Após aprovação de Daniel Perez pelo Senado dos EUA, governo Lula mantém posição de analisar indicação depois das eleições

Após aprovação de Daniel Perez pelo Senado dos EUA, governo Lula mantém posição de analisar indicação depois das eleições


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não se sente pressionado, e enxerga que a aprovação do nome de Daniel Perez para novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, pelo Senado americano, não muda o cenário e nem a posição que adotou de segurar a análise da aprovação de Perez só para depois das eleições.
Na avaliação de assessores presidenciais, conceder de imediato agora o agrément, a autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma suas funções no país, seria o mesmo que ceder à chantagem americana dos últimos meses, o que está fora de cogitação.
O impasse sobre o sinal verde a Daniel Perez levou a uma escalada na relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
Senado dos Estados Unidos aprova Daniel Perez como embaixador no Brasil
Na terça-feira (4), o Departamento de Estado anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, afirmando que a medida era uma resposta à demora na autorização para a nomeação de Perez.
O governo americano também indicou que a decisão poderia ser revista caso o Brasil concedesse o agrément.
Diplomatas afirmam que a última ação do governo americano tornou quase que nula a chance de uma concessão do agrément a Perez. E entendem que a crise dificilmente será contornada até as eleições presidenciais do Brasil, em outubro deste ano.
A indicação de Perez para ser embaixador dos EUA foi feita sem consulta formal prévia ao governo brasileiro, o que causou incômodo no Itamaraty.
🔎 Na formalidade diplomática, os governos costumam fazem uma consulta formal e confidencial sobre o nome que desejam indicar para comandar a embaixada – o chamado “agrément” – para só depois anunciarem o escolhido para ocupar o cargo de embaixador.
Daniel Perez, o escolhido pelo governo de Donald Trump para ser embaixador do país no Brasil, é um parlamentar da Flórida. Ele é filho de cubanos e foi indicado pelo Departamento de Estado, responsável pelas relações exteriores dos Estados Unidos.
Deputado desde 2017, Daniel Perez preside a Câmara dos Representantes da Flórida.
Getty Images via BBC
A Convenção de Viena, da qual Brasil e Estados Unidos fazem parte, não estabelece prazo para a concessão do agrément, que é a autorização do país anfitrião para a nomeação de um embaixador.
Em junho deste ano, o presidente Donald Trump indicou Daniel Perez para chefiar a missão diplomática no Brasil.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é que a decisão do governo Trump, anunciada após a segunda rodada do tarifaço contra produtos brasileiros, faz parte de uma estratégia para aumentar a pressão sobre o governo Lula e influenciar o cenário eleitoral brasileiro.
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