‘Risco de vida’: acidente de Lindsey Vonn revela perigo de competir com ligamento cruzado rompido

‘Risco de vida’: acidente de Lindsey Vonn revela perigo de competir com ligamento cruzado rompido


Lindsey Vonn sofre queda nas Olímpiadas de Inverno 2026.
AFP PHOTO/IOC-OBS
A grave queda da esquiadora americana Lindsey Vonn, de 41 anos, durante a prova de esqui alpino downhill nos Jogos Olímpicos de Inverno, no domingo (8), terminou com o resgate da atleta por um helicóptero. Vonn competia com o ligamento cruzado anterior (LCA) totalmente rompido quando perdeu a estabilidade do joelho em alta velocidade, sofreu fratura na perna esquerda e precisou passar por cirurgia.
O caso relembra situações de atletas de alto rendimento que também sofreram rupturas do LCA e levanta alertas de especialistas sobre os riscos de competir em modalidades de alto impacto nessas condições, que podem colocar a vida do atleta em perigo.
Segundo o médico ortopedista Jonatas Brito, professor e pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC) e especialista em joelho, liberar um atleta para competir nessas condições, especialmente em esportes de altíssimo risco, exige extremo rigor técnico.
“Em modalidades como o downhill, que exigem muita velocidade e mudanças constantes de direção, competir sem o ligamento cruzado anterior não é apenas um risco esportivo, é um risco de vida”, afirma.
O que é a lesão no ligamento cruzado anterior
O ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das principais estruturas responsáveis pela estabilidade do joelho, sobretudo em movimentos de rotação, desaceleração e mudanças bruscas de direção. Quando ocorre a ruptura completa, o controle da articulação fica comprometido, aumentando significativamente o risco de quedas, fraturas e lesões associadas.
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Mesmo com fortalecimento muscular e uso de órteses, a ausência do ligamento torna o joelho suscetível a falhas imprevisíveis durante esforços intensos.
“Um atleta de alta performance dificilmente consegue competir com o ligamento cruzado anterior rompido, a não ser em esportes que não exijam rotações constantes ou mudanças bruscas de direção. Há casos excepcionais, como no boxe, mas isso ainda assim coloca em risco a saúde e a integridade do joelho”, explica Brito.
“Ao competir sem o LCA, o atleta coloca em risco o joelho, o menisco e a cartilagem, mas também aumenta a chance de fraturas graves, quedas em alta velocidade, traumatismos cranianos e até risco de morte”, afirma.
Casos semelhantes no Brasil e no exterior
No esporte brasileiro, a ruptura do LCA já afastou atletas de alto nível de competições importantes. Ronaldo Fenômeno já sofreu lesões graves no joelho ao longo da carreira, ambas tratadas cirurgicamente. Marta, eleita seis vezes melhor jogadora do mundo, também passou por cirurgia após romper o ligamento e ficou meses longe dos gramados.
Mais recentemente, jogadores como Neymar e Gabriel Jesus sofreram rupturas do LCA e precisaram interromper temporadas inteiras para tratamento e reabilitação, seguindo a recomendação médica de afastamento imediato para reduzir o risco de agravamento.
Especialistas explicam que, para o joelho, existem lesões que o cruzado anterior pode levar que são irreversíveis, como uma lesão grande de cartilagem ou uma lesão de menisco irreparável. Isso não tem mais volta.
Pressão psicológica e responsabilidade médica
O histórico de casos como o de Lindsey Vonn também evidencia a pressão psicológica enfrentada por atletas de elite e a responsabilidade das equipes médicas.
“O atleta sempre vai querer competir. Isso faz parte da força mental e da resistência à dor que eles desenvolvem. Por isso, cabe ao médico analisar de forma responsável, pensando na preservação da vida”, explica o médico.
Brito explica ainda que existem esportes em que o LCA é pouco exigido, como natação, ciclismo e corrida, mas ressalta que o ligamento é essencial em modalidades que envolvem mudanças rápidas de direção em alta velocidade, como futebol, basquete, snowboard e o próprio downhill.
(*Estagiária, sob supervisão de Ardilhes Moreira)

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