Anabolizantes triplicam risco de morte e aumentam em 9 vezes chance de doença no coração, alerta médico; entenda

Anabolizantes triplicam risco de morte e aumentam em 9 vezes chance de doença no coração, alerta médico; entenda


Projeto da UNIFESP incentiva quem parar de usar “suco”, gíria para anabolizante
O uso de esteroides anabolizantes pode aumentar em três vezes o risco de morte, segundo o médico Clayton Macedo, coordenador do projeto “Saindo do Suco com Segurança”, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O risco de desenvolver miocardiopatia, uma doença que afeta o músculo do coração, é nove vezes maior entre os usuários, de acordo com o especialista.
Conhecidos como “suco” no ambiente das academias, os anabolizantes são utilizados por pessoas que buscam acelerar o ganho de massa muscular e alcançar mais rapidamente o corpo considerado ideal.
O problema, segundo os profissionais da Unifesp, é que a busca por resultados rápidos pode trazer consequências graves para diferentes órgãos do organismo.
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Riscos vão além do coração
O coração está entre os órgãos mais afetados pelo uso de anabolizantes. Segundo Clayton Macedo, além do aumento do risco de morte, os usuários têm uma probabilidade nove vezes maior de desenvolver miocardiopatia.
Mas os efeitos das substâncias não ficam restritos ao sistema cardiovascular.
O uso de anabolizantes também pode causar problemas no fígado, nos rins e no sistema hormonal. Entre as consequências apontadas pelos especialistas estão hepatite medicamentosa, tumores benignos e malignos no fígado e infertilidade, tanto em homens quanto em mulheres.
O sistema hormonal sexual também pode ser bloqueado pelo uso das substâncias.
Além dos efeitos físicos, os especialistas alertam para possíveis alterações comportamentais. Usuários podem apresentar aumento da ansiedade e da agressividade.
Por que o risco aumenta?
Segundo Macedo, alguns usuários chegam a combinar três tipos diferentes de anabolizantes. Parte das substâncias utilizadas sequer possui estudos em humanos e é destinada ao uso veterinário.
A combinação e o uso prolongado dos hormônios aumentam a preocupação dos médicos, principalmente quando as substâncias são utilizadas sem indicação para tratar uma deficiência hormonal.
Para o especialista, o problema já ultrapassou o universo do fisiculturismo e deve ser encarado como uma questão de saúde pública.
“Uma epidemia de mau uso de hormônios”, afirma Macedo.
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Redes sociais ajudam a alimentar o problema
A pressão para conquistar um corpo musculoso em pouco tempo é apontada pelos profissionais como um dos fatores que ajudam a explicar o uso das substâncias.
As redes sociais também têm papel nesse cenário, segundo Macedo. A exposição constante a corpos musculosos pode reforçar a busca por resultados rápidos e aumentar a pressão sobre quem deseja mudar a própria aparência.
O médico também critica profissionais que, segundo ele, podem transmitir uma falsa sensação de segurança para quem utiliza hormônios com finalidade estética.
Para Macedo, não existe dose segura de hormônios para pessoas que não têm deficiência desses hormônios. Ele também afirma que nenhum acompanhamento médico é capaz de garantir que o uso será seguro nesses casos.
Morte de fisiculturista acendeu alerta
A preocupação ganhou força após a morte do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos, em maio, em São Paulo.
Ganley tinha cerca de 2 milhões de seguidores nas redes sociais e falava abertamente sobre o uso de anabolizantes. Ele morreu de forma súbita após problemas cardíacos.
Segundo Macedo, a morte provocou aumento na procura pelo projeto da Unifesp por pessoas interessadas em interromper o uso de hormônios.
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Reprodução
Projeto ajuda quem quer parar
Criado pela Unifesp, o projeto “Saindo do Suco com Segurança” atende pessoas que querem abandonar os anabolizantes.
A iniciativa oferece acompanhamento de nutricionistas, psicólogos e outros profissionais. O objetivo é ajudar os usuários durante o processo de interrupção das substâncias e também lidar com questões psicológicas e possíveis recaídas.
Atualmente, 158 homens e quatro mulheres, com idade média de 38 anos, são acompanhados pelo projeto.
O grupo reúne pessoas de diferentes profissões, como advogados, empresários, policiais e trabalhadores da construção civil. Para os especialistas, o perfil mostra que o uso de anabolizantes não está restrito a atletas ou fisiculturistas.
Há ainda participantes que começaram a utilizar as substâncias na adolescência e permaneceram por anos consumindo hormônios.
A decisão de interromper o uso, porém, pode ser difícil. Além de lidar com os efeitos físicos e psicológicos, alguns usuários precisam se adaptar à mudança na própria aparência e aceitar a perda de parte da massa muscular conquistada durante o período de uso.
Para os profissionais da Unifesp, a interrupção deve ser acompanhada por uma equipe especializada, especialmente diante dos riscos associados ao uso prolongado dos anabolizantes.
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Reprodução/TV Globo

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