A empresa busca reestruturar suas dívidas e enfrentar a crise que atinge o setor aéreo, agravada pelos impactos da guerra com o Irã.
A airBaltic informou que garantiu um compromisso de financiamento de € 350 milhões (US$ 405 milhões) de instituições financeiras, entre elas Strategic Value Partners, Barclays, Hayfin Capital Management, Morgan Stanley e Oaktree Capital Management.
O dinheiro será usado para manter as operações durante o processo de reestruturação. O financiamento terá juros de cerca de 12% e ainda depende da aprovação da Justiça dos Estados Unidos, afirmou o CEO da airBaltic, Erno Hilden, em uma coletiva de imprensa.
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“Nos próximos meses, iremos dialogar com todas as partes interessadas para chegar a um acordo sobre termos sustentáveis”, disse Hilden. Segundo ele, a companhia espera obter uma melhora de € 44 milhões no resultado anual.
A empresa afirmou que os voos continuarão operando normalmente durante o processo, que será acompanhado pela Justiça americana. A expectativa é concluir a reestruturação até junho de 2027.
A guerra entre os Estados Unidos e o Irã fez os preços do combustível de aviação dobrarem, provocando a pior crise do setor de viagens aéreas desde a pandemia de Covid-19.
Investidores e executivos alertam que companhias com situação financeira mais frágil correm risco de entrar em recuperação judicial ou falir.
“A airBaltic vem enfrentando sérias dificuldades financeiras devido a uma combinação de fatores financeiros e geopolíticos”, afirmou o conselho da companhia em um documento apresentado à Justiça dos Estados Unidos.
A airBaltic possui aproximadamente US$ 583 milhões em dívidas e compromissos relacionados ao financiamento e ao aluguel de aeronaves. A empresa também deve € 106 milhões em impostos sobre a folha de pagamento e taxas e impostos relacionados à aviação, segundo o documento.
A receita da companhia em 2025 foi de aproximadamente € 779 milhões.
‘Uma das melhores opções’
A airBaltic tem uma frota de cerca de 50 aeronaves Airbus A220-300. A companhia é controlada majoritariamente pelo governo da Letônia, enquanto a alemã Lufthansa possui uma participação minoritária de 10%.
Antes do pedido de proteção contra falência, os detentores de títulos da airBaltic deveriam votar um plano para captar até € 257 milhões por meio de uma nova dívida, com vencimento em fevereiro de 2027 e juros de 25%.
O primeiro-ministro da Letônia, Andris Kulbergs, afirmou que o processo foi iniciado depois que investidores que detêm mais de 70% da dívida da empresa optaram pela liquidação.
“Considero esta solução uma das melhores opções para garantir a viabilidade da airBaltic, pois fornece as ferramentas e o tempo necessários para implementar o plano de reestruturação”, disse Kulbergs em comunicado.
O governo continua buscando um investidor estratégico enquanto a airBaltic reduz sua frota e reorganiza suas dívidas, acrescentou o primeiro-ministro.
A airBaltic é a segunda companhia aérea a entrar em colapso em meio aos efeitos da guerra com o Irã, após a Spirit Airlines, que encerrou suas operações em maio.
A companhia americana de baixo custo havia entrado com pedido de falência meses antes do início do conflito, no fim de fevereiro, mas não conseguiu obter apoio dos credores para um plano de resgate do governo.
Outras empresas do setor também enfrentam dificuldades. A AirAsia, maior companhia aérea de baixo custo do Sudeste Asiático, por exemplo, busca uma nova injeção de capital.
Avião Airbus A220-300 da AirBaltic decola em Riga, na Letônia, em 16 de março de 2020. — Foto: REUTERS/Ints Kalnins
Capítulo 11 protege empresa de credores durante reestruturação
Hilden, que comandou a companhia aérea escandinava SAS durante seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos entre 2022 e 2024, afirmou que a airBaltic busca seguir um caminho semelhante.
“Isso lhes dá uma estrutura de proteção para colocar a casa em ordem… Não vejo por que a airBaltic não faria o mesmo que a SAS”, disse o analista John Strickland.
Yves Schwyter, fundador da Vectus Intelligence, empresa especializada em análise de riscos financeiros no setor de aviação, afirmou que o processo representa uma “estrutura de capital provavelmente mais sustentável do que a que estava em discussão há uma semana”.
A companhia aérea tinha planos de ampliar sua frota para 100 aeronaves e esperava aumentar o número de passageiros que fariam conexões em Riga, capital da Letônia, vindos da Rússia, Belarus e Ucrânia.
“Isso não está mais disponível, e a empresa ficou grande demais para o mercado… O aumento dos custos de combustível agravou a situação, e eles não tiveram tempo de encontrar uma solução”, disse o analista de aviação Simonas Bartkus.
O primeiro-ministro Kulbergs afirmou, em um vídeo publicado no X, que até abril a airBaltic havia usado € 380 milhões obtidos com títulos emitidos em 2024. Um empréstimo emergencial de € 30 milhões concedido pelo governo também foi totalmente utilizado em junho, acrescentou.
A companhia ainda tentou reduzir os custos com suas aeronaves excedentes por meio de contratos de aluguel.
“Para operar as rotas entre os países bálticos e a Letônia, são necessárias apenas 30 aeronaves, e não 100”, disse Kulbergs.