Segundo o regulador, alguns consumidores que possuem esses sistemas têm aumentado a potência das usinas sem comunicar as distribuidoras ou a própria agência.
Essas mudanças podem causar dificuldades tanto para as redes locais de distribuição quanto para o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável por coordenar as linhas de transmissão e as grandes usinas do país.
Diante desse cenário, a Aneel decidiu que as distribuidoras deverão negar novos pedidos de conexão de geração distribuída quando o ONS identificar “inviabilidade” na rede local — ou seja, quando a entrada de mais geração puder comprometer a operação do sistema.
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A geração distribuída inclui desde painéis solares instalados em telhados até pequenas usinas com potência de até 5 megawatts. O modelo cresceu rapidamente nos últimos anos, impulsionado por benefícios tarifários.
Hoje, essa modalidade soma cerca de 47 gigawatts de potência e se tornou a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira.
Ao contrário de grandes hidrelétricas ou termelétricas, porém, a produção desse tipo de energia não pode ser controlada pelo operador do sistema, o que traz desafios para o equilíbrio da rede.
Mudanças de características
A Aneel afirma ter identificado casos em que usinas solares distribuídas alteraram suas características técnicas para aumentar a potência instalada sem informar o regulador ou as distribuidoras. Segundo o diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, há inclusive “casos de polícia”, com fraudes que serão “duramente penalizadas”.
“Se alguém burla alguma informação para levar vantagens, se está trazendo problema para outros, tem que ser responsabilizado”, afirmou Feitosa, acrescentando que a Aneel buscará responsabilização “civil e criminalmente”.
Segundo a agência, ampliações irregulares costumam ocorrer para manter benefícios tarifários da geração distribuída sem arcar com custos adicionais.
Esse tipo de prática pode provocar sobrecarga nas redes locais, aumentando o risco de interrupções no fornecimento de energia e dificultando a gestão do sistema elétrico nacional.
A Aneel ainda não tem estimativas sobre a dimensão do problema, mas já encontrou casos de aumento de potência sem autorização na rede de uma distribuidora do grupo CPFL. Agora, todas as concessionárias do país terão que realizar uma auditoria completa nas conexões de geração distribuída.
Pelas regras colocadas em consulta pública por 45 dias, se forem identificadas ampliações irregulares, as distribuidoras poderão cobrar dos consumidores o uso adicional da rede elétrica.
Mecanismos regulatórios
O diretor Gentil Nogueira, relator do processo, afirmou que já existem instrumentos regulatórios que permitem às distribuidoras lidar com essas situações, inclusive com a suspensão do fornecimento de energia e a recuperação de valores devidos.
A Aneel também determinou que as distribuidoras deverão negar novas conexões de geração distribuída em regiões onde o ONS já identificou limitações na rede de transmissão para escoar mais energia. Um exemplo citado são localidades no Mato Grosso.
“O ONS mesmo já está sinalizando que temos alguns pontos de restrição no sistema elétrico Mato Grosso, refletindo também nos sistemas de Rondônia e Acre. Isso certamente é o início de um processo crescente que vai atingir daqui a pouco no Mato Grosso do Sul e outros Estados”, disse o diretor Willamy Frota.
A HostDime opera com energia renovável proveniente de sua usina solar própria, localizada em Pilar-PB. — Foto: Freepik