Aperto no orçamento leva brasileiros a buscar renda extra, e maioria diz não conseguir pagar contas, aponta Datafolha | G1

Aperto no orçamento leva brasileiros a buscar renda extra, e maioria diz não conseguir pagar contas, aponta Datafolha | G1

Ao mesmo tempo, a maioria afirma que o que ganha hoje não é suficiente para cobrir despesas básicas.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas em 117 municípios nos dias 8 e 9 de abril. Os dados indicam que 59% dos entrevistados sentem que a renda familiar é insuficiente para pagar despesas, enquanto cerca de 45% recorreram a trabalhos adicionais — formais ou informais — para complementar o orçamento.

O movimento é mais intenso entre famílias de baixa renda. Entre quem ganha até dois salários mínimos, a percepção de insuficiência chega a aproximadamente 73%.

Veja os vídeos em alta no g1

Vídeos em alta no g1

Esse grupo também aparece com maior pressão para buscar alternativas, como serviços temporários, vendas informais e atividades por conta própria.

Queda na renda familiar

O levantamento também mostra deterioração recente nos ganhos, com cerca de 40% dos entrevistados relatando queda na renda familiar nos últimos meses.

A perda é mais frequente entre pessoas de 35 a 44 anos, faixa etária em que quase metade (49%) afirma ter visto o orçamento encolher.

Outro recorte revela que a busca por renda extra é mais comum entre pessoas com maior escolaridade.

Segundo a pesquisa, isso ocorre porque esses grupos tendem a estar mais inseridos no mercado de trabalho e, portanto, têm mais oportunidades — ainda que muitas vezes precárias — de ampliar os ganhos.

Mulheres lideram percepção de piora financeira

Dados do Datafolha indicam que as mulheres lidam com mais dificuldade para fechar as contas e têm uma percepção mais negativa sobre a própria situação econômica.

As mulheres aparecem com maior frequência entre quem afirma que a renda não cobre despesas básicas e também lideram entre os que classificam a vida financeira como ruim ou péssima.

O impacto desse cenário vai além do bolso: elas relatam mais insegurança, desânimo e preocupação com dinheiro do que os homens.

Os números reforçam essa diferença. Cerca de 44% das mulheres dizem ter humor financeiro ruim ou péssimo, ante 36% dos homens. No geral, quatro em cada dez brasileiros demonstram algum nível de insatisfação com suas finanças.

Parte dessa desigualdade está ligada à renda. Mulheres seguem mais concentradas nas faixas salariais mais baixas e, em média, ganham menos — com diferenças que podem chegar a cerca de 30% em cargos de liderança. Além disso, têm menor participação no mercado de trabalho, o que reduz as possibilidades de ampliar ganhos.

O endividamento também pesa mais. Um percentual maior de mulheres afirma estar negativado, sinalizando maior dificuldade para manter as contas em dia.

Postagens relacionadas

Fiat, Jeep, Peugeot e RAM serão o foco dos investimentos da Stellantis | G1

Mistura de etanol na gasolina: aumento para 32% elevará demanda | G1

China x EUA: Por que Xangai constrói mais rápido que Nova York? | G1