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Alckmin avalia que eventual sanção dos EUA ao Irã não deve afetar Brasil:

por Redação
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“Estados Unidos colocou que não quer que haja comércio com o Irã, mas o Irã tem 100 milhões de pessoas. A maioria dos países tem algum tipo de exportação [com o país do Oriente Médio], a nossa relação comercial com o Irã é pequena”, afirmou Alckmin, durante o programa Bom Dia Ministro.

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Alckmin também defendeu que o Brasil não mantém “litígio com ninguém” e avaliou que possíveis tarifas comerciais tendem a afetar de forma mais contundente outros países, inclusive grandes nações europeias.

Ele prosseguiu: “Acho que a questão da supertarifação é difícil de ser aplicada. Teria que aplicar em mais de 70 países do mundo [que também fazem comércio com o regime iraniano]”.

Definição sobre tarifa

Questionado sobre um eventual impacto nas relações comerciais do Brasil, Alckmin ponderou que ainda não há definição sobre a aplicação de uma eventual tarifa de 25%, e quais produtos poderiam ser atingidos.

“Não sabemos se esses 25% seriam para tudo ou apenas para alguns produtos, nem que tipo de comércio está envolvido. A maioria dos países do mundo mantém relações comerciais. Ainda não existe ordem executiva, então não se sabe exatamente como isso poderá ocorrer”, disse.

O vice-presidente também ressaltou que o tema está sendo tratado diretamente pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Itamaraty. Pelo MDIC, segundo ele, o governo trabalha para ampliar o comércio exterior e reduzir barreiras.

“O Brasil prioriza o comércio exterior. No sábado, haverá a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, e vamos atuar para que não haja tributação no caso do Irã e não é só para nós, mas para o mundo. Esse diálogo está sendo conduzido com o Itamaraty, mas ainda não temos uma ordem executiva”, afirmou.

Escalada de tensão

Na última segunda-feira (12), Trump anunciou que pretende sancionar países que tiverem comércio com o Irã. Segundo a medida, os Estados Unidos cobrarão uma sobretaxa desses países quando eles fizerem transações com o mercado americano.

Nos últimos dias, Trump tem dado sinais de que os EUA podem interferir na onda de protestos que se espalha pelo Irã. Desde o fim de dezembro, milhares de pessoas têm ido às ruas nas principais cidades do país contra o regime do aiatolá Ali Khamenei.

Segundo o WSJ, a Casa Branca avalia uma proposta de última hora para conter o programa nuclear iraniano. O tema esteve no centro da guerra entre Israel e Irã, em junho de 2024, encerrada após um ataque americano.

Os protestos no Irã já deixaram mais de 600 mortos, segundo organizações de direitos humanos. Mais de 10 mil pessoas foram presas até esta segunda-feira. Em meio às manifestações, o governo iraniano ordenou o corte da internet, isolando o país.

Relação com o Brasil

➡️Nas exportações, o Irã ocupou a 11ª posição entre os países para os quais o agro brasileiro mais vendeu em 2025, conforme o Agrostat, banco de dados do Ministério da Agricultura.

O país respondeu por 1,73% das exportações do agro no ano passado, somando US$ 2,9 bilhões, e se colocou próximo de clientes como Japão, Egito, Turquia, Indonésia, Índia e México.

Já nas importações, o Irã é apenas o 42º maior fornecedor de produtos ligados ao agro para o Brasil, segundo o Agrostat. Mas é um importante exportador mundial de ureia, um fertilizante.

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