Paraguai anuncia retatrutida, mas agência afirma que não há autorização; medicamento ainda está em fase de estudos clínicos

Paraguai anuncia retatrutida, mas agência afirma que não há autorização; medicamento ainda está em fase de estudos clínicos


Eli Lilly lidera estudo da retratutida e não foi finalizado ainda
Divulgação
Um evento com influenciadores brasileiros na última semana chamou a atenção das autoridades sanitárias. No Paraguai, uma indústria anunciou a inclusão de canetas à base de retatrutida, substância para o tratamento da obesidade. No entanto, o ativo nem mesmo saiu da fase de testes e não foi apresentado a qualquer órgão regulador pela empresa norte-americana dona da patente, a Eli Lilly.
O anúncio foi feito pelo laboratório Eticos, que também produz a Lipoless, caneta proibida no Brasil, mas que vem sendo alvo de apreensões pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Um dos nomes presentes no evento foi o influenciador fitness Renato Cariani. Em imagens que circulam nas redes, ele aparece puxando o tecido que cobria a embalagem de um produto à base de retatrutida, apresentado como um medicamento que “deve ser lançado em breve”.
🔴 Mas isso seria possível? O problema é que o medicamento ainda não foi lançado em nenhum país — e sequer foi aprovado por qualquer autoridade sanitária.
Laboratório no Paraguai anuncia em breve versão de retratutida
Reprodução/Redes Sociais
➡️ A retatrutida é uma molécula em desenvolvimento pela farmacêutica norte-americana Eli Lilly para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. O composto está atualmente em fase 3 de estudos clínicos — etapa em que pesquisadores avaliam a eficácia em um número maior de pacientes antes de qualquer pedido de registro.
A pesquisa ainda não terminou, e a empresa não apresentou pedidos a agências como o FDA.
Apesar disso, o evento no Paraguai anunciou a chegada “em breve” da substância ao mercado local, sem informar data. A repercussão levou a agência regulatória do país, a Dirección Nacional de Vigilancia Sanitaria (Dinavisa), a divulgar uma nota oficial negando qualquer autorização.
“O produto mencionado não está autorizado para sua importação, fabricação, distribuição, promoção nem comercialização no território nacional”, afirmou o órgão.
Após a repercussão, Renato Cariani publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que, embora tenha participado do momento em que o tecido foi retirado da embalagem, não se tratava de um anúncio de lançamento comercial.
Segundo ele, o evento marcava o início dos processos necessários, como ativo, embalagens e produção.
O laboratório Eticos também confirmou que não há data de lançamento e que só fará isso após aprovação sanitária.
Até o momento, no entanto, nem mesmo a Eli Lilly — responsável pela patente e pelos estudos clínicos da molécula — fez qualquer anúncio público sobre início de produção industrial ou lançamento iminente.
Retatrutida: remédio para a obesidade que pode substituir a cirurgia bariátrica
Canetas paraguaias no Brasil
O caso ocorre em meio aos problemas com a circulação ilegal de canetas paraguaias que não têm autorização da Anvisa no Brasil.
O país não mantem a patente de empresas e, por isso, produz algumas das canetas que hoje só são fabricadas pelas companhias que descobriram os medicamentos. No Brasil, por exemplo, a patente da semaglutida termina este mês, quando o país deve ter canetas nacionais com a substância.
A Anvisa já vem se manifestando sobre a entrada de canetas ilegais no país, com ações nas fronteiras. A própria Dinavisa também já se manifestou sobre o trânsito irregular de substâncias na fronteira.
Além disso, o próprio Paraguai enfrenta também um mercado paralelo dessas versões, com produções falsificadas. Ainda neste fim de semana, a Dinavisa fez um anúncio alertando para a falsificação de um lote da sua versão de tirzepatida, a T.G.. (Veja a imagem abaixo)
Dinavisa faz alerta para canetas falsificadas
Reprodução
E a questão é ainda mais grave: antes mesmo do anúncio, a PRF já vinha apreendendo no Brasil versões de retatrutida vindas do Paraguai, produzidas ilegalmente e trazidas ao país. De acordo com o país, elas são irregulares.
Alerta de risco à saúde
Médicos e autoridades brasileiras fazem um alerta sobre o possível medicamento. A retatrutida ainda está em fase de estudos e, com isso, não é possível saber se é eficaz, em que medida é, quais são as contraindicações e nem mesmo como deverá ser produzida.
Assim, qualquer medicamento que afirme conter retatrutida representa um risco à saúde.
No Brasil, apenas as canetas que passam pela Anvisa são permitidas. Médicos alertam que isso é a garantia de controle sanitário e de transporte adequado.

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