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Anvisa emite alerta para uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico

por Redação
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Brasil registra seis mortes suspeitas por pancreatite associadas a canetas emagrecedoras
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre o uso de canetas para o tratamento de obesidade e diabetes sem acompanhamento médico e para doenças que não estão aprovadas nas bulas dos medicamentos.
O documento, divulgado nesta segunda-feira (9), cita o aumento de notificações de casos de pancreatite associados ao uso de medicamentos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro.
Como o g1 publicou em primeira mão, o Brasil tem seis casos de mortes por pancreatite sob investigação. Além disso, também são analisados mais de 200 casos de pessoas que tiveram problemas no pâncreas durante o uso dos medicamentos.
O alerta da Anvisa inclui todos os medicamentos que contenham semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida. Isso abrange todas as canetas registradas no país.
A pancreatite associada ao uso desses remédios ganhou atenção após um alerta do Reino Unido: no país, há 19 mortes associadas ao uso das canetas. Os casos são considerados incomuns e raros, mas foram graves, incluindo pancreatite necrosante e fatal, segundo a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido.
Embora a pancreatite já esteja descrita como reação adversa na bula desses medicamentos no Brasil, a Anvisa afirma que houve um aumento recente de notificações e que as canetas devem ser usadas exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sempre com prescrição e acompanhamento de profissional habilitado.
Mulher aplica caneta emagrecedora no abdômen
Reprodução/TV Globo
Entenda a pancreatite
O que é a pancreatite? A pancreatite é uma inflamação do pâncreas, órgão que fica na região do abdômen e tem papel central na digestão e no controle do açúcar no sangue. É ele que produz enzimas que ajudam a digerir os alimentos e hormônios como a insulina, responsável por regular a glicose no organismo.
Quando o pâncreas inflama, essas enzimas podem passar a “agredir” o próprio órgão, causando dor intensa, náuseas e alterações graves no funcionamento do corpo. Em quadros mais severos, a inflamação pode se espalhar, provocar falência de órgãos e levar à morte se não houver tratamento rápido.
O que o alerta da Anvisa quer evitar?
Atualmente, a maioria das canetas só é permitida para o tratamento da obesidade e diabetes. Há duas exceções que permitem outras indicações: a semaglutida (componente do Wegovy e Ozempic, por exemplo) para redução do risco de eventos cardiovasculares e o Mounjaro no tratamento da apineia. (Veja mais detalhes abaixo)
🔴Ou seja, qualquer indicação fora dessa lista de doenças é contraindicada pela agência. Isso acontece porque não há evidências suficientes de que possam ser usados em outros tipos de tratamentos, o que expõe os pacientes ao risco.
No documento, a Anvisa alerta que o risco ao paciente pode ser ainda maior quando estes medicamentos são utilizados para emagrecimento rápido ou fins estéticos, sem indicação clínica.
A agência também reforça que o tratamento deve ser interrompido imediatamente em caso de suspeita de pancreatite e não deve ser retomado se o diagnóstico for confirmado.

Casos de mortes por pancreatite no Brasil
O Brasil investiga seis mortes por pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras. Os casos são tidos como suspeitos e envolvem as principais marcas do mercado como Ozempic, Mounjaro, Saxenda.
A Anvisa alerta que, apesar de conter o nome comercial na notificação, o caso pode envolver um produto falsificado.
O levantamento da Anvisa, obtido em primeira mão pelo g1, aponta ainda mais de 200 casos de problemas no pâncreas.
De acordo com o painel Vigimed, que reúne as notificações enviadas ao órgão, são:
2 casos suspeitos de mortes por pancreatite associadas ao uso de Ozempic
3 casos suspeitos de mortes por pancreatite associadas ao uso de Saxenda
1 caso suspeito de morte associada ao uso de Mounjaro
Os registros ainda são considerados suspeitos até a análise final, que pode levar meses ou mesmo anos. A agência e os especialistas alertam que, ainda que a notificação cite as canetas, não é possível afirmar que há uma relação com o uso de canetas. Isso porque os pacientes alvo do tratamento já têm risco aumentado para pancreatite.
“A população precisa ser alertada. Esses remédios são importantes e salvam vidas, mas eles podem se tornar perigosos se usados por pessoas sem indicação ou de fontes duvidosas”, comenta Alexandre Hohl, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).
O que dizem as empresas
Novo Nordisk, responsável por Saxenda e Ozempic
A Novo Nordisk reforçou que há um aviso para efeitos sobre o pâncreas com uso de medicamentos da classe GLP-1 e que os pacientes devem ter acompanhamento médico.
Existe uma advertência de classe para todas as terapias baseadas em incretina (ou seja, agonistas do receptor GLP-1, agonistas duais GIP/GLP-1 e inibidores de DPP-4) referente ao risco de pancreatite. Vários fatores de risco estão implicados no desenvolvimento de pancreatite, incluindo diabetes e obesidade. A pancreatite aguda está incluída como uma reação adversa a medicamentos (RAM) nas bulas de todos os produtos GLP-1 RA comercializados, incluindo Ozempic®, Rybelsus® e Wegovy®, Victoza® e Saxenda®.
Os pacientes devem ser informados sobre os sintomas característicos e orientados a descontinuar o tratamento com semaglutida/liraglutida caso haja suspeita de pancreatite, e sugere-se ter cautela em pacientes com histórico de pancreatite prévia.
Elly Lilly, responsável por Mounjaro
A Elly Lilly disse que leva monitora os registros e informou que a inflamação no pâncreas é uma reação que há aviso no bula de seus medicamentos.
A bula de Mounjaro (tirzepatida) adverte que a inflamação do pâncreas (pancreatite aguda) é uma reação adversa incomum e aconselha os pacientes a conversarem com seu médico para obter mais informações sobre os sintomas de pancreatite e informar o médico e interromper o tratamento em caso de suspeita de pancreatite durante o tratamento com Mounjaro.

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