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Barracão sem banheiro, com buracos no telhado e fiação exposta: Veja onde trabalhador que recebia R$ 300 por mês morava

por Gilberto Cruz
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Minas Gerais lidera ranking nacional de trabalhadores em situação análoga à escravidão
Um barracão de alvenaria sem banheiro, com buracos no telhado e fiação elétrica exposta. Era nesse local que um trabalhador resgatado em condições análogas à escravidão foi encontrado na zona rural de Montes Claros.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o homem, de 64 anos, não tinha um espaço adequado para dormir, usava um fogão a lenha em condições precárias para cozinhar e não possuía acesso à água potável. Para fazer suas necessidades, recorria à mata ao redor do imóvel.
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Local onde o homem dormia
MTE
“Recrutado em sua região de origem em 2012, sem conhecimento prévio da remuneração, o trabalhador recebia R$ 300 mensais, sem registro em carteira e sem o pagamento de qualquer verba trabalhista”, detalhou o MTE.
O homem vivia há 14 anos no local, onde era responsável por cuidar do gado. Ele contou aos fiscais do MTE que chegava a andar 16 quilômetros por dia, pelo menos três vezes por semana, para buscar alimento para os animais, uma jornada que começava ainda de madrugada, entre 3h e 4h. Após retornar, dava a comida para os bois e ia cuidar da própria alimentação já durante a tarde. Essa era sua primeira refeição do dia.
Homem usava fogão a lenha para cozinhar
MTE
Ainda de acordo com o MTE, o trabalhador não recebia alimentos nem as roupas necessárias para a execução do serviço. Para sobreviver, ele sempre contou com a ajuda de vizinhos. Em uma ocasião, chegou a ser picado por cobra e andou mais de um quilômetro até outra propriedade, onde recebeu socorro.
Os auditores fiscais notificaram os responsáveis pela propriedade e fizeram o encaminhamento do homem para órgãos de assistência social do município. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
“A remuneração irrisória, a moradia degradante e o longo período de permanência no local foram determinantes para a caracterização do trabalho escravo contemporâneo”, destacou o MTE.
Fiação elétrica ficava exposta no imóvel
MTE
Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas em um canal específico: o Sistema Ipê, disponível pela internet. O denunciante não precisa se identificar; basta acessar o sistema e inserir o maior número possível de informações.
A ideia é que a fiscalização possa, a partir dessas informações, analisar se o caso de fato configura trabalho análogo à escravidão e realizar as verificações no local.
Fiscais durante o resgate do trabalhador
MTE
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