Anvisa suspende testes clínicos de novo tratamento após três mortes em estudos

Anvisa suspende testes clínicos de novo tratamento após três mortes em estudos


Novartis suspende estudos no país
Arnd Wiegmann/Reuters
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária suspendeu, nesta segunda-feira (14), os ensaios clínicos brasileiros de uma terapia celular experimental da Novartis usada contra doenças autoimunes raras e graves. A medida foi tomada após uma suspensão global dos estudos pela morte de três pacientes por uma reação imunológica grave.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e interrompe imediatamente os testes em humanos e a entrada de novos voluntários no país.
O produto é o rapcabtageno autoleucel, conhecido como rap-cel, uma terapia do tipo CAR-T. Nesse tipo de tratamento, células de defesa do próprio paciente são retiradas do corpo, modificadas em laboratório para reconhecer e atacar um alvo específico, e depois devolvidas à circulação.
A técnica já é usada com sucesso contra alguns tipos de câncer. Nos últimos anos, farmacêuticas passaram a testar a mesma abordagem para doenças autoimunes, nas quais o sistema imunológico ataca o próprio organismo.
No Brasil, os estudos afetados pela suspensão testavam o rap-cel em pacientes com granulomatose com poliangeíte, poliangeíte microscópica, lúpus eritematoso sistêmico, nefrite lúpica e esclerose sistêmica cutânea difusa. São três protocolos de fase 2, etapa em que se avalia principalmente a segurança do medicamento em um número maior de pacientes.
Para quem já participa dos protocolos brasileiros, os pesquisadores devem manter o acompanhamento clínico, já que a suspensão vale para novos procedimentos e recrutamentos, não para a interrupção do monitoramento dos voluntários já tratados.
O g1 procurou a Novartis, mas não teve retorno até a publicação.
O que motivou a suspensão
O gatilho veio de fora do Brasil. A Novartis foi notificada de três casos de uma reação imunológica grave e potencialmente fatal, em que o sistema de defesa do organismo reage de forma exagerada e passa a atacar os próprios órgãos. Os pacientes faziam parte dos testes clínicos.
As complicações levaram às três mortes que motivaram a pausa global dos testes.
Essa reação é um risco já conhecido das terapias CAR-T, segundo a empresa. A companhia informou que está revisando os casos com comitês independentes de segurança para entender por que a resposta não foi controlada e como detectar sinais de alerta mais cedo.
Os estudos de rap-cel para câncer, como leucemia e linfoma, não foram atingidos pela pausa, já que a segurança observada nesses pacientes segue dentro do esperado para a classe de medicamentos.

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