Antes da proibição das bets, o que defendiam os presidenciáveis | G1

Antes da proibição das bets, o que defendiam os presidenciáveis | G1

Um levantamento do g1 nos planos de governo apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos 13 candidatos à Presidência mostra que sete mencionavam os jogos de apostas.

🔎 A análise se restringe aos planos de governo e não inclui declarações em entrevistas, debates ou atos de campanha.

Nos programas que abordavam o tema, havia propostas para restringir o uso de dinheiro de programas sociais, proibir publicidade, endurecer a fiscalização e tratar o jogo compulsivo. Também havia críticas aos efeitos das apostas e menções ao setor no contexto do combate ao crime organizado e do financiamento do esporte.

Veja abaixo o que os candidatos registraram nos planos de governo.

Lula: controle de gastos e atendimento

Lula em evento com empresários em São Paulo, nesta sexta-feira (25). — Foto: Reprodução

O programa de Lula trata das apostas em dois momentos: nas propostas de saúde e nas medidas econômicas voltadas à proteção dos consumidores.

Na área da saúde, o documento prevê ampliar os profissionais e as estratégias de atendimento a pessoas afetadas pelos jogos.

“Ampliaremos os profissionais e as estratégias voltadas às pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas”, diz o plano, na página 39.

Na parte econômica, o compromisso era manter mecanismos de controle dos gastos excessivos, junto com medidas de acompanhamento do endividamento e de responsabilidade na oferta de crédito.

“Além disso, seguiremos monitorando a evolução do endividamento das famílias e das empresas, assegurando a continuidade dos fundos garantidores, mantendo os mecanismos de controle de gastos excessivos em apostas on-line e aprimorando as regras de oferta e responsabilidade na concessão de crédito, conferindo maior proteção aos consumidores”, afirma o documento, na página 49.

O plano não propõe a proibição das bets.

Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, faz campanha no Rio — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O plano de Flávio Bolsonaro (PL) propõe impedir que recursos de programas sociais sejam usados em apostas, além de promover campanhas educativas sobre os riscos de endividamento com jogos.

“Vamos proibir o uso dos recursos dos programas sociais para apostas, porque dinheiro destinado a pôr comida na mesa não pode escoar para a casa de apostas, e promover campanhas educativas e de conscientização sobre os riscos do endividamento com jogos”, diz o texto, na página 33.

O documento também prevê ampliar a orientação financeira pela Caixa para ajudar a população a organizar o orçamento, sair do endividamento e poupar.

Em outro trecho, sobre autonomia econômica das mulheres, o plano menciona programas de orientação financeira que incluam a proteção da renda familiar diante do impacto das apostas.

Caiado: regras mais rígidas e proibição de publicidade

Ronaldo Caiado, candidato pelo PSD à Presidência, faz campanha em São Paulo — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Ronaldo Caiado (PSD) dedica um tópico ao enfrentamento dos jogos e das apostas on-line como ameaça econômica, social e de saúde pública.

O plano propõe endurecer a regulamentação e proibir a publicidade em veículos de comunicação de massa e nas redes sociais.

“Regulamentar e endurecer as regras, com máximo rigor, dos jogos e das apostas on-line, atividade inexistente no país até 2018 e hoje associada à lavagem de dinheiro, uso de contas de terceiros, manipulação de identidades, fraudes, evasão fiscal e riscos à integridade esportiva, com proibição da publicidade em veículos de comunicação de massa e em redes sociais”, afirma o documento, na página 19.

O programa também prevê prevenção, acolhimento e tratamento do jogo compulsivo, chamado de ludopatia. No trecho sobre superendividamento, menciona a criação de um teto, mas não informa o valor nem detalha como funcionaria.

Outra proposta é a repressão às plataformas ilegais.

“Priorizar as ações do Ministério da Segurança Pública na repressão das plataformas ilegais de jogos e apostas, com trilha de inteligência financeira dedicada ao setor, mecanismos céleres de bloqueio administrativo e judicial, interrupção de fluxos financeiros, responsabilização de operadores clandestinos, combate à publicidade irregular e cooperação internacional permanente”, detalha o programa.

Na área esportiva, o texto prevê monitorar apostas e combater a manipulação de competições.

Hertz e Edmilson: proibição e expropriação

Os programas de Hertz Dias (PSTU) e Edmilson Costa (PCB) são os únicos entre os 13 analisados que propõem expressamente proibir as bets. Ambos também defendem a expropriação de recursos ligados às empresas.

Hertz Dias, candidato à Presidência pelo PSTU, faz campanha em Pernambuco — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O plano de Hertz prevê destinar o capital das bets e de seus proprietários a um fundo público de saúde para tratar a ludopatia. Também propõe impedir transações bancárias com essas empresas.

“Proibição das Bets, expropriação de seu capital e de seus proprietários e sua reversão a um fundo público de saúde para o tratamento de ludopatia, com a proibição aos bancos de realizarem transações financeiras a essas empresas”, afirma o documento, nas páginas impressas 26 e 27.

Edmilson Costa, candidato à Presidência pelo PCB, faz campanha em São Paulo — Foto: Jornal Nacional/Reprodução

No programa de Edmilson, a proposta aparece em uma frase, sem detalhamento sobre a execução:

“Proibição das BETs com a expropriação dos seus ativos.” O trecho está na página 13.

Samara: críticas ao endividamento e ao vício

Samara Martins, candidata do partido Unidade Popular à Presidência, faz campanha em Belo Horizonte — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O plano de Samara Martins (UP) critica as casas de apostas em um capítulo sobre acesso ao esporte. O documento associa as bets à perda de renda dos trabalhadores, ao endividamento e ao vício.

“Não bastasse, casas de apostas promovem um verdadeiro assalto do salário do trabalhador prometendo dinheiro fácil a quem apostar em jogos. O resultado é que milhões de pessoas estão endividadas e viciadas nas chamadas bets, um crime contra a economia popular que fica impune dado o imenso poder do capital na sociedade”, afirma o texto, na página 41.

Na sequência, o plano diz que é preciso “acabar com essa roubalheira” e democratizar o acesso ao esporte. Não apresenta, porém, uma proposta explícita de proibição ou detalha medidas de regulamentação das apostas.

Grassi: investigação patrimonial e financiamento do esporte

Wilson Grassi, candidato à Presidência pelo Democratas, fala sobre propostas de governo — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Wilson Grassi (Democrata) menciona casas de apostas nas propostas de combate ao crime organizado. O documento inclui o setor entre os alvos de investigação patrimonial.

“Prioridade de orçamento e de pessoal para investigação patrimonial: laranja, empresa de fachada, posto de combustível, transportadora, clínica, casa de apostas”, diz o plano, na página 21.

Na área esportiva, o programa discute os efeitos de redirecionar parte da arrecadação das apostas de quota fixa para fundos de segurança pública. O texto afirma que o governo precisa definir como financiar as duas áreas e remete essa discussão à negociação orçamentária do primeiro ano.

Seis planos apresentados ao TSE não mencionam o tema

Tralli e Renata entrevistam Lula, candidato à reeleição pelo PT; veja íntegra

Tralli e Renata entrevistam Flávio Bolsonaro, candidato a presidente pelo PL; veja íntegra

Augusto Cury (Avante) é entrevistado por César Tralli e Renata Vasconcellos; veja íntegra

Renan Santos (Missão) é entrevistado por César Tralli e Renata Vasconcellos; veja íntegra

Ronaldo Caiado (PSD) é entrevistado por César Tralli e Renata Vasconcellos; veja íntegra

Romeu Zema (Novo) é entrevistado por César Tralli e Renata Vasconcellos; veja íntegra

Candidatos à Presidência da República em 2026: Lula, Flávio, Cury, Renan, Caiado, Zema, Clariana, Edmilson, Hertz, Rui, Samara, Wilson e Avalanche — Foto: Reprodução

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