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BC diz que PIX permitiu inclusão financeira dos mais pobres; ferramenta está na mira dos EUA

por Gilberto Cruz
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O lançamento e a “rápida disseminação” do PIX “contribuíram de forma expressiva para a inclusão financeira da população de baixa renda no Brasil”, diz o Relatório de Cidadania Financeira divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira.
A defesa do mecanismo de pagamentos pelo Banco Central ocorre em um momento em que o PIX está na mira dos Estados Unidos, que chegou a abrir uma investigação sobre a ferramenta (leia mais aqui).
“Os dados de dezembro de 2023 evidenciam o sucesso da plataforma em ampliar tanto o acesso quanto o uso de serviços de pagamento entre os adultos inscritos no CadÚnico. À medida que o PIX se consolida, ele não apenas amplia a participação econômica desse público, mas também transforma seus hábitos financeiros, viabilizando transações mais frequentes e de menor valor, adequadas às necessidades cotidianas”, diz o Banco Central.
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🔎O PIX é um meio de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central que permite realizar transferências e pagamentos de forma direta entre contas em poucos segundos.
🔎🔎Disponível 24 horas por dia, ele funciona por meio de chaves, como CPF, celular ou e-mail, ou QR codes, eliminando a necessidade de digitar todos os dados bancários e servindo como uma alternativa gratuita e ágil aos antigos modelos de DOC e TED.
De acordo com dados do BC, em dezembro de 2023 – três anos após o lançamento do PIX –, 74% dos adultos inscritos no CadÚnico haviam registrado ao menos uma chave PIX, evidenciando a ampla penetração do sistema entre a população de baixa renda.
“Além disso, 72% desses indivíduos realizaram pelo menos um pagamento via PIX ao ano, demonstrando seu uso expressivo nas transações do dia a dia. A diferença entre acesso (registro da chave) e uso efetivo caiu de 7 pontos percentuais em 2022 para apenas 2 pontos em 2023, indicando maior engajamento e confiança no sistema. O PIX consolidou-se como parte da rotina financeira desse público”, acrescentou o Banco Central.
PIX no alvo dos EUA
Investigado pelos Estados Unidos desde o ano passado por configurar possível “prática desleal”, o PIX voltou a ser criticado em relatório recente do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
No documento, o USTR relembra que o Banco Central criou, detém, opera e regula o PIX, plataforma de pagamentos instantâneos.
“Partes interessadas americanas expressaram preocupação com o fato de o Banco Central do Brasil conceder tratamento preferencial ao PIX, o que prejudica os fornecedores americanos de serviços de pagamento eletrônico. O Banco Central exige o uso da PIX por instituições financeiras com mais de 500.000 contas”, diz o documento do USTR, divulgado no fim de março.
Orientado pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu prontamente ao relatório norte-americano e disse que “ninguém” vai fazer o governo brasileiro mudar o PIX.
“O que é importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir. O PIX é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o PIX pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”, disse Lula, no começo deste mês.
Novidades do PIX
Após bater recorde de transferências em 2025, com R$ 35,36 trilhões movimentados, o Banco Central segue trabalhando em novidades para o PIX neste ano e em 2027. Veja abaixo:
➡️Agenda para 2026
Cobrança Híbrida: inserção no regulamento do PIX da possibilidade de pagamento, por meio do QR code, de uma cobrança que também apresenta a possibilidade de pagamento por meio do arranjo de boleto. Isso já é oferecido de forma facultativa, mas a previsão é de que seja obrigatória a partir de novembro deste ano.
Duplicata: funcionalidade para permitir o pagamento de duplicatas escriturais (títulos de crédito) via PIX, facilitando a antecipação de recebíveis, com informações atualizadas em tempo real, reduzindo custos operacionais. Objetivo é que sirva de alternativa aos boletos bancários.
Split tributário: adequar a ferramenta, até o fim do ano, ao sistema de pagamento de impostos em tempo real que vem sendo desenvolvido pela Receita Federal no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. De 2027 em diante, a CBS (tributo federal sobre o consumo) será paga no ato da compra, desde que seja feita por meio eletrônico.
➡️Previstas para 2027, a depender de recursos disponíveis no Banco Central:
PIX internacional: modalidade que já é aceita em alguns países, como Argentina, Estados Unidos (Miami e Orlando) e Portugal (Lisboa), entre outros. O BC avalia que o formato atual de utilização do PIX, em outros países, é “parcial”, focada em estabelecimentos específicos. A ideia é que os pagamentos transfronteiriços possam ser feitos de forma definitiva, entre países, no futuro. O objetivo é interligar sistemas de pagamento instantâneos.
PIX em garantia: será um tipo crédito consignado para trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado. A proposta é que esses trabalhadores possam dar, em garantia de empréstimos bancários, “recebíveis futuros”, ou seja, transferências que irão receber por meio do PIX — possibilitando a liberação dos recursos e juros mais acessíveis.
PIX por aproximação (modelo offline): ideia é permitir o pagamento por aproximação mesmo que o usuário não esteja com seu dispositivo conectado, ou seja, ligado à rede por Wi-Fi ou 5G.
➡️Ao mesmo tempo, o Banco Central segue discutindo o lançamento, no futuro, das regras para o chamado PIX Parcelado, que será uma alternativa para 60 milhões de pessoas que atualmente não têm acesso ao cartão de crédito.
💵O parcelamento por meio do PIX já é ofertado por várias instituições financeiras, uma linha de crédito formal, mas o BC quer padronizar as regras — o que tende a favorecer a competição entre os bancos e queda dos juros. Essa padronização não tem prazo definido.
Pix se tornou referência internacional de sistema de pagamento digital
Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo via BBC

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