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Aliado de Vorcaro, ‘Sicário’ declarou à Receita coleção de relógios de luxo, incluindo item de R$ 2 milhões

por Gilberto Cruz
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O patrimônio declarado de Luiz Phillipi Mourão, apontado por investigadores como braço violento do banqueiro Daniel Vorcaro e conhecido como “Sicário”, aumentou em quatro vezes entre 2019 e 2024, chegando a cerca de R$ 12 milhões.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o ‘Sicário’, quando foi preso em outra investigação em MG
Reprodução
A maior parte dos bens está numa coleção de relógios declarada por ele com valores que somam R$ 6,7 milhões. (veja mais detalhes abaixo)
As informações estão nas declarações de Imposto de Renda (IR) de Mourão enviadas pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado.
Sicário foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. Sob custódia da Polícia Federal, ele atentou contra a própria vida e veio a óbito no dia 6 de março.
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Em cinco anos, o patrimônio de Mourão passou de R$ 2,9 milhões para R$ 11,9 milhões, um aumento de 301%. Mais da metade, 57%, está na coleção de relógios de luxo.
Segundo investigação da Polícia Federal (PF), Mourão recebia a quantia de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro como remuneração pelos “serviços ilícitos”.
Por outro lado, de acordo com as declarações enviadas, referentes aos anos-fiscais de 2020 a 2024, ele informou ter tido uma renda total de R$ 2,5 milhões, resultado do desempenho em empresas em que era sócio. O valor é menos de um terço do aumento patrimonial no período.
Esse aumento patrimonial também é difícil de justificar, uma vez que nem a dívida tomada, por meio de empréstimos, nem o pagamento realizado correspondem ao valor acrescido no período.
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Inconsistências na declaração
O patrimônio declarado por Mourão à Receita em 2024 foi de R$ 8,4 milhões.
No mesmo ano, entretanto, ele comprou três relógios avaliados em R$ 3,9 milhões, mas declarou apenas R$ 390 mil, referente as primeiras parcelas de cada um desses bens. Assim, a totalidade dos bens do Sicário em 2024, na verdade, é de R$ 11,9 milhões.
Além disso, há recorrentes retificações nas declarações, em que Mourão aumenta o valor ou até mesmo insere um novo bem que não foi declarado anteriormente.
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Por exemplo, o apartamento que tinha em Belo Horizonte, estava sendo informado pelo menos desde 2019 pelo valor de R$ 1 milhão. Mas, em 2021, a declaração trouxe o apartamento por um valor de R$ 550 mil. Em 2022, ele voltou a declarar o bem por R$ 1 milhão.
Com isso, em pelo menos duas declarações – dos anos-fiscais de 2021 e 2022 –, o valor retificado fez o patrimônio de Sicário aumentar em mais que o dobro do que havia sido enviado para a Receita Federal.
Um dos motivos que levou a esse aumento expressivo dos bens entre a declaração inicial e a retificada foi a ausência de registro, para o ano-fiscal de 2021, da coleção dos nove relógios que ele tinha, num total de R$ 3,5 milhões. Quatro desses relógios constavam na declaração de 2020 e os outros cinco constavam na declaração de 2022, que trazia o histórico de 2021 para comparativo.
Item de R$ 2 milhões
Dentre o acervo da coleção de relógio declarados por Mourão, um único exemplar da marca Richard Mille, foi avaliado por ele em R$ 2 milhões. A unidade foi comprada em 2024 e foi um dos bens dos quais Mourão declarou apenas uma parcela paga como o valor total.
Há ainda outros dois relógios da mesma marca suíça, precificados em R$ 1,2 milhão e R$ 1 milhão. A coleção ainda conta com dois relógios da marca suíça Patek Philippe avaliados em R$ 900 mil e R$ 800 mil, respectivamente.
Em 2024, o Sicário declarou ter ao todo nove relógios: quatro da marca Rolex, totalizando R$ 892 mil, três da Richard Mille, avaliados em R$ 4,2 milhões e outros dois da Patek, totalizando R$ 1,7 milhão.
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No mesmo ano, Mourão ainda informou à Receita Federal ter vendido três relógios, declarados no Imposto de Renda por R$ 575 mil. Para os três bens, ele justificou que a venda foi por um valor menor do que o pago anteriormente – ao todo R$ 539 mil –, para evitar pagar imposto por ganho em função de valorização patrimonial.
A coleção de relógios do Sicário surge em 2019, conforme informado na declaração. Eram quatro relógios avaliados por R$ 616,7 mil, três da marca Rolex e um da Cartier. Dois deles acabaram sendo vendidos ao longo dos anos.
Outros bens
Além da coleção de relógios, a declaração de IR de Sicário traz um patrimônio de R$ 1,6 milhões em cinco carros. Entre os veículos estão uma Land Rover, avaliada em R$ 550 mil, e um Audi Q8, precificado em R$ 538 mil e duas BMW X1 cinza. Ainda há um Toyota Corolla.
Ao longo do período, é possível ver que Mourão ainda teve outros cinco carros, que juntos foram avaliados por R$ 1,7 milhão. Eram uma Mercedes-Benz AMG GTS (R$ 595 mil), uma BMW X3 série M (R$ 574 mil), um Audi RS6 (R$ 420 mil), um Fiat 500 Abarth (R$ 70 mil) e um Nissan Kicks (R$ 67 mil).
Integrante da ‘turma’ de Vorcaro
As investigações da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master apontam que Sicário integrava “A Turma”, um grupo informal comandado por Daniel Vorcaro.
De acordo com os investigadores, Mourão teria a função de monitorar adversários do banqueiro, constranger opositores e, em alguns casos, promover agressões físicas. O grupo também seria responsável por tentar obter informações sigilosas em sistemas restritos.
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Mensagens entre Mourão e Vorcaro foram divulgadas em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Em uma delas, Vorcaro afirma que queria agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Segundo o ministro, a intenção seria “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.
Nas mensagens, o banqueiro afirma que seria preciso colocar pessoas para seguir o jornalista e cogita simular um assalto para agredi-lo.

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