Brasil vendeu, só neste ano, milhares de produtos médicos ilegais, como medidor de pressão e termômetro
Equipamentos médicos vendidos de forma irregular, principalmente pela internet, estão cada vez mais presentes no mercado brasileiro.
Entre os equipamentos comercializados estão medidores de pressão, termômetros, balanças, inaladores e nebulizadores. Além de não seguirem a legislação, os produtos piratas não possuem certificação do Inmetro e podem apresentar falhas na medição ou no funcionamento.
Medidores de pressão ilegais superam os legalizados
Os números mostram o tamanho do problema. No primeiro semestre, foram vendidos cerca de 446 mil medidores de pressão legais no Brasil, contra 506 mil unidades ilegais — uma diferença de aproximadamente 13,5% a favor dos produtos irregulares.
De acordo com Marcelo Moraes, diretor do Inmetro, o crescimento dos produtos ilegais está relacionado à popularização das compras pela internet.
“Isso acontece principalmente pela facilidade de acesso pelo e-commerce, pela falta de conhecimento tanto do dos pequenos comerciantes que vai comprar também das próprias plataformas na hora de maus comerciantes, maus importadores para entregar produtos de baixa qualidade”, afirma.
Para combater a venda irregular, o órgão passou a utilizar tecnologia para identificar anúncios de produtos que não estão em conformidade. Entre as estratégias estão o uso de inteligência artificial para rastrear ofertas nas plataformas, a notificação dos responsáveis e a retirada dos anúncios do ar.
Balanças, termômetros, inaladores: equipamentos médicos piratas dominam vendas online e podem oferecer risco à saúde
Reprodução/TV Globo
Equipamentos podem apresentar resultados errados
Um dos principais riscos dos produtos piratas é a falta de precisão. Uma balança pode indicar um peso diferente do real, enquanto um termômetro pode apresentar uma temperatura incorreta. Já inaladores e nebulizadores podem liberar uma quantidade maior ou menor de vapor do que deveriam.
O problema pode ser ainda mais grave quando o equipamento é utilizado para acompanhar uma condição de saúde. Um resultado incorreto pode fazer com que uma pessoa tome uma decisão inadequada.
A cardiologista Fátima Cintra afirma que médicos recomendam que pacientes monitorem a pressão arterial em casa, mas ressalta que o procedimento deve ser feito com equipamentos certificados pelo Inmetro. Segundo ela, leituras incorretas podem estar relacionadas ao aumento da mortalidade cardiovascular.
Um paciente que recebe uma leitura equivocada pode, por exemplo, acreditar que a pressão está normal quando, na verdade, não está.
“O paciente perde a oportunidade de fazer um tratamento e ter um benefício não hoje, mas lá na frente”.
Balanças, termômetros, inaladores: equipamentos médicos piratas dominam vendas online e podem oferecer risco à saúde
Reprodução/TV Globo
Como identificar produtos irregulares
O alerta não vale apenas para equipamentos utilizados diretamente na área da saúde. Produtos comercializados sem fiscalização também podem causar prejuízos financeiros ao consumidor.
“Se ele vende uma balança, por exemplo, por quilo, pode entregar 1,2 quilo e cobrar por 1 quilo. O consumidor também pode pagar por 1 quilo e receber apenas 900 gramas. Isso vale para qualquer outro instrumento. Não é um bom negócio”, alerta Carlos Alberto Amarante, presidente da Abrapem.
Uma das recomendações apresentadas na reportagem é verificar a presença do selo do Inmetro antes da compra. Equipamentos sem certificação podem não ter passado pelos controles necessários para garantir que funcionem de acordo com as especificações.
A orientação é redobrar a atenção principalmente em compras pela internet, onde a facilidade de publicação de anúncios pode favorecer a oferta de produtos irregulares.
Brasil vendeu, só neste ano, milhares de produtos médicos ilegais, como medidor de pressão e termômetro
Reprodução/TV Globo
Balanças, termômetros, inaladores: equipamentos médicos piratas dominam vendas online e podem oferecer risco à saúde
Balanças, termômetros, inaladores: equipamentos médicos piratas dominam vendas online e podem oferecer risco à saúde