Ataques a infraestruturas de gás e temor de escalada no Oriente Médio afetam bolsas mundiais | G1

Ataques a infraestruturas de gás e temor de escalada no Oriente Médio afetam bolsas mundiais | G1

Com o risco de uma nova alta da inflação global, bancos centrais adotam cautela em relação a possíveis cortes nas taxas de juros.

Na Europa, três das quatro principais bolsas europeias registravam quedas de 2% ou mais por volta do meio-dia. O índice de Frankfurt liderava as perdas, com recuo de 2,56%, seguido por Milão (-2,46%) e Londres (-2,19%). Em Paris, o índice CAC 40 caía 1,83%.

Nos Estados Unidos, Wall Street também abriu em baixa. Os contratos futuros apontavam queda de 0,37% para o Dow Jones Industrial Average, 0,54% para o Nasdaq Composite e 0,38% para o S&P 500.

Mesmo com alguma estabilização ao longo do dia, os preços da energia continuam pressionando os mercados. O Brent crude oil, referência global do petróleo, era negociado a US$ 113,92 por barril, alta de 6,09%.

Mais cedo, o barril chegou a US$ 118,03, cerca de 10% acima do valor do dia anterior.

Já o contrato futuro de gás natural TTF natural gas futures — referência na Europa — subia 17,47%, para € 64,21 por megawatt-hora.

Instalações de produção de gás natural liquefeito da Qatar Energy em 2 de março de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer

Escalada dos ataques

Nas últimas 24 horas, importantes campos de petróleo e gás no Oriente Médio, ao redor do Golfo, foram alvos de ataques, aumentando os temores de uma crise de produção e abastecimento. “A escalada geopolítica atingiu um novo patamar”, observou o analista John Plassard, chefe de estratégia de investimentos do Cité Gestion Private Bank.

“Os mercados de ações estão sendo pressionados pelo medo, pelos ataques a instalações de GNL (gás natural liquefeito) no Catar e pelo fato de o Fed não ter pressa em socorrer os mercados”, disse Neil Wilson, analista da Saxo Markets.

“Israel atacou o campo de gás de South Pars, no Irã, provocando retaliação de Teerã, que lançou ataques contra o terminal de gás natural liquefeito de Ras Laffan, no Catar, e ameaçou realizar novos ataques contra outros países do Golfo”, observou ele.

No Kuwait, duas refinarias também foram incendiadas após um ataque com drones na manhã desta quinta-feira (19).

Banco da Inglaterra mantém juros

O Banco da Inglaterra (BoE) manteve sua taxa básica de juros inalterada em 3,75% nesta quinta-feira, seguindo a liderança do Fed no dia anterior, e adiando indefinidamente o retorno à meta de inflação, devido à disparada dos preços da energia.

“A guerra no Oriente Médio elevou os preços da energia globalmente. Isso já é visível nos postos de gasolina e, se continuar, contribuirá para contas de energia mais altas para as famílias este ano”, alertou o presidente do Banco Central britânico, Andrew Bailey.

Na quarta-feira, o Fed, manteve sua taxa básica de juros inalterada, mas o presidente, Jerome Powell, alertou que “as repercussões dos eventos no Oriente Médio sobre a economia dos EUA são incertas”.

“No curto prazo, o aumento dos preços da energia elevará a inflação geral”, advertiu ele.

Reunião do BCE

Os mercados aguardam agora a reunião do Banco Central Europeu (BCE), na tarde desta quinta-feira. A expectativa é que as taxas de juros no bloco subam, diante da alta dos preços do petróleo e dos riscos de inflação na zona do euro. Mas a mensagem da presidente, Christine Lagarde, será analisada com atenção.

“A declaração do BCE provavelmente será restritiva, possivelmente indicando um aperto da política monetária ainda este ano, dependendo da duração do conflito no Oriente Médio e de seu impacto a médio prazo nos preços do petróleo”, prevê o analista Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote.

O conflito levou a uma quase paralisação do Estreito de Ormuz pelo Irã – uma importante via navegável por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.

O impacto já é sentido na Europa nos preços dos combustíveis e nas empresas, principalmente nas que consomem muita energia. Caso o conflito se prolongue, economistas alertam para o risco de crescimento ainda mais fraco combinado com inflação mais alta — um cenário especialmente desafiador para o BCE.

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