Petróleo se aproxima dos US$ 115 e caminha para maior alta mensal em décadas | G1

Petróleo se aproxima dos US$ 115 e caminha para maior alta mensal em décadas | G1

  • 🔎 O petróleo Brent, referência global, chegou a US$ 116,5 o barril nas primeiras horas de negociação desta segunda-feira (ainda na noite de domingo no horário de Brasília). Por volta das 9h10, avançava 2,07%, a US$ 114,90. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, subia 1,68%, para US$ 101,31.

O movimento ocorre em meio às tensões no Oriente Médio, que aumentaram a preocupação dos investidores com possíveis impactos sobre o fornecimento global de petróleo.

O receio é que o conflito provoque uma alta mais persistente dos preços de energia, pressionando a inflação e aumentando o risco de desaceleração econômica em várias partes do mundo.

Nesse cenário de incerteza, os mercados financeiros oscilaram nesta segunda-feira.

As bolsas asiáticas — mais dependentes do petróleo exportado pelos países do Golfo — registraram queda. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, encerrou o dia com recuo de 2,8%.

Na Europa, as bolsas recuperaram parte das perdas e avançavam cerca de 0,6%. Nos Estados Unidos, os contratos futuros dos principais índices — negociações que indicam a tendência de abertura do mercado — apontavam para alta moderada após uma sequência recente de quedas.

Estreito de Ormuz no centro das preocupações

Os investidores acompanham sinais contraditórios sobre o rumo do conflito.

  • 📍 A região é considerada vital para o comércio global de energia. Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo passa por esse estreito.

Ao mesmo tempo, o Paquistão afirmou que pretende sediar nos próximos dias negociações para tentar encerrar o conflito. Já o governo iraniano acusou os Estados Unidos de preparar uma possível ofensiva terrestre, enquanto reforça sua presença militar na região.

Para Eren Osman, diretor da gestora Arbuthnot Latham, o mercado está especialmente sensível ao comportamento do petróleo.

“O petróleo é o principal foco de tensão neste momento”, afirmou. Segundo ele, a reabertura do Estreito de Ormuz seria um fator importante para reduzir a volatilidade nos mercados.

Ainda assim, o analista disse não esperar um conflito prolongado, pois acredita que o governo americano pode ter limites para tolerar quedas prolongadas nas bolsas.

Energia mais cara afeta diversas cadeias produtivas

A interrupção do tráfego no estreito já provocou alta em diversos produtos ligados à energia e à indústria.

Os preços de petróleo, gás natural, fertilizantes, plásticos e alumínio subiram, assim como os combustíveis usados em aviões e navios. O encarecimento dessas matérias-primas tende a se espalhar pela economia, elevando custos de transporte e produção.

Com isso, analistas também esperam aumentos em itens como alimentos, medicamentos e produtos petroquímicos.

O alumínio, por exemplo, atingiu o nível mais alto em quatro anos após ataques aéreos iranianos contra dois grandes produtores do Oriente Médio durante o fim de semana.

Impacto maior para economias asiáticas

A Ásia é considerada uma das regiões mais expostas à crise energética, já que depende fortemente das importações de petróleo do Golfo.

Refletindo essa preocupação, o índice MSCI que reúne bolsas da região Ásia-Pacífico — excluindo o Japão — caiu 1,8% nesta segunda-feira.

Segundo Bruce Kasman, economista-chefe global do banco JPMorgan, o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz pode pressionar ainda mais os preços.

“Quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, maior será a redução dos estoques disponíveis de energia”, afirmou.

Ele estima que, se a passagem permanecer bloqueada por mais um mês, o petróleo poderia se aproximar de US$ 150 por barril, além de provocar restrições no consumo de energia por parte da indústria.

Juros e dólar entram no radar dos investidores

A alta do petróleo também aumenta as preocupações com a inflação global — ou seja, com o aumento generalizado de preços.

Diante desse cenário, investidores passaram a prever que os juros possam permanecer elevados por mais tempo em diversos países.

Nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, deve comentar o cenário econômico em um evento ainda nesta segunda-feira. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, também fará declarações.

Ao longo da semana, dados sobre vendas no varejo, atividade industrial e geração de empregos devem oferecer novas pistas sobre o ritmo da economia americana.

A turbulência nos mercados costuma favorecer o dólar, considerado a moeda mais utilizada nas transações internacionais e, por isso, visto como um ativo mais seguro em momentos de incerteza.

O índice do dólar, que mede o valor da moeda americana frente a uma cesta de outras divisas, operava próximo da máxima em dez meses, em 100,25 pontos.

No Japão, porém, alertas de autoridades sobre possível intervenção no mercado cambial fizeram o dólar recuar 0,5%, para 159,5 ienes. Na semana passada, a moeda americana havia ultrapassado a marca de 160 ienes, o maior nível desde julho de 2024.

Já o euro era negociado a US$ 1,1493, ligeiramente abaixo do registrado anteriormente no mês.

Petróleo dispara e pressiona combustíveis: o que está por trás da alta no Brasil – Crédito: Diulgação. — Foto: Petróleo dispara e pressiona combustíveis: o que está por trás da alta no Brasil – Crédito: Diulgação.

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