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Apple sobe preços de MacBooks e iPads após disparada da memória | G1

por Gilberto Cruz
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O reajuste mostra que nem mesmo a Apple, considerada referência pela eficiência de sua cadeia de suprimentos, conseguiu escapar da disparada dos preços da memória, que já começa a afetar o mercado de eletrônicos.

Fabricantes de memória, como a Micron, têm priorizado o fornecimento para empresas de chips de IA, como a Nvidia, o que elevou seus lucros, mas reduziu a oferta para fabricantes de computadores e smartphones.

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“Nunca vimos um aumento no preço de componentes tão grande e tão rápido”, afirmou a Apple em comunicado. “Até agora conseguimos proteger nossos clientes desses aumentos, mas chegamos a um ponto em que precisamos começar a elevar os preços de diversos produtos.”

Entre os principais reajustes:

  • MacBook Neo: de US$ 599 para US$ 699 (de R$ 3.114 para R$ 3.634);
  • MacBook Air (512 GB): de US$ 1.099 para US$ 1.299 (de R$ 5.715 para R$ 6.755);
  • MacBook Pro (1 TB): de US$ 1.699 para US$ 1.999 (de R$ 8.835 para R$ 10.395);
  • iPad Air (128 GB): de US$ 599 para US$ 749 (de R$ 3.114 para R$ 3.894).

A empresa também elevou os preços das duas versões do HomePod e do Apple TV. Após o anúncio, as ações da Apple caíam quase 5%, enquanto os papéis da Dell recuavam mais de 8%.

Rivais podem subir preços ainda mais

Analistas avaliam que outras fabricantes de eletrônicos podem precisar promover reajustes ainda maiores que os da Apple, já que a empresa possui relações mais fortes com fornecedores e conseguiu adiar parte do impacto.

“O cenário para memória é difícil e continuará estruturalmente apertado no futuro previsível”, afirmou Ben Bajarin, CEO da consultoria Creative Strategies.

A Apple já havia alertado, em abril, que o aumento dos custos de memória começaria a pressionar suas margens de lucro a partir do fim de junho.

“Esperamos custos significativamente maiores com memória”, disse o CEO Tim Cook durante teleconferência com analistas. Segundo ele, esse impacto tende a aumentar nos próximos trimestres.

Tim Cook, CEO da Apple — Foto: Reprodução

Próximo alvo pode ser o iPhone

A Apple não informou quais outras medidas está adotando para conter a alta dos custos além dos reajustes de preços.

Especialistas acreditam que os iPhones também deverão ficar mais caros nos próximos meses.

“O iPhone não escapará; o aumento de preço está a caminho”, disse Nabila Popal, diretora sênior de pesquisas da IDC.

Segundo ela, a Apple anunciou primeiro os reajustes dos Macs e iPads para que, no lançamento da próxima geração de iPhones, o foco fique nas novidades dos aparelhos, e não nos preços.

Explosão dos preços da memória

Segundo a consultoria TrendForce, os preços da memória DRAM — usada na maior parte dos dispositivos eletrônicos — subiram até 98% no primeiro trimestre de 2026 e devem avançar mais 58% a 63% no trimestre atual.

A disparada, apelidada por especialistas de “RAMageddon”, é consequência do boom na construção de data centers de IA. Empresas como a Nvidia fecharam contratos de longo prazo com fabricantes de memória, que correm para ampliar sua capacidade de produção.

Na quarta-feira (24), a Micron informou ter fechado US$ 22 bilhões (cerca de R$ 114,4 bilhões) em contratos de fornecimento de longo prazo para garantir memória a seus clientes.

A expectativa é que o aumento dos custos pressione as vendas de eletrônicos em 2026. A IDC projeta que o mercado global de smartphones registre sua maior queda anual da história, de quase 14%, enquanto as vendas de computadores deverão recuar 11,3%.

“O cenário para a memória é difícil e continuará estruturalmente desafiador no futuro próximo”, afirmou Ben Bajarin, CEO da consultoria Creative Strategies. “Já havia sinais de que a Apple precisaria aumentar os preços. E, se uma empresa com uma cadeia de suprimentos tão eficiente quanto a da Apple precisou fazer isso, há preocupação de que o restante da indústria tenha de elevar os preços ainda mais.”

Um dos poucos destaques positivos vinha sendo justamente o MacBook Neo, lançado em março. O modelo ajudou a impulsionar as vendas da Apple e levou parte do mercado a revisar para cima as projeções para o setor de PCs.

Com o aumento para US$ 699 (R$ 3.634), porém, o notebook perdeu a vantagem de US$ 100 (R$ 520) que tinha sobre o novo Dell XPS 13, lançado no mês passado pelo mesmo preço (US$ 699, ou R$ 3.634), além de passar a custar mais do que alguns Chromebooks da Lenovo e da Asus.

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