Banco Mundial nomeia ganhador do Prêmio Nobel como economista-chefe. | G1

Banco Mundial nomeia ganhador do Prêmio Nobel como economista-chefe. | G1

Ele assume seu novo cargo no dia 1º de outubro, pouco antes das reuniões anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional em Bangkok, na Tailândia.

Kremer é conhecido por usar pesquisas detalhadas no desenvolvimento de soluções para problemas reais. Seus estudos ajudaram a criar programas para pequenos agricultores e garantiram vacinas e atendimento de saúde nas escolas para milhões de pessoas.

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“Michael dedicou sua carreira não apenas a identificar o que funciona no desenvolvimento, mas também a comprovar isso em grande escala. E esse é exatamente o tipo de pensamento de que precisamos”, afirmou o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, em comunicado.

Ele se junta a nós em um momento em que o mundo precisa de soluções ousadas para seus desafios de desenvolvimento mais urgentes, incluindo a criação de empregos que atendam às aspirações de mais de 1,2 bilhão de jovens que atingirão a idade produtiva na próxima década”, disse Banga.

Presidente do Bando Mundial, Ajay Banga, na Carolina do Norte, EUA, em setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Sam Wolfe

Juros altos

Kremer ingressa no banco em um momento em que os países em desenvolvimento enfrentam o aumento das taxas de juros e dos preços da energia, na esteira da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Esses desafios se somam a uma queda de 23% na assistência oficial ao desenvolvimento em 2025 — a mais acentuada já registrada —, sendo os EUA responsáveis pela maior parte dessa redução.

O economista entra no banco no momento em que as nações em desenvolvimento sofrem com a alta dos juros e dos custos de energia, consequência da guerra dos Estados Unidos contra o Irã.

Esses problemas se somam ao tombo de 23% na ajuda oficial ao desenvolvimento em 2025, o maior já registrado, com os EUA sendo os principais responsáveis por esse corte.

Kremer é o primeiro economista a assumir o cargo no banco já com um Prêmio Nobel. Outros nomes, como Joseph Stiglitz e Paul Romer, só receberam o prêmio depois que terminaram seus mandatos como economistas-chefes.

Atualmente, Kremer dirige o Laboratório de Inovação para o Desenvolvimento da Universidade de Chicago. Suas pesquisas têm focado em inovações nas áreas de educação, saúde, água, finanças e agricultura em países em desenvolvimento.

“O Grupo Banco Mundial possui uma enorme capacidade de pesquisa para desenvolver e testar soluções inovadoras para os problemas de desenvolvimento — e o alcance operacional para ampliá-las e melhorar a vida das pessoas”, afirmou Kremer em comunicado.

O economista diz que o mundo enfrentou enormes desafios, mas as novas tecnologias ofereceram oportunidades para impulsionar o crescimento.

Em 2024, ele fez o discurso de abertura em um evento do Banco Mundial que teve como tema “A Grande Incoerência: Crescimento e Desenvolvimento Humano em uma Era de Estagnação“.

Na ocasião, ele pediu mudanças para ajudar os países a atingir metas ousadas de desenvolvimento, inclusive pelo financiamento de testes para novos projetos e pelo apoio a pesquisas de novas tecnologias — pontos cobrados por Banga desde que assumiu o cargo, em 2023.

Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer venceram o Nobel de Economia de 2019 — Foto: Jonathan Nackstrand / AFP

Vida pessoal

Kremer é casado com a economista britânica Rachel Glennerster, que trabalhou para o governo do Reino Unido e para o Fundo Monetário Internacional (FMI) antes de assumir a presidência do Centro para o Desenvolvimento Global, em Washington, em setembro de 2024.

O casal entrou para a Giving What We Can na época de seu lançamento, em 2009. A organização sem fins lucrativos reúne mais de 10 mil membros comprometidos em doar 10% de seus rendimentos para instituições de caridade eficientes.

Em 2010, ele cofundou a Development Innovation Ventures, um fundo administrado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, que foi encerrado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, logo após seu retorno à Casa Branca no ano passado.

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