Brittin ingressou no Google em 2007 como chefe do Reino Unido e da Irlanda, antes de ascender na hierarquia até se tornar presidente da EMEA (área que responde pelas operações da empresa na Europa, Oriente Médio e África) em 2014. Ele deixou o cargo em 2024 e assumirá a nova função a partir de 18 de maio.
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“Este é um momento de risco real, mas também de grande oportunidade. A BBC precisa de ritmo e energia para estar onde as histórias estão e onde o público está”, disse Brittin em comunicado.
“Para aproveitar o alcance, a confiança e a criatividade que temos hoje, enfrentar os desafios com coragem e prosperar como um serviço público preparado para o futuro. Estou ansioso para começar este trabalho”, acrescentou.
A BBC informou ainda que deve nomear um diretor-geral adjunto para auxiliar Brittin durante sua gestão, uma vez que o executivo não tem experiência editorial ou em radiodifusão.
A chegada de Brittin ocorre em um momento crítico para a emissora britânica. O executivo será responsável por negociar um novo acordo de financiamento depois que a Carta Régia da BBC expirar no fim de 2027. As opções incluem manter a taxa de licenciamento paga pelas famílias que assistem à TV ou migrar para assinaturas ou financiamento por publicidade.
A BBC enfrenta uma batalha para se manter relevante, já que os telespectadores — principalmente o público mais jovem — migram para serviços de streaming e outras plataformas digitais.
Entenda a crise da BBC
A crise de imagem na BBC foi deflagrada após a imprensa britânica publicar trechos de um dossiê crítico à emissora, elaborado pelo escritor americano Michael Prescott, que prestou consultoria à empresa pública de comunicação em 2024.
O dossiê veio à tona após a emissora britânica veicular um programa sobre o presidente americano, Donald Trump, no qual foram editados trechos de um discurso de 2021 do republicano a apoiadores, momentos antes da invasão do Capitólio.
Segundo Prescott, duas falas de Trump, proferidas em momentos distintos do discurso, foram juntadas na edição para sugerir que o presidente teria incentivado a invasão do Capitólio.
“Nós vamos marchar até o Capitólio e eu estarei lá com vocês […]. E nós lutaremos. Nós lutaremos à beça”, diz o trecho.
A edição da BBC também não incluiu um trecho em que Trump, que não aceitou a derrota eleitoral para Joe Biden, dizia a seus apoiadores que queria que eles protestassem de forma “pacífica e patriótica”.
Prescott também criticou a redação em árabe da BBC, acusando-a de ter um viés anti-Israel na cobertura da guerra na Faixa de Gaza e de trabalhar com colaboradores que manifestaram visões antissemitas. Ele também afirmou que a emissora adotou uma posição militante em relação a questões de gênero, recusando-se a cobrir “qualquer história que levantasse questões difíceis”.
Após a divulgação do dossiê por Prescott, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, referiu-se à BBC como “100% fake news” e a chamou de “máquina de propaganda”.
O então diretor-geral da emissora, Tim Davie, e a CEO da BBC News, Deborah Turness, renunciaram a seus cargos no fim do ano passado.
*Com informações das agências de notícias Reuters e Deutsche Welle.