Pessoas com obesidade têm 70% mais risco de complicações por doenças infecciosas, alerta estudo

Pessoas com obesidade têm 70% mais risco de complicações por doenças infecciosas, alerta estudo


Obesidade pode aumentar em até 70% risco de hospitalização e morte por doenças infecciosas.
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A obesidade aumenta o risco de hospitalização em diversas doenças e pode ter sido determinante em uma em cada dez mortes por doenças infecciosas em 2023.
➡️Isso é o que mostra um estudo com 540 mil pessoas publicado na revista científica “The Lancet”. A pesquisa acompanhou os participantes com alto índice de massa corporal (IMC) por uma média de 14 anos para entender a relação dessa condição com o agravamento de infecções.
A análise mostrou que a obesidade aumenta significativamente a chance de hospitalização e o risco de morte em doenças como:
Gripe
Covid-19
Pneumonia
Gastroenterite
Infecções urinárias
Infecções respiratórias
Solja Nyberg, pesquisadora da Universidade de Helsinki e uma das autoras do estudo, vê com preocupação os achados que relacionam esses dois fatores.
“Como as taxas de obesidade devem aumentar globalmente, o número de mortes e hospitalizações por doenças infecciosas associadas à obesidade também deve crescer”, afirma.
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Obesidade e alto risco de hospitalização
A partir dos altos índices de hospitalização e morte entre pessoas com obesidade durante a pandemia de Covid-19, os pesquisadores buscaram investigar se essa relação se expandia para outras doenças infecciosas.
Para isso, o grupo utilizou dados de mais de 67 mil adultos em dois estudos na Finlândia e de mais de 470 mil pessoas do banco de dados UK Biobank (banco de dados biomédicos de larga escala e de longo prazo no Reino Unido).
Os resultados mostraram que pessoas com obesidade – definida como IMC maior do que 30 kg/m² – apresentaram risco 70% maior de hospitalização ou morte por qualquer doença infecciosa em comparação com pessoas com IMC considerado normal.
Os dados mostraram que o risco também se eleva de maneira contínua à medida que o peso corporal aumenta.
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Ou seja, pessoas com obesidade mais grave, quando o IMC está acima de 40 kg/m², apresentaram três vezes mais risco do que pessoas com peso saudável.
Mika Kivimäki, pesquisador da University College London e líder do estudo, explica que mecanismos biológicos podem estar envolvidos nessa relação.
“É possível que a obesidade enfraqueça a capacidade do sistema imunológico de se defender contra bactérias, vírus, parasitas ou fungos infecciosos, resultando em doenças mais graves”, analisa.
Ele ainda pondera que mais estudos são necessários para confirmar os mecanismos por trás dessa associação.
Diferenças regionais e limitações
Segundo os pesquisadores, o levantamento também evidencia diferenças regionais na proporção por mortes de doenças infecciosas relacionadas à obesidade.
Entre os países de alta renda, os Estados Unidos tiveram o maior nível de mortes associadas ao quadro de doenças infecciosas – com um quarto de óbitos apresentando essa associação.
No Reino Unido, a obesidade esteve ligada a uma em cada seis mortes de doenças infecciosas.
Já no Vietnã, a proporção foi a menor observada, com cerca de 1% dos óbitos apresentando essa relação.
Os autores destacam que o fato de o estudo se basear em dados observacionais dificulta a confirmação de causalidade.
“As estimativas do impacto global dão uma noção da dimensão do problema, mas devem ser interpretadas com cautela”, afirma Sara Ahmadi-Abhari, do Imperial College London.
Ela ainda pondera que os dados nem sempre são precisos, especialmente quando se trata de países com menos recursos.

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