União Europeia recomenda mais home office e menos viagens de avião em meio a crise de energia | G1

União Europeia recomenda mais home office e menos viagens de avião em meio a crise de energia | G1

Numa carta enviada aos 27 países-membros do bloco, Jorgensen incentivou a adoção de um plano de dez pontos elaborado pela Agência Internacional de Energia (AIE) que inclui:

  • incentivo ao home office;
  • car sharing;
  • uso do transporte público;
  • redução do limite de velocidade em autoestradas;
  • medidas para uso de energia elétrica em vez de gás de cozinha;
  • e redução de viagens aéreas.

O plano da AIE foi originalmente elaborado em 2022, no início da guerra na Ucrânia, que também provocou interrupções no mercado global de energia.

Agora, o apelo de Jorgensen ocorre num momento em que ministros de energia de países-membros da UE avaliam como lidar com escassez global diária de 11 milhões de barris de petróleo e de mais de 300 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL) provocada pela guerra no Irã.

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Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços na UE subiram cerca de 70% para o gás e 60% para o petróleo.

Em 30 dias de conflito, essa alta já acrescentou 14 bilhões de euros aos custos de importação de combustíveis fósseis da UE.

“Não devemos nos iludir: as consequências desta crise para os mercados de energia não serão de curta duração. Porque não serão”, disse Jorgensen nesta semana.

“Esta crise demonstra, mais uma vez, que a Europa enfrenta uma vulnerabilidade fundamental a choques energéticos externos. E isto está ligado à nossa dependência de combustíveis fósseis importados.”

Por enquanto, os países europeus ainda não adotaram medidas para reduzir a demanda e não contemplam medidas drásticas similares às tomadas durante as crises do petróleo da década de 1970, quando governos impuseram racionamento de gasolina e dias sem circulação de veículos particulares.

Na mesma carta, o comissário europeu recomendou que os países-membros adiem a manutenção das refinarias de petróleo para manter a produção e se preparem para garantir armazenamento adequado de gás para o próximo inverno.

Risco de escassez

Jorgensen afirmou ainda que o setor de transportes europeu enfrenta custos crescentes e escassez de suprimentos devido à forte dependência do setor em relação ao Golfo Pérsico, de onde a UE depende para mais de 40% de suas importações de querosene de aviação e diesel.

Ele acrescentou que o risco de escassez é agravado pela “disponibilidade limitada de fornecedores alternativos e de capacidade de refino para produtos específicos dentro da UE”.

“A segurança do abastecimento da União Europeia continua garantida. Mas temos de estar preparados para uma possível interrupção prolongada do comércio internacional de energia”, afirmou Jorgensen na terça-feira, antes de uma reunião virtual dos ministros da Energia da UE.

“É por isso que precisamos de agir já. E precisamos de agir em conjunto”, acrescentou. “Só trabalhando em conjunto podemos ser mais fortes e proteger os nossos cidadãos e empresas de forma mais eficaz.”

Os alertas do comissário europeu ocorrem em meio ao crescente temor de que a guerra lançada pelos EUA e Israel contra o Irã possa se prolongar ainda mais, tornando mais provável o risco de desabastecimento a longo prazo.

Até o momento, o conflito já fez o petróleo Brent saltar em determinado momento para 119 dólares por barril, bem acima da marca de 70 dólares antes da guerra, e alguns analistas têm alertado que os preços podem subir para até 200 dólares com o agravamento do conflito.

Nesta quarta-feira (1º/4), o chefe da AIE disse que os problemas de abastecimento de petróleo decorrentes da guerra aumentarão em abril e afetarão a Europa.

“A perda de petróleo em abril será o dobro da perda de março, além da perda de GNL”, declarou Fatih Birol em um podcast com o chefe do fundo soberano da Dinamarca, Nicolai Tangen.

“O maior problema hoje é a falta de querosene de aviação e diesel. Estamos vendo isso na Ásia, mas creio que logo, em abril ou maio, chegará à Europa.”

O alerta vem mesmo depois de os 32 membros da AIE liberarem 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas, o maior desbloqueio de estoques da história da organização.

Nesta semana, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, advertiu que os efeitos da guerra podem atingir a Europa de maneira similar que a pandemia de covid-19 em 2020-2021.

“Se esta guerra se transformar num grande conflito regional, poderá sobrecarregar a Alemanha e a Europa ainda mais do que vivenciamos recentemente durante a pandemia da covid-19 ou no início da guerra na Ucrânia”, disse.

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