em tramitação no Congresso norte-americano, apurou a GloboNews.
Além do rito, interlocutores do Palácio do Planalto também questionam o momento escolhido pelo governo Trump para pressionar pela nomeação.
Segundo essas fontes, durante todo o período em que a embaixada dos Estados Unidos em Brasília esteve sem um embaixador, a Casa Branca não demonstrou preocupação com a demora na substituição do chefe da missão diplomática, que vinha sendo comandada pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar.
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Nos bastidores, a avaliação é que a revogação do visto de Maria Luiza Viotti tem como objetivo pressionar o governo brasileiro a conceder o agrément — autorização diplomática necessária para que um embaixador estrangeiro assuma o cargo — a Daniel Perez.
Diplomatas ouvidos pelo governo afirmam que a indicação de Perez não deverá ser rejeitada por motivos ideológicos, mas ressaltam que o Brasil seguirá o procedimento adotado em casos semelhantes. A análise incluirá o histórico do indicado e eventuais manifestações públicas ou condutas que possam ser consideradas incompatíveis com a função diplomática.
Além disso, fontes do governo também afirmam que a tendência é que o agrément não seja analisado antes das eleições presidencias de outubro.
Alguns integrantes do governo ainda avaliam que a pressão exercida por Washington tem relação com o cenário político brasileiro e interpretam a indicação de Perez, aliado do movimento MAGA (“Make America Great Again”), como parte dessa estratégia.
Daniel Perez é filho de cubanos e tornou-se o impasse do mais novo impasse diplomático entre EUA e Brasil
Foto: Reprodução/Senado dos EUA
Escalada de tensões
Não é de hoje que a relação Brasil-EUA não está das melhores. Em julho do ano passado Donald Trump anunciou uma das rodadas de tarifas sobre produtos brasileiros importados pelos norte-americanos.
Na época, o republicano justificou o tarifaço pelo que chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos meses seguintes, negociações entre o governo brasileiro e a Casa Branca ajudaram a reduzir as tensões. No fim de 2025, os Estados Unidos aliviaram as tarifas e retiraram algumas sanções contra autoridades brasileiras.
Além disso, Lula e Trump se encontraram duas vezes. O presidente brasileiro visitou Washington em 7 de maio para se reunir com o líder americano, que chegou a elogiar o petista após os encontros.
No entanto, a relação entre os dois países voltou a se desgastar no fim de maio, quando os Estados Unidos classificaram as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A decisão foi anunciada dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, se reunir com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio, nos Estados Unidos.
Semanas depois, os Estados Unidos anunciaram novas tarifas contra o Brasil. Em 22 de julho, entrou em vigor uma taxa de 25% como resultado de uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio.
A medida foi anunciada após o governo Trump concluir que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais.
Dois dias depois, os EUA confirmaram outra tarifa, de 12,5%, contra o Brasil e dezenas de outros países. O governo americano alegou práticas comerciais desleais pela falta de combate ao trabalho forçado.
Ainda no dia 24 de julho, o Itamaraty negou vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que viajariam ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.
Os dois foram citados em reportagem do jornal The Washington Post como responsáveis por uma estratégia para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Um porta-voz do Departamento de Estado negou que os funcionários pretendiam interferir nas eleições.
Segundo os EUA, a visita tinha como objetivo discutir “integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão” com autoridades brasileiras e representantes da sociedade civil.
O blog da Andreia Sadi revelou que o governo brasileiro já esperava algum tipo de retaliação após a negativa dos vistos. Fontes do Itamaraty avaliavam uma reação no campo diplomático, com novas restrições de vistos.

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